Comigo ninguém pode

21 05 2009
Alusão a conquista do 17º scudetto da Inter: Comandados por Ibrahimovic, os interistas passearam rumo ao tetracampeonato.

Na reta final das ligas européias, a manutenção da hegemonia deu o tom das comemorações. O tricampeão Manchester United nem fez força para empatar com o jovem Arsenal e fazer a festa, enquanto a Inter comemorou o tetracampeonato ainda na concentração, graças ao tropeço providencial do arqui-rival Milan frente a Udinese no sábado. Tetra como a Inter, o Porto já havia assegurado o caneco na semana passada com duas rodadas de antecedência, na vitória contra o Nacional da Ilha da Madeira. Em três dos seis campeonatos nacionais mais destacados da Europa – o Lyon não tem mais chances de ser octacampeão na França, o Barcelona quebrou a hegemonia do Real Madrid e o Bayern tem que torcer por um tropeço do Wolfsburg, além de vencer o difícil compromisso contra o Stuttgart para ser bicampeão alemão – manutenção da hegemonia, títulos antecipados e conquistados sem maiores problemas.

A Inter passeou durante todo o Calcio e praticamente não foi ameaçada. As irregularidades de equipes concorrentes Milan e Juventus facilitaram a conquista do scudetto, que mais uma vez ameniza a dor de uma péssima jornada de Champions League. Campeão da Champions e do Português pelo Porto e Inglês pelo Chelsea, José Mourinho estreou no Calcio e atestou sua sina de técnico campeão com o título, preservando a base construída por Mancini nas últimas temporadas. Porém, deu chances para o surgimento de bons jogadores pratas-da-casa nerazzurri nesta temporada como o lateral Davide Santon e o bom, porém intempestivo, Mário Balotelli, que se firmou como parceiro de ataque de Ibrahimovic principalmente após a metade da temporada. Temporadas espetaculares de Ibrahimovic – novamente principal jogador do time e vice-artilheiro do Calcio com 22 gols, até aqui – e do goleiro Júlio César, mescladas a regularidade de atletas como Cambiasso, Zanetti, Córdoba e Vieira deram a cara do 17º scudetto interista, o que faz os rivais de Milão empatarem no segundo posto do número de conquistas da Série A, italiana, com 10 conquistas a menos que a Juventus. E o tetracampeonato marca uma hegemonia que não se via em campos italianos desde o pentacampeonato do Torino, conquistado entre 1942 e 1949.

O Manchester United não teve a vida tão fácil quanto a da Inter, sem adversários diretos em 2008/09. Sofrendo com o excesso de jogos – principalmente à época do Mundial de Clubes da FIFA, o qual venceu – os Red Devils não abriam vantagem confrtável, até pelo fato de terem jogos a menos em relação aos rivais Liverpool e Chelsea e terminaram o primeiro turno apenas no terceiro posto. Após uma sequência de 11 vitórias consecutivas e mesmo com jogos a menos, os comandados de Ferguson assumiram a liderança da qual não saíram mais. Liderança essa que foi incomodada na goleada contra o rival direto Liverpool por 4-1 e na derrota na partida posterior por 2-0 frente ao Fulham na 30ª rodada. De lá pra cá, mais uma série de vitórias consecutivas – desta vez, sete – e o título garantido com uma rodada de antecedência no empate sem gols contra o Arsenal. Como a Inter, Alex Ferguson manteve a base vitoriosa da equipe, que contou com a valiosa aquisição de Berbatov, a qual aumentou ainda mais a gama de opções ofensivas da equipe. O surgimento, mesmo tímido, de valores da base como Welbeck, Evans, Rafael da Silva e Macheda mostra que o futuro reserva ao United bons frutos.

Mesmo sem ter emplacado um campeonato brilhante como em 2007/08, Cristiano Ronaldo teve bons momentos e está na briga pela artilharia da Premier League, com 18 tentos. Destaques para a regularidade Van der Sar, a boa zaga Vidic-Ferdinand, o veterano Giggs, as entradas e gols pontuais de Tevez. E superando Ronaldo, Rooney foi o grande diferencial do time nesta temporada. Atacante objetivo e muito dedicado no auxílio à marcação, colaborou com 12 gols, sete assistências e muita regularidade nos jogos. Além da campanha incontestável, o tricampeonato deu ao Manchester United o posto de maior campeão inglês ao lado do Liverpool, com 18 conquistas e o recorde de ser a única equipe a se sagrar duas vezes tricampeã inglesa em toda a história – a primeira foi entre 1999 e 2001. De quebra, Ferguson e Giggs – remanescentes da década de 80 quando o Manchester United amargou um período de 26 anos sem vencer o campeonato inglês, quebrado em 1992/93 – comemoraram seu 11º título nacional.

Coletividade foi a marca do tetracampeonato do Porto. Mesmo não tendo o artilheiro da Liga 2008/09 – até o momento, a marca é de Nenê do Nacional, com 19 tentos – cinco atletas foram responsáveis por marcarem 41 dos 59 gols dos Dragões até aqui: Lisandro López (10), Ernesto Farias (9), Givanildo Hulk e Lucho González (8), além de Cristián Rodríguez (6) mostram que o diferencial do Porto para a conquista foi a versatilidade de sua linha ofensiva. Além da importante participação dos citados, jogadores como o zagueiro Bruno Alves e o operário volante/meia Raúl Meirelles formaram a base campeã, comandadas pelo técnico Jesualdo Ferreira. Apesar de ainda estar distante da hegemonia de títulos benfiquista em Portugal – 31 contra 24 – o Porto ostenta uma impressionante marca de crescimento na Liga lusitana dos últimos anos: a conquista de 11 das últimas 15 edições da Liga.

A hegemonia de Manchester United, Inter e Porto vem recheada de números impressionantes, o que atesta a ampla superioridade em relação aos rivais. Que ainda precisarão abrir bem os olhos para não assistirem tais cenas de festa se repetindo em 2009/10.





Renascimento

12 03 2009
Não, este não é mais um texto sobre a nova volta de Ronaldo, mas também envolve um atacante de camisa nove, com feitos bem mais modestos no futebol que o Fenômeno. Há pouco mais de um ano, após entrada violentíssima do zagueiro Martin Taylor, o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva teve a contusão mais grave de sua carreira: fraturou gravemente a perna na altura do tornozelo, numa das imagens mais fortes ocorridas no futebol em 2008. À época, o camisa nove do Arsenal poderia até ter a perna amputada, o que só não aconteceu graças a rápida e eficiente intervenção da equipe médica do clube, ainda dentro de campo na prestação dos primeiros socorros. A grave contusão custou a Eduardo a última Eurocopa, da qual seria fatalmente titular na seleção croata comandada por Slaven Bilic.Após uma lenta  recuperação de quase um ano, o atleta de 26 anos retornou aos Gunners oficialmente em 16 de fevereiro, a pouco mais de uma semana de seu aniversário, em partida válida pela FA Cup (Copa da Inglaterra) diante do Cardiff. Marcou dois gols – um de cabeça e outro em penalidade sofrida por ele mesmo -, na vitória por 4-0. No entanto, acabou distendendo um músculo da perna, foi substituído e ficou mais três semanas no departamento médico. Refeito da nova lesão, voltou ao time comandado por Arsène Wenger novamente em uma partida da Copa da Inglaterra, desta vez diante do Burnley neste último domingo. Atuando com a equipe recheada de reservas – visando a partida deste meio de semana contra a Roma, pela Champions – Eduardo entrou desde o começo da partida, com a tarja de capitão. Apesar da fragilidade dos Clarets – na sétima posição da segunda divisão inglesa – Eduardo atuou bem a vontade e foi um dos destaques da vitória por 3-0, marcando um golaço de “parafuso” no ângulo do goleiro Jensen. Explico: apesar de já ter marcado um gol com a perna que havia sido contundida – a esquerda -, o tento foi através de pênalti. No lance contra o Burnley, Eduardo pegou o cruzamento de Song de primeira com a parte de fora do pé esquerdo, quando o mais lógico seria virar o corpo para “chapar” a bola ou mesmo chutar de direita. justo na parte afetada pela fratura, até soando como uma resposta para quem ainda duvidava de sua condição de jogo, pois o chute foi totalmente consciente.

A volta ainda é gradual. Mas com Eduardo com ritmo de jogo, será de grande valia ao Arsenal, que ainda luta para prosseguir na Champions (venceu o primeiro duelo das oitavas contra a Roma por 1-0) e para buscar uma colocação melhor na Premier League, onde faz campanha irregular e é apenas quinto, atrás do Aston Villa. Já que a onda agora é falar de Ronaldo e o início de seu terceiro “renascimento”, nada como nos espelharmos no caso de Eduardo, que mostra mais um exemplo de superação.

Gol de “parafuso” marcado por Eduardo da Silva contra o Burnley





Game over, Felipão

14 02 2009
Sem os devidos reforços e derrotas para os principais rivais ajudaram a encurtar a missão de Felipão no Chelsea, que durou apenas sete meses

O empate em Stamford Bridge para o Hull City foi a gota d’água para o mecenas do Chelsea, Roman Abramovitch, dar cartão vermelho para Luiz Felipe Scolari do comando dos Blues. Mesmo com todas as dificuldades da adaptação e implementação de sua filisofia no clube londrino, pareceu uma decisão precipitada. Primeiro, porque o Chelsea – leia-se Abramovitch – atravessa dificuldades financeiras, e por isso, pouco reforçou/renovou o seu elenco. Apenas Deco, Bosingwa, Mineiro e Quaresma – os últimos dois a custo zero – chegaram em 2008/09, em um elenco que sofreria importantes perdas, como o polivalente Essien e Joe Cole pela temporada inteira. Além disso, teve problemas com alguns medalhões da equipe, o que vinha o atrapalhando em uma de suas principais virtudes nos grupos vencedores que construiu: fechar o grupo. Joe Cole, Drogba e Anelka não bateram diretamente contra Felipão, mas as reclamações constantes pela titularidade atrapalharam o foco do elenco.

Em pouco mais de sete meses no comando dos Blues, Felipão teve aproveitamento de 62 %. Em 36 jogos, foram 19 vitórias, dez empates e sete derrotas. No entanto, dois foram os fatores – tecnicamente falando – que contribuíram decisivamente para que Felipão e o Chelsea vissem o título inglês mais distante: o mau aproveitamento dos jogos em casa e o péssimo aproveitamento nos clássicos, primordiais para quem quer ser campeão inglês. Em seus domínios, o Chelsea venceu apenas seis partidas das 13 disputadas, com cinco empates e duas derrotas. Na época de sua primeira derrota – na nona rodada da Premier League para o Liverpool – o Chelsea viu ser quebrado uma série de 86 jogos sem derrota em casa em um período de quatro anos. E nos clássicos, Felipão e o Chelsea não conseguiram uma vitória sequer – duas derrotas para o Liverpool, uma para o Arsenal e uma derrota e um empate frente ao Manchester United.O quarto lugar na Premier League – 49 pontos, sete atrás do Manchester United, que tem uma partida a menos – a irregular campanha na Champions e a eliminação na Copa da Liga Inglesa para o Burnley, da segunda divisão, fizeram com que a torcida e boa parte da imprensa inglesa pedisse a cabeça do brasileiro, mesmo com os Blues terminando o primeiro turno na cola do então líder Liverpool, terminando a primeira parte do campeonato com o melhor ataque (40 gols) e a melhor defesa (nove gols sofridos).

No entanto, desde que Felipão começou a treinar a Seleção Brasileira e após a Copa de 2002, a portuguesa, ele se mostrou um técnico de trabalhos a longo prazo. Ou quem não se lembra do episódio da derrota para Honduras, na Copa América de 2001, disputada na Colômbia, por 2-0. Ainda assim, classificou-se com dificuldades para a Copa de 2002, e deixou Romário fora do elenco e ainda assim, sagrou-se campeão. E na época em que assumiu Portugal, causou indisposição com jogadores, torcida e imprensa lusa bancando Deco em Portugal e deixando o ídolo Vítor Baía fora dos planos para a Euro que se avizinhava, a qual seria disputada na própria terrinha. Os resultados da aposta em Felipão, a longo prazo, vieram na forma de uma Copa do Mundo e um vice da Eurocopa.

A demissão de Felipão nos faz repensar as reais dimensões da crise pela qual o Chelsea atravessa: os Blues devem pensar seriamente na renovação de seu milionário – e neste momento insuficiente elenco – se quiserem continuar cobiçando seu principal objetivo: a Champions League. Esse será o desafio do próximo técnico: foco total na Champions e mover os pauzinhos para uma renovação profunda no elenco.





Reflexos da crise

8 02 2009
Os efeitos da crise mundial também tiveram reflexos no rico futebol da Europa. O fechamento da janela de transferências de inverno mostrou cifras modestas em relação ao início da temporada, onde as dez maiores transferências não saíram por menos de 20 milhões de euros. Já nessa última janela de negociações, apenas duas transferências atingiram a casa de 20 milhões – Lassana Diarra e Klaas-Jan Huntelaar, ambos contratados pelo Real Madrid. Alguns grandes optaram pelos empréstimo sem desembolsar grandes cifras de bons jogadores, como fez o Chelsea com Quaresma e o Milan com Beckham.Além da perda de boa parte da receita das finanças dos donos de clube, como Abramovitch, alguns clubes da rica Premier League sofreram com desfalques nas finanças: o Manchester United não renovará o patrocínio de camisa com os americanos da AIG em 2010 – seguradora que está recebendo ajuda governamental por conta da crise – no valor de 15 milhões de euros por ano e o West Ham perdeu o patrocínio da XL Holidays no valor de seis milhões de euros, passando quase quatro meses sem patrocínio de camisa. Assinou com a asiática Sbobet, especializadas em apostas, por metade do patrocínio anterior. O Manchester United se abalou pouco por ter uma das marcas mais valiosas no futebol enquanto os Hammers tiveram que se desfazer de seu principal jogador, o galês Craig Bellamy, vendido ao City por 15 milhoões de euros. Além disso, o seu proprietário, o islandês Bjorgolfur Gudmundsson, colocou a equipe a venda, já que a Islândia foi um dos principais países afetados pela crise econômica, por se tratar de um país majoritariamente composto por bancos. Gudmundsson – um dos donos do Landisbank – perdeu muito capital e viu o banco em que invetia ações falir e colocou os Hammers à venda apenas dois anos depois de sua aquisição para minimizar os prejuízos.

Ainda com todo o cenário contrário, Tottenham e Manchester City investiram massivamente em reforços, já que ambos haviam investido muito no início da temporada, mas viveram às voltas com a zona de rebaixamento desta Premier League. Dos dez reforços mais caros do mercado de inverno, seis pertencem a dupla e oito são ingleses (os outros dois foram o Arsenal, com Arshavin e o West Ham, com Nsereko). Os Spurs desenbolsaram vultuosos 47 milhões de euros – repatriou Defoe e Robbie Keane e comprou o hondurenho Wilson Palacios junto ao Wigan – e o City trouxe Bellamy, Nigel de Jong, Given e Bridge, que custaram a bagatela de 57 milhões de euros, pouco mais da metade do valor que os Citizens ofereceram ao milanista Kaká para trocar a Itália pela Inglaterra, no que seria a maior transferência da história do futebol. Porém, o brasileiro não se seduziu com os dólares árabes do dono do City e ficou no Milan.

Recentemente, as cotas da Premier League foram renovadas por mais três temporadas. A inglesa BSkyB (cinco pacotes, 115 jogos) e a irlandesa Setanta (um pacote, 23 jogos) fecharam as exclusividades de transmitir a principal liga nacional da Europa por 2,04 bilhões de euros, valor pouco maior que a cota anterior, de 1,94 bilhões de euros. Além dos bilhões das TVdesse montante, a BBC inglesa garantiu sua parte da cota – que dá direito ao principal jogo da rodada, mais o resumo das outras partidas – por 188 milhões de euros. No entanto,a euforia pelo aumento das cifras foi podada devido a desvalorzação da libra esterlina – moeda corrente na Inglaterra – frente ao Euro, fato esse que freou algumas negociações e fará com que o aumento real na parcela repassada aos clubes – 56% do total somado ao respectivo desempenho dos clubes na liga – seja bem menor do que o esperado.

Mesmo com algumas limitações e extravagâncias, a crise pode evitar o estouro de uma nova “bolha financeira”, como a que acometeu o futebol europeu no início desta década, a qual teve no Leeds United sua vítima mais conhecida. Após chegar às semifinais da Champions League em 2000/01 contra o Valencia, os Whites quebraram devido aos altos investimentos no elenco – de nomes como Robbie Keane, Robinson, Alan Smith e Rio Ferdinand – e em apenas seis anos sairam dos holofotes europeus rumo à terceira divisão inglesa.

As dez maiores transferências da janela de inverno na Europa (segundo o site Transfermarkt):

Klaas-Jan Huntelaar – Ajax para o Real Madrid, 20.000.000 €

Lassana Diarra – Portsmouth para o Real Madrid, 20.000.000 €
Nigel de Jong – Hamburg para o Manchester City, 19.500.000 €
Robbie Keane – Liverpool para Tottenham Hotspur, 16.700.000 €
Andrey Arshavin – Zenit para o Arsenal, 16.500.000 €
Jermain Defoe – Porsmouth para o Tottenham Hotspur, 16.400.000 €
Craig Bellamy – West Ham para oManchester City, 15.500.000 €
Wilson Palacios – Wigan para o Tottenham Hotspur, 15.000.000 €
Wayne Bridge – Chelsea para o Manchester City, 13.000.000 €
Savio Nsereko – Brescia para o West Ham, 11.000.000 €




Ferguson descobre o Brasil

1 12 2008
Que jogador brasileiro é sinônimo de diferencialidade – algo a mais que a pura dedicação tática da maioria dos europeus – é fato. Mesmo assim, o futebol inglês nunca foi um grande utilizador da mão-de-obra dos atletas tupiniquins como Itália, Espanha e Portugal, por exemplo. Mas a história está mudando gradualmente. Nunca a Premier League foi tão brasileira, contando em 2008/09 com 20 atletas (22 se consideramos os naturalizados Deco e Eduardo da Silva) mais o técnico Felipão. Antes dessa verdadeira legião, poucos foram os brasileiros que fizeram sucesso na terra da rainha, como Mirandinha (ex-Palmeiras) na década de 80 pelo Newcastle e Juninho (ex-São Paulo), que teve fagulhas de futebol no Middlesbrough.

Clubes como o Manchester United só contaram com brasileiros recentemente. O primeiro foi Kléberson, ainda embalado pela excelente Copa do Mundo conquistada na Ásia. Em 2003, o volante paranaense teve bom começo no time de Sir Alex Ferguson, mas depois caiu no ostracismo e só reapareceu no Flamengo, neste Brasileirão. Depois do fracasso de Kléberson, Ferguson demorou a utilizar novamente um brasileiro nos Red Devils. O meia Anderson, adquirido junto ao Porto em 2007/08, foi prontamente adaptado ao elenco por Ferguson, chegando a atuar como uma espécie de segundo volante, dando qualidade à saída de bola da equipe nas vezes em que era utilizado. Com isso, o brasileiro ganhou espaço na Seleção de Dunga – fez parte do elenco campeão da Copa América 2007 e do bronze olímpico em Pequim 2008 – e teve sua contribuição na dobradinha na conquista da Premier League e da Champions League na temporada passada.

Inspirados no exemplo de Anderson, outros três brasileiros novatos desembarcaram em Old Trafford: o meia Rodrigo Possebon, 19, e os gêmeos e laterais Fábio e Rafael da Silva, 18. “Apalavrados” desde 2007 em negociação com o Fluminense, os gêmeos só puderam ter sua contratação oficializada em julho deste ano, por conta dos irmãos terem menos de dezoito anos à época. Fábio havia se destacado mais que Rafael na campanha irregular do Brasil no Mundial Sub-17, disputado na Coréia do Sul em 2007, onde a Seleção foi precocemente eliminada nas oitavas por Gana.

Mas a instabilidade na lateral-direita do United, que ora utiliza os improvisados Brown e O’Shea, ora utiliza um Gary Neville de futebol muito limitado devido as recentes contusões, fez com que Rafael fosse sendo inserido gradualmente no time. Com isso, Ferguson vai lançando-o aos poucos na equipe principal. E o lateral vai agradando o chefe. “O garoto é atrevido e tem um grande talento. É um menino corajoso para jogar, sem medo de arriscar as jogadas. Ele tem a famosa mentalidade brasileira do “me dê a bola, quero jogar”, e toda vez que pegamos a bola, ele pede, se apresenta para jogar. É um grande atributo para um jogador jovem” afirmou Ferguson ao GloboEsporte.com, após a boa atuação na derrota do Manchester United para o Arsenal por 2-1, onde o lateral entrou com personalidade e marcou o gol de honra.

Mesmo com apenas 18 anos, Rafael mostra personalidade e bom futebol. Com dificuldades na parte de marcação – como é de praxe na maioria dos alas de qualidade formados no futebol brasileiro – ele vem se aperfeiçoando e ganhando mais espaço na equipe. A prova foi a titularidade no clássico disputado neste domingo frente ao Manchester City, outra legião brasileira em Manchester. Mesmo com o arisco Robinho caindo pelo seu setor, o lateral mostrou bom futebol, apoiou e ainda marcou Robinho em seu campo de defesa, ajudando o United a bater o City por 1-0. Um prodígio para o futuro surge na direita, que atualmente já tem bons nomes como Maicon, Daniel Alves e Rafinha.

Atento, o Manchster United já possui dois olheiros no Brasil em busca de novos Andersons e Rafaéis. Prova disso foi a última investida dos ingleses a respeito da possbilidade de contratação do meia Douglas Costa, revelação precoce do Grêmio. Enquanto isso, o escocês já começa a lapidar um futuro talento, tanto para o Manchester, quanto para a Seleção.

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Noviços rebeldes

7 10 2008
O caçula Hoffenheim chega à vice-liderança da Bundesliga: resultado de muitos investimentos, que fizeram o time chegar rapidamente a principal divisão do país.

Centenários, porém debutantes, Hoffenheim e Hull City estão dando o que falar em dois dos principais campeonatos do Velho Continente: Bundesliga e Premier League, que assistem ao galopar de duas zebras. O Hoffe só não está na liderança da competição graças a uma vitória no sufoco do concorrente direto Hamburgo, mas segue firme na classificação no segundo posto. Já os Tigers subiram de produção graças a dois êxitos em Londres: o primeiro, na surpreendente vitória contra o Arsenal por 2-1 em pleno Emirates Stadium, e o segundo na vitória pelo placar mínimo sobre o combalido Tottenham. Até onde os caçulas da primeira divisão de Alemanha e Inglaterra podem surpreender e dar trabalho às potências?

Mesmo com a coincidência de boas campanhas e da estréia na principal competição nacional de seus países de origem, as duas equipes têm trajetórias distintas. O Hoffenheim tem um mecenas, Dietmar Hopp. No entanto, o alemão não parece fazer o tipo “investidor aventureiro” que veio de um lugar distante, sem raízes com o clube, mas ainda sim um aficcionado por ele. Hopp adquiriu o controle financeiro do clube em 1990, por conta do vínculo afetivo com o clube, o qual frequentava em sua juventude. Mais tarde e já como engenheiro, fundou em 1972 a empresa de softwares SAP ao lado de outros colegas, todos dissidentes da IBM alemã. Atualmente, a SAP é a maior empresa produtora de softwares da Europa, o que possibilitou a Hopp construir fortuna estimada em cerca de US$ 1 bi, segundo a lista de bilionários da Revista Forbes.

Sempre atuando por divisões regionais da Alemanha, aos poucos a equipe foi galgando espaços no futebol alemão, com acessos meteóricos a partir de 2000, onde disputava o equivalente a quarta divisão local. Na disputa pela segundona a partir de 2006/07, Hopp resolveu investir alto em jovens promissores do futebol. Foi quando ele gastou cerca de 8 milhões de euros para trazer o promissor meia Carlos Eduardo, então vice-campeão sul-americano com o Grêmio em 2007, além dos atacantes africanos Demba Ba e Chinedu Obasi (medalha de prata em Pequim com a Nigéria) e do goleiro Ramazan Özcan (terceiro goleiro da Áustria na Euro 2008), pilares da boa campanha na temporada passada, quando o Hoffe ficou na segunda colocação da 2.Bundesliga. Aportando na Bundesliga, proporcionou jogos com muitos gols, como no fantástico revés de 5-4 sofrido frente ao Werder Bremen – onde chegou a estar vencendo por 4-3 – e na goleada contra o Dortmund por 4-1, mostrando a vocação ofensiva da jovem equipe, com média de idade de apenas 24 anos. Além dos destaques que levaram o Hoffe ao acesso, o atacante bósnio Vedad Ibisevic (ex-Alemannia Aachen) é a grande vedete da equipe até aqui, contribuindo com sete dos 16 gols marcados, o que o coloca como um dos artilheiros do campeonato até a sétima rodada, onde o time figura no segundo posto, com 13 pontos e apenas duas derrotas.

Já o Hull City, fundado no início do século, sempre perambulou pelas divisões intermediárias da Inglaterra. Sua maior conquista antes do acesso à Premier League havia sido o título da terceira divisão inglesa em 1965/66. E a partir dos anos 80, os Tigers começaram a atravessar grave crise financeira, salvos pela intervenção do ex-diretor do Leeds, Adam Pearson, que ajudou a sanar as contas do clube e viu a equipe se reerguer aos poucos, a partir do fim da década de 90. Em cinco anos, o Hull ascendeu da terceira para a primeira divisão, ao vencer o playoff de acesso contra o Bristol City em 2007/08, após terminar em terceiro na fase de pontos corridos.

No entanto, mesmo com o êxtase de estar na Premier League, o clube fez contratações modestas. Ao contrário do Hoffenheim, o Hull optou por trazer jogadores rodados a preços “modestos”, quando tratamos de cifras na Europa. A contratação mais cara do clube – e dos seus 104 anos de fundação – foi a do zagueiro inglês Anthony Gardner (ex-Portsmouth, 3.200.000 €). Maior destaque da equipe até aqui, o atacante brasileiro Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona, Benfica e Manchester City) veio sem custos para os Tigers. Mesmo assim, vem corrspondendo à aposta do clube, com a artilharia da equipe (três gols, dois deles nas duas últimas rodadas). Além do brasileiro, destaque para o goleiro galês Boaz Myhill, que está no clube desde 2003 e é um dos responsáveis pela trajetória meteórica da equipe rumo à primeirona. É um time modesto e que ainda peca pela instabilidade e falta de equilíbrio entre defesa e ataque, já que mesmo na terceira colocação com 14 pontos, possui saldo de gols negativo (10GP e 11GC). Mesmo assim, já colocou as manguinhas de fora ao bater Arsenal e Tottenham fora de seus domínios e só perdendo uma partida em sete disputadas – goleado em casa pelo Wigan por 5-0

Além da excelente fase, ambos desfrutam de audaciosos projetos de estádios. Enquanto o Hull City atua no KC Stadium, com capacidade para 25 mil torcedores e inaugurado em 2002, o Hoffenheim está construindo uma arena com capacidade para 30 mil torcedores em Heidelberg, prevista para janeiro de 2009. O “velho” Dietmar-Hopp Stadion, construído em 1999, não atende às exigências da Bundesliga, já que possui apenas 5000 lugares. Atualmente, a equipe manda suas partidas em Mannheim, no Carl-Benz Stadion, de 26 mil lugares.

Analisando as chances dos novatos, o time do Hull é bem modesto e não deve fazer papel relevante no Inglês em um futuro próximo. A manutenção na Premier League já seria uma vitória, mesmo contando com um time mais experiente, porém limitado tecnicamente. Já o Hoffenheim, com maiores investimentos na base jovem, pode inspirar-se em seu vizinho Karlsruher – do mesmo estado alemão de Baden-Württemberg, ao sul da Alemanha – que fez uma razoável campanha no mesmo ano de sua promoção à Bundesliga, em 2007/08, quando passou longe da zona de rebaixamento e chegou a sonhar com uma vaga na Copa UEFA. Em campeonatos onde o abismo entre grandes e pequenos é enorme, não é curioso deixar de pensar o incômodo que esses nanicos estão trazendo. Pelo menos, provisoriamente.





Déjà vu nos Spurs

29 09 2008
É pré-temporada no futebol inglês. Manchester e Liverpool gastam boa quantia em reforços de peso, o Chelsea põe o pé no freio e o Arsenal investe na juventude. Querendo se afirmar de vez na transição entre o pelotão intermediário e a elite que briga por vaga na Champions League, está o Tottenham. De boa campanha na temporada passada, a equipe gastou boa quantia em promissores reforços. Após seis rodadas, o até então promissor time de White Heart Lane se vê na zona de rebaixamento e com grandes dúvidas sobre a permanência de seu técnico para o prosseguimento da temporada. Esse cenário, baseado na situação do ex-técnico da equipe em 2007/08, Martin Jol, parece se repetir na cabeça do torcedor nesta temporada. Mas desta vez, com o promissor e competente Juande Ramos, após outra derrota na Premier League por 2-0 ante o Portsmouth.

Para esta temporada, foram investidos vultuosos 88.200.000 € até aqui. Contratações promissoras de bons destaques da temporada passada como a de Roman Pavlyuchenko (Spartak Moscou, 17.400.000 €), Vedran Corluka (Manchester City, 13.800.000 €), Luka Modric (21.000.000 €, Dínamo Zagreb), David Bentley (Blackburn Rovers, 22.000.000 €) e Gomes (PSV, 8.000.000 €) pareciam precisas para melhorar a campanha de recuperação após a demissão de Jol em outubro de 2007, decorridas dez rodadas da Premier League 2007/08. Apesar do modesto 11º lugar na última temporada, Ramos ajudou os Spurs a conquistarem a Copa da Liga Inglesa, primeiro título de expressão após nove anos em jejum.Simplesmente, a equipe não consegue encaixar um padrão de jogo e tudo conspira para o erro da equipe. Boa parte dessa má fase vêm da perda de sua eficiente dupla de ataque, já que Robbie Keane foi para o Liverpool e Berbatov, ao Manchester United. A orfandade dos ex-atacantes é notória: os Spurs estão na lanterna da Premier League – dois pontos em seis jogos, sem uma vitória sequer – e possuem o pior ataque da competição até aqui, com apenas quatro tentos anotados.

Com a tendência de atuar apenas com um atacante, o recém-chegado russo Pavlyuchenko, Juande Ramos terá de quebrar a cabeça para fazer seus meias chegarem com mais agudez e eficiência à frente. O garoto Giovani dos Santos ainda tenta chamar a bola para si, mas não vive boas jornadas, assim como Aaron Lennon – constantemente convocado para o English Team – e o promossor Luka Modric, que fez boa Eurocopa mas ainda não se adaptou ao estilo de jogo do futebol inglês. As opções de ataque estão escassas – já que é difícil colocar Bent e Pavlyuchenko juntos, pois tratam-se de atletas-referência na frente – enquanto Giovani e Frazier ainda são jovens para segurar o rojão, apesar de toda a potencialidade do mexicano.

Em White Heart Lane, todos esperam que o Déjà vu não passe de uma infeliz coincidência e que a equipe possa render um futebol correspondente às suas expectativas. Ou a cabeça do até então aclamado Juande Ramos pode ter o mesmo destino do então promissor Marton Jol – o qual havia levado os Spurs a dois quintos lugares consecutivos da Premier League: a porta de saída.





A ponta do iceberg?

3 09 2008
No embalo da polêmica da surpreendente transferência estratosférica de Robinho para o Manchester City, um outro assunto é recorrente: Outro mecenas aporta na Inglaterra, o árabe Sulaiman Al Fahim. Seu sonho é fazer do City um dos seus “brinquedinhos” mais bem sucedidos, assim como Roman Abramovich faz com o Chelsea há mais de cinco temporadas. Através do grupo de investidores ADUG (Abu Dhabi United Group), Fahim promete atropelar a concorrência, prometendo mundos e fundos, chegando até mesmo a tencionar a contratação do maior ídolo do rival, Cristiano Ronaldo.

O processo de “crescimento” do Man City se iniciou na temporada passada com a aquisição de ações do clube pelo bilionário Thaksin Shinawatra, outro que queria notoriedade fora de seu país natal, a Tailândia. Investiu bom montante e viu a equipe vislumbrar uma vaga na Champions League desta temporada. Mas no fim, a irregularidade e inexperiência do elenco fez com que esse projeto meteórico caísse por terra. No entanto, essa nova injeção de capital pode trazer o clube para um projeto parecido com a aquisição do Chelsea. Abramovitch assumiu um time falido, de porte médio e longe da briga pelos principais títulos. Seguidos investimentos puseram o Chelsea no foco do futebol europeu, mesmo não tendo conquistado nenhuma Champions League. Os Blues bateram na trave quatro vezes (três semis e uma final), porém Abramovitch ainda não desistiu de sua meta. Com os Citizens, o processo promete se repetir. A aquisição de Robinho por 40 milhões de euros parece só o começo para que a equipe seja um “novo paraíso azul” e seduza os principais jogadores com seu quase inesgotável capital árabe, colocando a equipe na rota dos principais times da Inglaterra, inicialmente. Os incrédulos dirão: quem quer jogar no Manchester City? E quem queria jogar no Chelsea há seis anos atrás? Ou nos campeonatos de futebol do mundo árabe, que seduzem cada vez mais jogadores mais famosos e não tão acabados para o futebol?

Após muitos times da Premier League terem quebrado devido a bolha financeira ocorrida na década de 90 (que acometeria o Leeds United mais adiante), os times passaram a operar na bolsa de valores, atitude essa que atraiu muitos investidores estrangeiros de olho no potencial do futebol inglês. A aquisição de Chelsea, Manchester United, Arsenal, Tottenham, Liverpool, Portsmouth, Aston Villa e agora o City por mauricinhos aficcionados por futebol ou por grandes grupos de investimento mostrou isso. Como citou David Conn, em sua coluna no site do Guardian, os times parecem cada vez mais se exibir mostrando quem tem o dono mais rico ou mesmo quem traz o jogador mais badalado.

Não estou aqui defendendo o modelo de administração do Chelsea ou de qualquer outro clube que tenha o poder concentrado nas mãos daquele que assina os cheques, fórmula essa que comprovadamente traz enormes prejuízos financeiros ao clube, que aumenta suas despesas desproporcionalmente a renda recebida por conta de maior exposição na televisão, venda de produtos oficiais e de atletas. Essa elevada aquisição e seus planos a curto prazo poderá levar o futebol inglês a inflacionar ainda mais o mercado europeu, elevando os preços pagos pelo atletas atualmente, além da estrutura que o acompanha. Mas é inevitável não pensar que a rivalidade entre City e United poderá deixar de ser uma briga Davi-Golias para ser um embate de clubes cada vez mais semelhantes – pelo menos no tocante ao poderio financeiro e de suas origens e destinos.





De pedra a vidraça

1 09 2008
De algoz a vítima. O Real Madrid experimenta a condição de ser o “marido traído” de uma novela que circula diariamente nos sensacionalistas tablóides espanhóis e ingleses: a possível transferência de Robinho ao Chelsea. Logo o Real, que forçou ao extremo a transferência de Cristiano Ronaldo e iria usar o próprio Robinho como moeda de troca. Se a diretoria merengue pregou tanto a tal liberdade para jogar onde quiser – inclusive apoiados pelas declarações infelizes de Joseph Blatter, presidente da FIFA – porque não se sensibilizar com o caso do brasileiro, o qual ainda está longe do bom futebol dos tempos de Santos e alguns momentos de Seleção Brasileira, visivelmente irritado com sua situação em Madrid?

O Real Madrid vê a janela de transferências se fechar nessa segunda-feira após acumular fracassos nas contratações de Santi Cazorla e David Villa (recentemente campeões europeus pela Espanha), além de Ronaldo, a menina dos olhos de Schuster e da diretoria. E uma eventual saída de Robinho enfraqueceria ainda mais o elenco, que trouxe apenas o meia holandês Rafael Van der Vaart para esta temporada. Mas vale a pena deixar um jogador visivelmente insatisfeito no elenco merengue – inclusive com críticas veementes de alguns de seus companheiros, como Robben?

Apesar de seu empresário Wagner Ribeiro – que tem grande parte nesse desejo de Robinho deixar Madrid rumo à Londres, assim como já o fez na época de Santos – o atacante brasileiro não deixa de ter suas razões. Relegado como moeda de troca e última opção, não há jogador que ficasse satisfeito, ainda mais com um empresário procurando clubes como Ribeiro sabe fazer bem. “Disse ao presidente, ao diretor esportivo e ao treinador que quero sair. Não vou me recusar a jogar, caso fique. Mas é responsabilidade de Schuster se ele quiser manter um jogador insatisfeito” disse o camisa dez merengue durante coletiva neste domingo (31/08), visivelmente chutando o balde com o impasse criado. O Chelsea está a espreita esperando a novela acabar, sem nada valoroso a perder. Segundo Robinho, ele até ficaria “um ano sem jogar” mostrando a sua insatisfação. Claro que ele não fará tamanha estupidez, tanto porque minaria seu espaço na Seleção e iria colidir com os interesses do Real, que investiu nele e lhe paga rigorosamente em dia.

Já a diretoria do clube mandou o atacante pagar a multa de cerca de 150 milhões de euros, algo impossível de se acontecer. Mas anteriormente, no caso da malfadada transferência de Ronaldo, o Real sequer cogitou essa possibilidade da rescisão unilateral. Como diz a cantora Pitty em sua canção “Teto de Vidro”: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra…” E sabemos que o teto merengue não é feito de vidro, mas sim de cristal…





Premier League 2008/09: Pés-no-chão e entrosamento

15 08 2008
Felipão é a grande aposta do Chelsea para quebrar a hegemonia do Manchester United

O bicampeonato conquistado pelo Manchester United coroou uma temporada marcada pelo equilíbrio das equipes tradicionais e o abismo entre o resto das equipes. Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool gastaram cifras estratosféricas e não viram suas vagas na Champions League serem ameaçadas – apesar de esporádicas incursões de Man City e Everton na zona de classificação. Já a briga pela vaga na Copa UEFA e pelo rebaixamento foi mais emocionante, tamanha era a semelhança e a qualidade técnica da maioria dessas equipes. Para esse ano, o script parece ser o mesmo, apesar da política de contratações das equipes ter diminuído drasticamente, tanto em quantidade, quanto em qualidade. A maior movimentação no mercado da bola foi a contratação de Felipão para o comando técnico do Chelsea. A volúpia das equipes durante a janela de transferências é menor e a maioria das equipes mudou pouco em relação a base da temporada passada.

Na parte vermelha de Manchester, nenhuma contratação até aqui. Apesar de ter uma base excelente – demonstrada dentro de campo com a dobradinha de títulos Premier League/Champions League – é inegável que a equipe precisa melhorar o seu elenco para continuar dominando a Europa. A importante a manutenção de Cristiano Ronaldo – alvo de forte assédio do Real Madrid – pode ser considerada o maior reforço dos Red Devils até aqui. No entanto, a especulação é forte sobre Dmitar Berbatov, do Tottenham, que cairia como uma luva, pois a equipe de Sir Alex Ferguson não tem um “fazedor de gols” de ofício, apesar da marcante ofensividade do tridente Tevez-Rooney-Ronaldo. A defesa também necessita de peças para compor o elenco, já que Ferdinand e Vidic não tem reservas à altura. Bons laterais também seriam bem-vindos em Old Trafford. Mesmo com essas arestas, o Man United ainda tem uma pontinha de favoritismo em 2008/09.

Marcados pelo quase em 2007/08, o Chelsea parece elaborar um efetivo projeto ambicioso para um velho sonho: a conquista da Europa. Roman Abramovitch não hesitou em trazer aos Blues a filosofia vencedora de Felipão. “Big Phil” promete reeditar a família Scolari na terra da rainha e para isso, trouxe dois atletas de sua confiança, ambos oriundos da seleção lusitana: Deco (enxotado do Barcelona) e Bosingwa prometem turbinar o time, que ainda ganhou o reforço da renovação de contrato de Frank Lampard, o maestro da equipe. Apesar das fortes investidas em Kaká e Robinho – este último ainda pode vir – Felipão promete investir em peças do elenco que não são primordialmente titulares, como Shevchenko e Wright-Philips, por exemplo. E todos sabem que para um campeonato longo, é importante ter um elenco forte e equilibrado, como o Chelsea possui.

Apesar da boa campanha, onde perseguiu o Manchester United por boa parte da Liga passada, o Arsenal pecou pela falta de opções e experiência de seu jovem elenco. Para essa temporada, Arsène Wenger – com a política pés no chão dos Gunners – continuará apostando mais ainda na molecada. Isso porque o elenco sofreu a baixa de um trio de jogadores experientes: Flamini (Milan), Gilberto Silva (Panathinaikos) e Hleb (Milan), além da saída de Lehmann, veterano goleiro desgastado e em má fase. Além do aumento da responsabilidade da dupla Fabregas/Adebayor em conduzir as ações ofensivas do time, Wenger aposta suas fichas na maturação do jovem Samir Nasri, 21, contratado junto ao Marseille. O meio-campista é mais um da linha “substituto de Zidane”, mas é convocado regularmente pela seleção francesa e precisava atuar em um clube maior e em uma liga de maior competitividade para mostrar o seu real valor. Podemos ver o Arsenal lançar mais uma linha de jovens promissores como os espanhóis Carlos Vela e Fran Mérida, além da gradual volta de Eduardo da Silva, contundido gravemente na temporada passada. Lá atrás, com um Almunia que não inspira muita confiança, sobrará para o capitão Gallas a tarefa de segurar o rojão na defesa. E se os Gunners não abrirem o olho, esta promete ser uma árdua e longa temporada.

Em Liverpool, Rafa Benítez não tem todo o prestígio de outrora. Ainda assim, a manutenção da base – que demorou a engrenar e reagiu tarde no campeonato passado – é um dos trunfos do elenco. A principal contratação dos Reds é o irlandês Robbie Keane, o qual promete dar mais opções de ataque ao time, cujo ataque conta com o brigador Kuyt e o goleador Fernando Torres – principal jogador do Liverpool na temporada passada ao lado de Gerrard. Outros jogadores vieram para dar opções ao elenco de Benítez, entre eles os laterais Andrea Dossena e Phillip Degen, além do promissor arqueiro brasileiro Diego Cavalieri. Resta saber se o Liverpool pode mostrar tudo o que joga desde o início, além da capacidade de demonstrar ser um time mais constante, algo que lhe faltou na temporada passada.

Entre os médios, destaque para o Tottenham de Juande Ramos. Vencedor da Copa da Liga Inglesa 2007/08, Ramos acena fazer o mesmo tipo de trabalho feito em Sevilla no White Heart Lane, ao trazer jovens promissores e efetivos ao invés de caros jogadores world-class. A aposta nos meias Luka Modric – um dos destaques da Croácia na última Euro – e Giovani dos Santos mostra que o leque de opções faz o torcedor sonhar com uma vaga na Champions, já que a base que reagiu no último campeonato foi quase mantida. Quase, porque o Tottenham pode estar prestes a perder sua ótima dupla de ataque, já que Robbie Keane foi para o Liverpool, enquanto Berbatov sofre forte assédio do Man United. Se a perda de Berbatov se concretizar, os Spurs terão de sair rapidamente às compras. O Portsmouth – campeão da Copa da Inglaterra – quer se firmar de vez no pelotão intermediário. A contratação do grandalhão Crouch promete turbinar o ataque Pompey. Apesar da perda importante do meia Muntari (Inter), o Portsmouth conta com figurinhas tarimbadas do quilate de Campbell e James, além de possuir um elenco de jogadores bons, como Niko Kranjcar. E Harry Redknapp é bom técnico para trabalhar um elenco com essas características. Outras equipes do porte de Aston Villa, Everton, Blackburn, Newcastle e Man City – do brasileiro Jô – fizeram contratações modestas e prometem rechear o meião da tabela.

O Bolton tenta sair do limbo ao contratar Johan Elmander, bom atacante sueco trazido junto ao Toulouse, para apagar a péssima temporada passada, quando quase caiu para a segundona mesmo tendo um elenco digno de disputar vagas na Copa UEFA. Já os recém-promovidos Hull City, Stoke City e West Bromwich adotaram a mesma política de equipes como o Fulham, Sunderland, Wigan e Middlesbrough: a contratação de “refugos”, jogadores bem rodados no futebol europeu. Com isso, as chances de uma campanha pífia como a do Derby County, último colocado em 2007/08 (11 pontos, 20GP e 89GC em 38 partidas) são grandes.

Os investimentos mais modestos e a movimentação menor no mercado mostram a política exagerada de gastos ocorrida em 2007/08. E além da técnica a chave para vencer a Premier League será o entrosamento. Mesmo sem contratações bombásticas, o Campeonato Inglês ainda continua sendo o melhor campeonato europeu, na minha visão. E talvez, com a diminuição dos gastos, o abismo entre as quatro forças e as outras 16 equipes diminua um pouco e deixe a competição ainda melhor