Sí, se puede/Sí, es pot

28 05 2009
Barcelona conquista a Champions e mostra que é possível aliar jogo bonito e bons resultados no futebol atual.

Uma atuação impecável diante de um Manchester United apático, que se tornou presa fácil para o futebol bonito do Barcelona. Quem acompanhou a partida no Estádio Olímpico de Roma pode testemunhar a vitória do futebol bem jogado, em sua plenitude. Mesmo com todas as dificuldades em armar a defesa em meio aos desfalques por contusão e suspensão, Guardiola não alterou a forma exuberante de seu time jogar, ao contrário do que fez Ferguson. O domínio do meio-campo por parte do Barcelona, que tem como uma de suas principais armas a posse de bola, permitiu aos catalães dominarem a partida quase que por completo. A liberdade dada para Xavi e Iniesta foi decisiva, já que cada um deu uma assistência para gol.

Além da ousadia de Pep Guardiola em montar um Barcelona desse quilate em sua temporada de estréia como técnico, o Barcelona entrou em campo nesta final com sete jogadores formados em suas canteras: Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi, além do próprio Guardiola. Ao contrário do que fazem os rivais do Real Madrid, que gastam fortunas em jogadores badalados em seu projeto “Galático”. E pra quem acha que o sangue novo na comissão técnica não fez a diferença, pouco dos jogadores contratados em 2008/09 fizeram parte da base da equipe, como Dani Alves, Keita e Piqué e a “limpa” nos medalhões do elenco das últimas temporadas como Ronaldinho, Deco, Zambrotta e Edmilson. Praticamente aboliu as tediosas concentrações pré-jogo e fez com que os jogadores passassem mais tempo juntos durantes os treinamentos, o que solidificou o grupo. Jogadores que estavam cotados para sair, como Henry e Eto’o recuperaram a alegria de jogar e formaram o fantástico ataque dos 153 gols, ao lado de Messi.

Ao conquistar o título mais cobiçado dos clubes europeus, o Barcelona dá uma lição de que não é preciso armar uma equipe com três volantes ou três atacantes para que ela seja defensiva ou ofensiva, mas que é preciso adaptar as preferências táticas dos treinadores com a montagem do elenco e explorar da melhor forma as características individuais dos jogadores à disposição. E justiça seja feita, apesar de entrar com a formação errada nesta final, Ferguson também desenvolve com muita eficiência tais preceitos. E jogando bem, sempre objetivamente.

Com a “Tríplice Coroa” conquistada pelo Barcelona, os blaugranas se ratificam como o time a ser batido – a vitória na final quebrou uma sequência de 25 jogos sem derrotas na Champions dos Red Devils. E outro jogador coroa uma temporada fantástica, a exemplo do Cristiano Ronaldo em 2007/08e Kaká em 2006/07: Lionel Messi, 38 gols na temporada a artilheiro desta Championscom nove gols. Além da volta do bom futebol do decisivo Eto’o – que também fez um dos gols da decisão em 2005/06 contra o Arsenal – e Henry, menções honrosas para Iniesta, decisivo contra o Chelsea, e Xavi, eleito o melhor em campo na decisão com grande justiça. Base do meio campo da Fúria, vivem grande momento técnico. Do meio pra frente, o Barcelona é quase perfeito. E provou que é possível vencer jogando bem e principalmente com aplicação tática e a entrega dos jogadores em campo. Sim, se pode! Em português, espanhol, catalão…





Comigo ninguém pode

21 05 2009
Alusão a conquista do 17º scudetto da Inter: Comandados por Ibrahimovic, os interistas passearam rumo ao tetracampeonato.

Na reta final das ligas européias, a manutenção da hegemonia deu o tom das comemorações. O tricampeão Manchester United nem fez força para empatar com o jovem Arsenal e fazer a festa, enquanto a Inter comemorou o tetracampeonato ainda na concentração, graças ao tropeço providencial do arqui-rival Milan frente a Udinese no sábado. Tetra como a Inter, o Porto já havia assegurado o caneco na semana passada com duas rodadas de antecedência, na vitória contra o Nacional da Ilha da Madeira. Em três dos seis campeonatos nacionais mais destacados da Europa – o Lyon não tem mais chances de ser octacampeão na França, o Barcelona quebrou a hegemonia do Real Madrid e o Bayern tem que torcer por um tropeço do Wolfsburg, além de vencer o difícil compromisso contra o Stuttgart para ser bicampeão alemão – manutenção da hegemonia, títulos antecipados e conquistados sem maiores problemas.

A Inter passeou durante todo o Calcio e praticamente não foi ameaçada. As irregularidades de equipes concorrentes Milan e Juventus facilitaram a conquista do scudetto, que mais uma vez ameniza a dor de uma péssima jornada de Champions League. Campeão da Champions e do Português pelo Porto e Inglês pelo Chelsea, José Mourinho estreou no Calcio e atestou sua sina de técnico campeão com o título, preservando a base construída por Mancini nas últimas temporadas. Porém, deu chances para o surgimento de bons jogadores pratas-da-casa nerazzurri nesta temporada como o lateral Davide Santon e o bom, porém intempestivo, Mário Balotelli, que se firmou como parceiro de ataque de Ibrahimovic principalmente após a metade da temporada. Temporadas espetaculares de Ibrahimovic – novamente principal jogador do time e vice-artilheiro do Calcio com 22 gols, até aqui – e do goleiro Júlio César, mescladas a regularidade de atletas como Cambiasso, Zanetti, Córdoba e Vieira deram a cara do 17º scudetto interista, o que faz os rivais de Milão empatarem no segundo posto do número de conquistas da Série A, italiana, com 10 conquistas a menos que a Juventus. E o tetracampeonato marca uma hegemonia que não se via em campos italianos desde o pentacampeonato do Torino, conquistado entre 1942 e 1949.

O Manchester United não teve a vida tão fácil quanto a da Inter, sem adversários diretos em 2008/09. Sofrendo com o excesso de jogos – principalmente à época do Mundial de Clubes da FIFA, o qual venceu – os Red Devils não abriam vantagem confrtável, até pelo fato de terem jogos a menos em relação aos rivais Liverpool e Chelsea e terminaram o primeiro turno apenas no terceiro posto. Após uma sequência de 11 vitórias consecutivas e mesmo com jogos a menos, os comandados de Ferguson assumiram a liderança da qual não saíram mais. Liderança essa que foi incomodada na goleada contra o rival direto Liverpool por 4-1 e na derrota na partida posterior por 2-0 frente ao Fulham na 30ª rodada. De lá pra cá, mais uma série de vitórias consecutivas – desta vez, sete – e o título garantido com uma rodada de antecedência no empate sem gols contra o Arsenal. Como a Inter, Alex Ferguson manteve a base vitoriosa da equipe, que contou com a valiosa aquisição de Berbatov, a qual aumentou ainda mais a gama de opções ofensivas da equipe. O surgimento, mesmo tímido, de valores da base como Welbeck, Evans, Rafael da Silva e Macheda mostra que o futuro reserva ao United bons frutos.

Mesmo sem ter emplacado um campeonato brilhante como em 2007/08, Cristiano Ronaldo teve bons momentos e está na briga pela artilharia da Premier League, com 18 tentos. Destaques para a regularidade Van der Sar, a boa zaga Vidic-Ferdinand, o veterano Giggs, as entradas e gols pontuais de Tevez. E superando Ronaldo, Rooney foi o grande diferencial do time nesta temporada. Atacante objetivo e muito dedicado no auxílio à marcação, colaborou com 12 gols, sete assistências e muita regularidade nos jogos. Além da campanha incontestável, o tricampeonato deu ao Manchester United o posto de maior campeão inglês ao lado do Liverpool, com 18 conquistas e o recorde de ser a única equipe a se sagrar duas vezes tricampeã inglesa em toda a história – a primeira foi entre 1999 e 2001. De quebra, Ferguson e Giggs – remanescentes da década de 80 quando o Manchester United amargou um período de 26 anos sem vencer o campeonato inglês, quebrado em 1992/93 – comemoraram seu 11º título nacional.

Coletividade foi a marca do tetracampeonato do Porto. Mesmo não tendo o artilheiro da Liga 2008/09 – até o momento, a marca é de Nenê do Nacional, com 19 tentos – cinco atletas foram responsáveis por marcarem 41 dos 59 gols dos Dragões até aqui: Lisandro López (10), Ernesto Farias (9), Givanildo Hulk e Lucho González (8), além de Cristián Rodríguez (6) mostram que o diferencial do Porto para a conquista foi a versatilidade de sua linha ofensiva. Além da importante participação dos citados, jogadores como o zagueiro Bruno Alves e o operário volante/meia Raúl Meirelles formaram a base campeã, comandadas pelo técnico Jesualdo Ferreira. Apesar de ainda estar distante da hegemonia de títulos benfiquista em Portugal – 31 contra 24 – o Porto ostenta uma impressionante marca de crescimento na Liga lusitana dos últimos anos: a conquista de 11 das últimas 15 edições da Liga.

A hegemonia de Manchester United, Inter e Porto vem recheada de números impressionantes, o que atesta a ampla superioridade em relação aos rivais. Que ainda precisarão abrir bem os olhos para não assistirem tais cenas de festa se repetindo em 2009/10.





English Champions League

15 03 2009
Após os resultados dos confrontos válidos pelas oitavas de final da Champions League, algo fica incontestável: a supremacia inglesa na mais importante competição entre clubes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, todos os clubes ingleses que iniciaram a fase de grupos chegam vivos até as quartas-de-final. Novamente, 50% da Champions é dos ingleses. Nos confrontos com os campeões das principais ligas rivais à Premier League, eliminação relativamente fácil.
Nos confrontos contra o bicampeão espanhol Real Madrid, o Liverpool não encontrou maiores dificuldades. A maior tradição do Real – nove títulos contra cinco dos Reds – não foi suficiente frente a equipe comandada por Rafa Benítez, uma especialista nos confrontos eliminatórios nesta década. E o Real Madrid amargou a quinta eliminação consecutiva na fase de oitavas, mostrando um futebol apático, mesmo com a melhora de produção da equipe na liga espanhola após a chegada de Juande Ramos. Já a tricampeã Inter de José Mourinho sucumbiu facilmente diante do atual campeão Manchester United. Mesmo sem um largo placar agregado no confronto (2-0), o Manchester mostrou grande superioridade frente aos interistas. Na primeira partida disputada no Giuseppe Meazza, os Red Devils só não saíram com a vitória graças a brilhante atuação do goleiro Júlio César. Em Old Trafford, a Inter tentou segurar o ímpeto dos ingleses entrando apenas com um atacante, apostando no embate entre meio-campistas para equiparar o encontro. No entanto, o ímpeto do United foi avassalador e a Inter só não saiu goleada graças a Júlio César, novamente.

O equilíbrio entre Chelsea e Juventus foi grande nas duas partidas. E mesmo com Guus Hiddink iniciando agora seu trabalho nos Blues, conseguiu levar o confronto nos detalhes. O mais frágil e que atravessa fase mais delicada entre os ingleses nesse momento, o Arsenal, ainda conseguiu arrancar uma dramática classificação nos pênaltis. Mas desfalcado de seu principal jogador – Fabregas volta aos campos em abril – e com a má fase de Adebayor, os jovens do Arsenal torcem pela sorte nas bolinhas para enfrentarem um adversário mais frágil – neste caso, Porto ou Villarreal – para seguir em frente. Com a classificação dos quatro ingleses, os ingleses atestam sua supremacia nas quartas-de-final pelo terceiro ano consecutivo: foram três clubes em 2006/07 e os quatro que iniciaram a competição em 2007/08 e 2008/09, contrastando com o único inglês presente em 2005/06 – o Arsenal, derrotado na final contra o Barcelona.Aliás, penso que o Barcelona é o único time capaz de enfrentar a força dos ingleses de igual para igual. Apesar de não ser uma equipe equilibrada como um Manchester United, o Barça joga o futebol mais vistoso entre os europeus, com o tridente Messi-Henry-Eto’o em grande fase e com diversas opções de meio campo, como Xavi, Keita, Yaya Touré, Iniesta, Hleb e Busquets. Mas a defesa é o ponto falho dos catalães – a segunda mais vazada entre os oito finalistas, com nove gols -, que ainda possuem no gol um inconstante Victor Valdés. O Bayern é outro que se apresenta um baita pedregulho aos ingleses. Melhor ataque entre os sobreviventes – 24 gols, 12 nos últimos dois jogos – o tridente Ribéry-Toni-Klose é o ponto forte da equipe. Mas se confrontar os ingleses, os bávaros estarão diante do primeiro adversário mais qualificado nesta Champions, já que o caminho do Bayern até aqui na competição foi tranquilo.

Enquanto isso, na Itália…

Os clubes italianos não conseguiram classificar nenhum representante para esta fase desta Champions. O mau desempenho dos clubes italianos nesta fase piora gradualmente: três representantes em 2005/06, dois em 2006/07 e apenas um em 2007/08. O enfraquecimento dos clubes locais – apesar do título do Milan em 2006/07 com contribuição decisiva e brilhante de Kaká – aconteceu após o escândalo do Calciocaos que explodiu no futebol italiano, em 2006. Tanto é que na Copa UEFA, há apenas um representante italiano nas oitavas – a Udinese, que venceu o primeiro confronto contra o atual campeão Zenit por 2-0 -, já que Fiorentina, Milan e Sampdoria foram eliminados no início do mata-mata da competição (por Ajax, Werder Bremen e Metalist/UCR, respectivamente). O fortalecimento da Inter e o enfraquecimento dos outros grandes – ao menos, por ora – contribuíram para a queda do nível técnico do Calcio. E fora da Itália, a Inter vem colecionando diversas decepções quando falamos em Champions, mesmo com bons times.

A chance de pelo menos dois ingleses nas semifinais é enorme, dependendo do sorteio dos confrontos que será realizado no próximo dia 20 de março. E conforme a dança das bolinhas, a chance de uma segunda final inglesa consecutiva na Champions aumenta consideralvelmente.





Paredões

27 02 2009
Júlio César faz mais uma defesa no jogo contra o Manchester United: o arqueiro vive grande fase e firma-se como um dos melhores do mundo em sua posição.

Se a Inter ainda aspira chances para passar à próxima fase da Champions League, o responsável direto é o goleiro Júlio César. Ratificando a sua excelente fase na Inter de Mourinho e no Brasil de Dunga, o arqueiro defendeu pelo menos três bolas dificílimas diante do Manchester United, nesta terça-feira.

Se no Calcio a Inter consegue se impor – mesmo não atuando bem em algumas oportunidades -, na Champions a equipe parece, por vezes, se apequenar diante da responsabilidade de conquistar um título que não vê há mais de 30 anos. Jogando no San Siro, a equipe nerazzurri foi mera espectadora ao ver os Red Devils com amplo domínio da partida, com um Cristiano Ronaldo criando e definindo jogadas perigosas até com alguma liberdade. Mas o quarteto ofensivo dos mancunianos parou em Júlio César, que assegura seu nome como um dos principais goleiros da atualidade, ao lado da Casillas e Van der Sar. Prestes a completar 30 anos, Júlio César parece chegar ao auge de sua carreira e caminha firme para ser o titular da baliza brasileira na Copa do Mundo de 2010. Com todos os méritos, é um dos “intocáveis” na equipe de Dunga.

Do outro lado, estava o veterano Van der Sar, que pouco foi incomodado na partida apesar do aumento nas ações da Inter no segundo tempo. Prestes a bater o recorde europeu de minutos sem ter a meta vazada, o holandês não é do tipo espalhafatoso. Como na partida desta terça onde novamente foi auxiliado pela fortíssima defesa do United – a menos vazada da Champions e da Premier League -, seguramente a melhor da Europa. Não teve necessidade de fazer defesas difíceis, mas é peça importante quando os zagueiros do Manchester não previnem os ataques adversários, como pôde ser visto na final do último Mundial da FIFA, frente a LDU. O que difere Van der Sar de Júlio César é que o brasileiro vem sendo muito mais exigido, e por conseqüência, acaba se destacando mais. Mas trata-se de dois dos mais técnicos goleiros da atualidade e que podem decidir a segunda parte do confronto daqui a duas semanas, em Old Trafford.





Reflexos da crise

8 02 2009
Os efeitos da crise mundial também tiveram reflexos no rico futebol da Europa. O fechamento da janela de transferências de inverno mostrou cifras modestas em relação ao início da temporada, onde as dez maiores transferências não saíram por menos de 20 milhões de euros. Já nessa última janela de negociações, apenas duas transferências atingiram a casa de 20 milhões – Lassana Diarra e Klaas-Jan Huntelaar, ambos contratados pelo Real Madrid. Alguns grandes optaram pelos empréstimo sem desembolsar grandes cifras de bons jogadores, como fez o Chelsea com Quaresma e o Milan com Beckham.Além da perda de boa parte da receita das finanças dos donos de clube, como Abramovitch, alguns clubes da rica Premier League sofreram com desfalques nas finanças: o Manchester United não renovará o patrocínio de camisa com os americanos da AIG em 2010 – seguradora que está recebendo ajuda governamental por conta da crise – no valor de 15 milhões de euros por ano e o West Ham perdeu o patrocínio da XL Holidays no valor de seis milhões de euros, passando quase quatro meses sem patrocínio de camisa. Assinou com a asiática Sbobet, especializadas em apostas, por metade do patrocínio anterior. O Manchester United se abalou pouco por ter uma das marcas mais valiosas no futebol enquanto os Hammers tiveram que se desfazer de seu principal jogador, o galês Craig Bellamy, vendido ao City por 15 milhoões de euros. Além disso, o seu proprietário, o islandês Bjorgolfur Gudmundsson, colocou a equipe a venda, já que a Islândia foi um dos principais países afetados pela crise econômica, por se tratar de um país majoritariamente composto por bancos. Gudmundsson – um dos donos do Landisbank – perdeu muito capital e viu o banco em que invetia ações falir e colocou os Hammers à venda apenas dois anos depois de sua aquisição para minimizar os prejuízos.

Ainda com todo o cenário contrário, Tottenham e Manchester City investiram massivamente em reforços, já que ambos haviam investido muito no início da temporada, mas viveram às voltas com a zona de rebaixamento desta Premier League. Dos dez reforços mais caros do mercado de inverno, seis pertencem a dupla e oito são ingleses (os outros dois foram o Arsenal, com Arshavin e o West Ham, com Nsereko). Os Spurs desenbolsaram vultuosos 47 milhões de euros – repatriou Defoe e Robbie Keane e comprou o hondurenho Wilson Palacios junto ao Wigan – e o City trouxe Bellamy, Nigel de Jong, Given e Bridge, que custaram a bagatela de 57 milhões de euros, pouco mais da metade do valor que os Citizens ofereceram ao milanista Kaká para trocar a Itália pela Inglaterra, no que seria a maior transferência da história do futebol. Porém, o brasileiro não se seduziu com os dólares árabes do dono do City e ficou no Milan.

Recentemente, as cotas da Premier League foram renovadas por mais três temporadas. A inglesa BSkyB (cinco pacotes, 115 jogos) e a irlandesa Setanta (um pacote, 23 jogos) fecharam as exclusividades de transmitir a principal liga nacional da Europa por 2,04 bilhões de euros, valor pouco maior que a cota anterior, de 1,94 bilhões de euros. Além dos bilhões das TVdesse montante, a BBC inglesa garantiu sua parte da cota – que dá direito ao principal jogo da rodada, mais o resumo das outras partidas – por 188 milhões de euros. No entanto,a euforia pelo aumento das cifras foi podada devido a desvalorzação da libra esterlina – moeda corrente na Inglaterra – frente ao Euro, fato esse que freou algumas negociações e fará com que o aumento real na parcela repassada aos clubes – 56% do total somado ao respectivo desempenho dos clubes na liga – seja bem menor do que o esperado.

Mesmo com algumas limitações e extravagâncias, a crise pode evitar o estouro de uma nova “bolha financeira”, como a que acometeu o futebol europeu no início desta década, a qual teve no Leeds United sua vítima mais conhecida. Após chegar às semifinais da Champions League em 2000/01 contra o Valencia, os Whites quebraram devido aos altos investimentos no elenco – de nomes como Robbie Keane, Robinson, Alan Smith e Rio Ferdinand – e em apenas seis anos sairam dos holofotes europeus rumo à terceira divisão inglesa.

As dez maiores transferências da janela de inverno na Europa (segundo o site Transfermarkt):

Klaas-Jan Huntelaar – Ajax para o Real Madrid, 20.000.000 €

Lassana Diarra – Portsmouth para o Real Madrid, 20.000.000 €
Nigel de Jong – Hamburg para o Manchester City, 19.500.000 €
Robbie Keane – Liverpool para Tottenham Hotspur, 16.700.000 €
Andrey Arshavin – Zenit para o Arsenal, 16.500.000 €
Jermain Defoe – Porsmouth para o Tottenham Hotspur, 16.400.000 €
Craig Bellamy – West Ham para oManchester City, 15.500.000 €
Wilson Palacios – Wigan para o Tottenham Hotspur, 15.000.000 €
Wayne Bridge – Chelsea para o Manchester City, 13.000.000 €
Savio Nsereko – Brescia para o West Ham, 11.000.000 €




O Mundo é vermelho

23 12 2008
Manchester United comemora tríplice coroa: campeão inglês, europeu e neste último domingo, mundial.

O Manchester United encerra o ano de 2008 com mais um título, o Mundial de Clubes da FIFA. Nada mais justo para um time que é o atual campeão inglês e da Europa e que aperfeiçoou suas pontos fracos em relação a temporada 2006/07, época em que foi batido nas semi-finais da Champions pelo Milan de Kaká.

A LDU mostrou brio mas sucumbiu diante de uma equipe bem postada em campo e que sempre buscou o gol, mesmo quando ficou com um homem a menos, por conta da expulsão de Vidic no início do segundo tempo. Ferguson montou um elenco onde há opções em todos os setores e mesmo com um badalado Cristiano Ronaldo, é um time compacto e coeso, sem vaidades e sem atuar apenas em função do português.Os 38 anos não impedem Van der Sar de fazer grandes apresentações e salvar os Red Devils, como nas grandes defesas em chutes do meia Manso, da LDU. Além da boa defesa de Ferdinand e Vidic, a evolução dos laterais Evra e Rafael (que cada vez mais vai se firmando como boa opção na ala direita) é notória e benéfica. Não há elenco de tanta qualidade no futebol atual quando tratamos das opções de meia e de frente. Carrick, Scholes, Hargreaves, Anderson, Park, Fletcher, Nani, Giggs, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov. A maioria deles não deixa a peteca cair e os que são mais limitados tecnicamente quando entram, não compromete e correspondem. Atualmente, só o Barcelona se equipara ao United no quesito saída de bola e transição ao ataque. A regularidade na rotação de jogadores e o equilíbrio entre defesa e ataque são os grandes trunfos da equipe comandanda por Ferguson.

Muitos acharam que o Manchester iria ao Japão para passear e não levar a sério o Mundial da FIFA. Mas a exemplo de 2007 – quando o Milan bateu com justiça o Boca – o Manchester mostrou profissionalismo e jogou como campeão diante dos equatorianos, bombardeados a todo momento com jogadas de Ronaldo e Rooney. O atacante inglês, eleito o melhor em campo, ratificou sua excelente fase com a artilharia da competição assim como o português, que aos poucos vai voltando a forma que o consagrou na primeira metade de 2008 e que possivelmente lhe dará o título de melhor atleta do ano pela FIFA. A dobradinha Rooney/Ronaldo agora tem a missão de levar o United na caça à liderança da Premier League, onde teve um começo irregular e atualmente é o quarto colocado, com três jogos a menos que seus principais concorrentes, Liverpool e Chelsea. Na Champions, enfrentará a perigosa, porém irregular Inter, de José Mourinho.

Mesmo com torcida e imprensa da Europa não dando tanto valor ao título conquistado neste domingo, o Manchester United fecha o ano de forma impecável. Ratificou sua condição de melhor time do mundo e com o melhor jogador do mundo defendendo suas cores.





Ferguson descobre o Brasil

1 12 2008
Que jogador brasileiro é sinônimo de diferencialidade – algo a mais que a pura dedicação tática da maioria dos europeus – é fato. Mesmo assim, o futebol inglês nunca foi um grande utilizador da mão-de-obra dos atletas tupiniquins como Itália, Espanha e Portugal, por exemplo. Mas a história está mudando gradualmente. Nunca a Premier League foi tão brasileira, contando em 2008/09 com 20 atletas (22 se consideramos os naturalizados Deco e Eduardo da Silva) mais o técnico Felipão. Antes dessa verdadeira legião, poucos foram os brasileiros que fizeram sucesso na terra da rainha, como Mirandinha (ex-Palmeiras) na década de 80 pelo Newcastle e Juninho (ex-São Paulo), que teve fagulhas de futebol no Middlesbrough.

Clubes como o Manchester United só contaram com brasileiros recentemente. O primeiro foi Kléberson, ainda embalado pela excelente Copa do Mundo conquistada na Ásia. Em 2003, o volante paranaense teve bom começo no time de Sir Alex Ferguson, mas depois caiu no ostracismo e só reapareceu no Flamengo, neste Brasileirão. Depois do fracasso de Kléberson, Ferguson demorou a utilizar novamente um brasileiro nos Red Devils. O meia Anderson, adquirido junto ao Porto em 2007/08, foi prontamente adaptado ao elenco por Ferguson, chegando a atuar como uma espécie de segundo volante, dando qualidade à saída de bola da equipe nas vezes em que era utilizado. Com isso, o brasileiro ganhou espaço na Seleção de Dunga – fez parte do elenco campeão da Copa América 2007 e do bronze olímpico em Pequim 2008 – e teve sua contribuição na dobradinha na conquista da Premier League e da Champions League na temporada passada.

Inspirados no exemplo de Anderson, outros três brasileiros novatos desembarcaram em Old Trafford: o meia Rodrigo Possebon, 19, e os gêmeos e laterais Fábio e Rafael da Silva, 18. “Apalavrados” desde 2007 em negociação com o Fluminense, os gêmeos só puderam ter sua contratação oficializada em julho deste ano, por conta dos irmãos terem menos de dezoito anos à época. Fábio havia se destacado mais que Rafael na campanha irregular do Brasil no Mundial Sub-17, disputado na Coréia do Sul em 2007, onde a Seleção foi precocemente eliminada nas oitavas por Gana.

Mas a instabilidade na lateral-direita do United, que ora utiliza os improvisados Brown e O’Shea, ora utiliza um Gary Neville de futebol muito limitado devido as recentes contusões, fez com que Rafael fosse sendo inserido gradualmente no time. Com isso, Ferguson vai lançando-o aos poucos na equipe principal. E o lateral vai agradando o chefe. “O garoto é atrevido e tem um grande talento. É um menino corajoso para jogar, sem medo de arriscar as jogadas. Ele tem a famosa mentalidade brasileira do “me dê a bola, quero jogar”, e toda vez que pegamos a bola, ele pede, se apresenta para jogar. É um grande atributo para um jogador jovem” afirmou Ferguson ao GloboEsporte.com, após a boa atuação na derrota do Manchester United para o Arsenal por 2-1, onde o lateral entrou com personalidade e marcou o gol de honra.

Mesmo com apenas 18 anos, Rafael mostra personalidade e bom futebol. Com dificuldades na parte de marcação – como é de praxe na maioria dos alas de qualidade formados no futebol brasileiro – ele vem se aperfeiçoando e ganhando mais espaço na equipe. A prova foi a titularidade no clássico disputado neste domingo frente ao Manchester City, outra legião brasileira em Manchester. Mesmo com o arisco Robinho caindo pelo seu setor, o lateral mostrou bom futebol, apoiou e ainda marcou Robinho em seu campo de defesa, ajudando o United a bater o City por 1-0. Um prodígio para o futuro surge na direita, que atualmente já tem bons nomes como Maicon, Daniel Alves e Rafinha.

Atento, o Manchster United já possui dois olheiros no Brasil em busca de novos Andersons e Rafaéis. Prova disso foi a última investida dos ingleses a respeito da possbilidade de contratação do meia Douglas Costa, revelação precoce do Grêmio. Enquanto isso, o escocês já começa a lapidar um futuro talento, tanto para o Manchester, quanto para a Seleção.

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Tudo como começou

28 11 2008
Cristiano Ronaldo tenta marcar novamente contra o Villarreal: o português esteve em campo nas quatro partidas sem gol contra os espanhóis.
Muitas vezes, um jogo que termina em zero a zero normalmente não remete a uma partida interessante, principalmente quando as duas equipes não primam pelo poder ofensivo ou pecam pela pela ineficácia dele. Não é o caso de Manchester United e Villarreal, onde o empate em zero a zero em partida válida pelo Grupo E selou a quarta partida entre ambos pela Champions League que terminaram com o mesmo placar. Pouco mais de 360 minutos de futebol e nada de bola na rede, mesmo com muitas oportunidades de gol, dentre elas uma bola na trave de Ronaldo e uma bola tirada em cima da linha por Capdevilla, nesta última partida.

Quando caíram no mesmo grupo em 2005/06, o Submarino Amarillo era apenas debutante na Champions. O empate diante do “poderoso” Manchester United em sua estréia na fase de grupos foi considerado um bom resultado, mesmo jogando no El Madrigal com um jogador a mais, já que Rooney havia sido expulso. Na partida de volta, a penúltima daquele Grupo D, o empate em Old Trafford foi preponderante para a eliminação precoce do elenco dos Red Devils da fase mata-mata naquela competição, já que na partida derradeira foram derrotados por 2-1 pelo Benfica. Jogadores do porte de Van der Sar, Ferdinand, Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy e Rooney acabaram por não conseguir ao menos uma vaga de consolação na Copa UEFA. Em contrapartida, a “zebra” Villarreal conseguiu a classificação no primeiro posto do grupo, em um elenco que contava com nomes do peso de Riquelme, Sorín, Forlán, Gonzalo Rodriguez e Marcos Senna. Aquele time surpreendente quase chegou à final, só parando no pênalti perdido por Riquelme diante do Arsenal nas semi-finais, após ter eliminado Rangers e Inter na fase mata-mata.

Em 2008/09, o Villarreal entrou na Champions como uma equipe mais consolidada, apesar de não ser nenhum grande favorito a levar a taça. Atual vice-campeão espanhol, o time do técnico Manuel Pellegrini – que comandou a equipe nos quatro confrontos, assim como Ferguson pelo Manchester – conseguiu montar uma equipe bem mesclada, com nomes de experiência como Pires, Senna, Edmílson e Rodriguez a juventude de Rossi, Fernández e Eguren. Mesmo com um Villarreal melhor e um Manchester já consolidado pelo conjunto atual campeão europeu, conhecido pelo futebol ofensivo, o jogo novamente não saiu do zero. No mesmo Madrigal onde os dois se enfrentaram pela primeira vez em 2005, mas desta vez com o Villarreal perdendo Capdevilla por expulsão, com Cristiano Ronaldo agudo e Diego López pegando tudo. E mesmo com os esmpates, as duas equipes avançam a próxima fase, com muita tranquilidade.

O futebol não é uma ciência exata, evidenciado no confronto de ambos nas outras três partidas deste Grupo E, onde o Villarreal marcou nove gols e o Manchester United, sete. Além do fato do Villarreal ter tomado os cinco gols que sofreu na competição diante do surpreendente Aalborg, que está bem próximo de desbancar o Celtic na briga pela vaga na Copa UEFA. No décimo jogo do Villarreal como mandante na Champions, a equipe amarela não conheceu a derrota: cinco vitórias e cinco empates. Os Red Devils somam 18 partidas consecutivas sem derrota na competição européia, desde a derrota para o Milan nas semi-finais de 2006/07 no San Siro. Duas boas equipes e marcadoras de gols terminam mais um jogo em 0-0. Dá pra entender?





A hora do patrício

30 10 2008
Cristiano Ronaldo e Messi: na briga pela coroa de melhor do mundo.

Fim de ano, e as discussões para a eleição de melhor jogador do Mundo ficam mais acirradas. Na eleição da FIFPro (a associação mundial de atletas profissionais) deu Cristiano Ronaldo, com certa vantagem. Celebridades como Kaká e Alex Ferguson – o grande responsável pela lapidação e evolução do português – apostam nele como o merecedor do prêmio. “Ele vai ganhar os dois prêmios[Bola de Ouro e Melhor do Mundo FIFA], tenho certeza. Se ele não ganhar, quero comprar o jogador que vencer”, afirmou Sir Ferguson à France Football.

Muitos ainda têm aquela imagem equivocada do camisa sete apenas como um jogador marrento e pouco objetivo. Entretanto, sua evolução nas últimas duas temporadas foi notória. Em 2006/07, iniciou sua jornada como um jogador muito mais objetivo e letal. A “brincadeira” de Ferguson, que apostou com Ronaldo que este deveria atingir a marca de 15 gols naquela temporada deu resultados. Ele fez melhor na campanha do título inglês e das semi-finais da Champions: foram 23 gols na temporada (17 pela Premier League e três pela UCL). Mas mesmo a boa campanha não foi suficiente para que o português batesse Kaká na eleição de 2007, pois o brasileiro foi simplesmente impecável, levando o limitado time do Milan ao título europeu daquela temporada, com grande parcela de contribuição do camisa 22. Quando foi exigido, nos jogos decisivos contra o Milan, o português simplesmente se escondeu do jogo. Aliás, essa é uma crítica muito feita a ele ainda nos dias de hoje, a falta do poder de decisão em momentos capitais.

Mas na campanha impecável do Manchester United de 2007/08, Cristiano Ronaldo foi a figura principal na conquista do bicampeonato inglês e da hegemonia européia. Jogos memoráveis – inclusive o gol e o belo duelo com Lampard na finalíssima em Moscou – culminaram com a artilharia das duas competições mais importantes disputadas pelos Red Devils (31 gols na Premier League e oito pela Champions), o que o credencia como o principal – e na minha visão, favorito – postulante a Bola de Ouro e ao prêmio da FIFA. “Creio que fiz mais do que qualquer outro para consegui-la. Se avaliar o que fiz na última temporada, acredito que eu mereço mais do que ninguém”, cravou Ronaldo, fazendo um lobby com a imprensa européia.

Novamente, Lionel Messi pinta como um dos melhores futebolistas do mundo. Um dos pilares da conquista da medalha de ouro olímpica pela Argentina, ainda falta a Messi cumprir uma temporada inteira regularmente, sem as contusões que vez ou outra o acometem. A fraca temporada do Barcelona também não lhe favoreceu. Mas desta vez, promovido como a maior estrela do Barcelona após a saída de Ronaldinho, o novo camisa dez do Barça começa a temporada sendo um dos expoentes da renovação da equipe catalã. E, com certeza, tem tudo para abocanhar o prêmio em um futuro muito próximo.

Outro excelente jogador da atualidade que necessita de um grande título para cravar seu nome como um dos melhores atacantes da Europa é o sueco Zlatan Ibrahimović, principal atleta do último Calcio que coroou o tricampeonato inteirista. Força e muita técnica garantem ao sueco o posto como um dos principais atacantes da atualidade, ao lado de jogadores como os ascendentes Emmanuel Adebayor (Arsenal) e “Kun” Agüero (Atlético de Madrid); os atuais campeões europeus Fernando Torres (Liverpool) e David Villa (Valencia); além da liderança e precisão dos ingleses Lampard (principal peça do Chelsea em 2007/08), Gerrard e Terry, que cada vez se firma como o melhor zagueiro do mundo na atualidade, já que esteve presente nas quatro seleções eleitas pela FIFPro.

A decepção fica por conta da indicação de poucos brasileiros para o prêmio. Só Kaká – que passou um bom tempo de molho neste ano – é o representante tupiniquim. Para alguns, a pouca representatividade é um dos sinais da “entressafra” pela qual passa o futebol brasileiro, já que o surgimento de bons jogadores parece ter sido inibida em 2008, ao menos por enquanto.

Os 23 indicados pela FIFA:

Adebayor (Arsenal)
Aguero (Atlético de Madrid)
Arshavin (Zenit)
Ballack(Chelsea)
Buffon (Juventus)
Casillas (Real Madrid)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Deco (Chelsea)
Drogba (Chelsea)
Eto’o (Barcelona)
Fábregas (Arsenal)
Fernando Torres (Liverpool)
Gerrard (Liverpool)
Ibrahimovic (Internazionale)
Iniesta (Barcelona)
Kaká (Milan)
Lampard (Chelsea)
Messi (Barcelona)
Ribéry (Bayern de Munique)
Terry (Chelsea)
Van Nistelrooy (Real Madrid)
David Villa (Valencia)
Xavi (Barcelona)
Seleção eleita pela FIFPro: Casillas; Sérgio Ramos, Terry, Ferdinand e Puyol; Gerrard, Xavi e Kaká; Messi, Fernando Torres e Cristiano Ronaldo.