A verdade está lá fora

30 04 2009
O sucesso da excelente equipe do Barcelona será posto à prova na semana que vem. Domingo, é dia de El Clásico, frente aos rivais do Real Madrid. A vantagem sobre os merengues – que chegou a ser de doze pontos – atualmente é de apenas quatro, restando cinco rodadas para o final. E curiosamente, desde a derrota no primeiro turno para o próprio Barcelona no Camp Nou por 2-0, na estréia de Juande Ramos, o Real não perde em La Liga. De lá pra cá foram 18 jogos e impressionantes 17 vitórias e apenas um empate. Os merengues têm a oportunidade de mudar de vez um campeonato que parecia garantido para os blaugranas, pois decide sua sorte no Santiago Bernabéu. Focado apenas no Espanhol, o Real Madrid quer o tricampeonato para salvar a temporada, que parecia perdida após os revés para o Liverpool nas oitavas da Champions.

Três dias após o decisivo clássico local, o Barcelona vai à Londres jogar seu destino na Champions League. Sabendo do ótimo momento de seu adversário na semifinal, Guus Hiddink praticamente abriu mão de atacar para segurar um precioso e perigoso 0-0 em pleno Camp Nou nesta terça, o qual vai obrigar o Chelsea a vencer na partida de volta para chegar à final, caso o Barcelona marque gols em Stamford Bridge. Em um campo mais acanhado e familiar, o Chelsea pode perfeitamente levar vantagem sobre os velozes e dinâmicos jogadores do Barcelona, que ainda terá como desfalques Puyol, suspenso, e Rafa Marques, contundido no menisco e fora do restante da temporada. Assim como o Real Madrid, o Chelsea também subiu de produção após trocar de técnico. Nas 16 partidas sob o comando de Hiddink, o Chelsea só perdeu para o Tottenham em março, fora de casa. Ganhou outras 11 partidas e empatou sete. Também nunca é demais lembrar que no mata-mata desta Champions League, os Blues deixaram para trás equipes do calibre de Juventus e Liverpool. E com chances remotas de título na Premier League, o Chelsea aposta todas as fichas no velho sonho de conquistar a Europa.

Time de futebol mais vistoso e ofensivo da Europa, as habilidades do Barcelona serão fortemente testadas. Na partida de hoje, apesar de pressionar, o eficiente ataque blaugrana -140 gols em 2008/09 – terá de ser mais eficiente em Londres, enquanto a defesa – 44 gols em 54 jogos – será mais exigida na partida de Madrid. Para os otimistas, uma derrota do Barcelona é coisa rara nesta temporada: apenas três em 54 partidas oficiais, sendo que a última delas aconteceu contra o Atlético de Madrid, em março, o que dá ao time catalão a atual marca de 13 partidas sem derrota. Então basta os comandados de Guardiola manterem a média, certo? É o que veremos semana que vem…





Ícones em extinção

20 02 2009
O gol 309 ratifica Raúl como o maior artilheiro da história do Real: marca que dificilmente será batida.

Toda equipe de grande porte possui uma era vitoriosa, marcante, inesquecível. Normalmente relacionadas a feitos do passado, numa era em que o futebol era mais romantizado, ofensivista e menos mercadológico. Naturalmente, os ídolos continuarão existindo, mas o ícone – o jogador que encarnava em campo o espírito do clube aliado a era vencedora – foi ficando cada vez mais raro com o passar das décadas. E nesse começo de século XXI, podemos estar testemunhando a extinção desse tipo de atleta, onde os últimos jogadores que carregam essa estirpe estão mais próximos do final de sua carreira como atletas de futebol.

Já imortalizado na história do Real Madrid, Raúl Gonzalez Blanco tem o estereótipo do ícone. Maior ídolo da equipe desde o hispano-argentino Alfredo Di Stéfano, na década de 60, Raúl representa a era de glórias contemporâneas da equipe merengue. Em quase 15 anos de carreira futebolística profissional – todos dedicados ao Real Madrid – o camisa sete conquistou seis Ligas Espanholas, três Champions League, quatro Supercopas da Espanha e dois campeonatos intercontinentais, além de inúmeros prêmios e marcas individuais: é o quinto atleta com mais jogos em La Liga (505) e o sexto maior artilheiro (216 gols, 35 atrás de Telmo Zarra, maior artilheiro da competição). É maior artilheiro de todos os tempos em competições européias (66 gols) e quebrou o recorde pertencente a Di Stéfano no último domingo, no doblete frente ao Sporting Gijón como o maior artilheiro do clube de todos os tempos, com 309 tentos (como mostra o infográfico do Diário Marca).

Curiosamente, o ídolo merengue é oriundo da categoria de base dos rivais do Atlético de Madrid, que perderam o prodígio jogador por conta de dificuldades financeiras. Debutou na equipe com apenas 17 anos e conforme foi se firmando como uma das principais peças, teve a difícil missão de substituir outro ídolo do Real com a tarja de capitão: o zagueiro Fernando Hierro. Aos 31 anos, nenhuma expulsão e histórico de poucas contusões graves, “Raúl Madrid” – como é carinhosamente chamado pelos torcedores – caminha firme para chegar mais perto de outras marcas de Di Stéfano, indubitavelmente o maior ídolo que envergou a camisa merengue. Jamais Raúl poderia ter sua técnica comparada a de Don Alfredo – apesar de se tratar de um bom jogador. No entanto, ao falarmos de Real Madrid, podemos equipará-los em importância histórica.

Jogadores como Raúl são cada vez mais raros em clubes e os poucos que existem, já beiram ou passaram dos trinta anos: Paolo Maldini, 40 anos – 25 deles dedicados exclusivamente ao Milan. Nunca nenhum outro atleta envergou tanto a camisa do Milan (mais de 1000 partidas) e defendeu a Azzurra numa Copa (2252 minutos, recorde absoluto); Javier Zanetti, 14 anos de serviços prestados a Inter; Francesco Totti e Alessandro Del Piero, sendo que Delpi – maior número de jogos e maior artilheiro com a camisa bianconera – ajudou a reerguer a Juve de uma das páginas mais negras de sua história: a queda para a Segunda Divisão italiana, por conta do escândalo do Calciocaos; Carles Puyol (Barcelona), Ryan Giggs (Manchester United) e Steven Gerrard (Liverpool), todos ícones recentes de fases vitoriosas de suas equipes. No Brasil, cada vez mais colônia no cenário clubístico, Marcos e Rogério Ceni – ambos goleiros – se adequam a um perfil que se é cada vez mais raro no exterior, certamente morrerá por aqui quando os dois não puderem mais envergar as camisas de Palmeiras e São Paulo.

O processo é irreversível. O futebol das cifras estratosféricas e dos mecenas que ambicionam montar esquadrões vai na contramão desse tipo de jogador, onde a identificação fala mais alto do que qualquer outra coisa. Por isso, temos que nos deleitar ao ver esses atletas continuarem quebrando marcas do passado. e do presente Aproveitar enquanto podemos ver ao vivo esses jogadores em ação. Porque essa próxima geração de craques que está se consolidando como grandes atletasno futebol contemporâneo – Cristiano Ronaldo, Messi, ou mesmo Kaká – dificilmente terão suas feições associadas a história um clube, tal qual ainda ocorre hoje em dia, como a dos exemplos citados acima.





Vendendo jornal

15 11 2008
A próxima janela de transferências européias se aproxima. Os clubes já vão arquitetando os primeiros movimentos para reforçar seus elencos para a outra metade da temporada 2008/09. Esse fato por si só já gera muita especulação, nomes ventilados e empresários a todo vapor buscando bons contratos aos seus pupilos. Agora, imagine a situação do Real Madrid, que perdeu Robinho ao fechar da última janela de transferências de julho para os petrodólares do Manchester City e esta semana ficou desfalcado de seu mais letal atacante: o holandês Ruud Van Nistelrooy sofreu uma grave contusão no menisco do joelho direito. A previsão é que Van Gol fique fora de combate por seis a nove meses, o que significa a perda da principal referência de ataque no time de Schüster. A perda dos dois avançados – de características totalmente distintas – certamente fará com que o Real Madrid tenha que sair com urgências às compras. E Real Madrid comprando significa uma enxurrada de especulações e nomes de atacantes das mais variadas nacionalidades pipocando na mídia. Uma festa para a imprensa especializada tanto de cá, quanto de lá.

No Brasil, já foram ventilados os nomes de Dentinho, Alex Mineiro e Guilherme, causando um rebuliço nos clubes brasileiros e em seus respectivos torcedores, por se tratarem de três referências em seus clubes atuais. Nas diretorias, nada confirmado e nem indícios de negociações em andamento. Na Espanha então, os nomes brotam às dúzias. Com o quê de sensacionalismo característico dos diários esportivos espanhóis, o site do Marca até elaborou uma lista de possíveis nomes a serem contratados para o comando de ataque merengue. Nela, prós e contras dos candidatos para o “vestibular” para a vaga no ataque madrilenho. Os argentinos e brasileiros estão em alta, como Diego Milito (atual artilheiro do Calcio pelo Genoa), Crespo (encostado na Inter), Zárate (Lazio), Ricardo Oliveira, Vágner Love, Nilmar. Nomes que fazem companhia a Mario Gomez (Stuttgart) e Andrey Arshavin (Zenit), além de um sonho antigo do Real, o atacante holandês Klaas-Jan Huntelaar – que diga-se de passagem, possui estilo semelhante ao de Nistelrooy.

Alheio a venda de jornais e aumento no número de acesso dos sites esportivos – como vimos na enxurrada de notícias sobre o caso Cristiano Ronaldo, por exemplo – é fato que o Real Madrid precisa urgentemente de reforços caso queira brigar pelo tricampeonato espanhol e voltar as glórias européias na Champions. Fora Raul, que mesmo sendo mais experiente sempre dá conta do recado e o argentino Gonzalo Higuaín em ótima fase – vide os quatro gols marcados na última partida de La Liga, contra o Málaga – Robben (bom jogador mas que vive no departamento médico) e um Saviola irregular com a camisa merengue, o Real vive momento em que a escassez de atacantes começa a comprometer o desempenho do time como um todo.

Outra especulação é que de Bernd Schüster está com a corda no pescoço no comando técnico do time. Mesmo estando a dois pontos do líder Barcelona e de não ter maiores problemas para alcançar a fase seguinte da Champions, o fraco desempenho defensivo da equipe – 16 gols em dez jogos, a sétima pior defesa do Espanhol – somada a eliminação precoce da Copa do Rey para os bascos do Real Unión, da terceirona espanhola, já trazem fortes questionamentos sobre a continuidade do alemão a frente da equipe. Ou seja: mais especulações em quem poderia ser o futuro técnico do Real Madrid podem bombar nas imprensa m breve. Porque lá é assim, espirrou, virou manchete.





Roda gigante

13 11 2008
Nada parece ser tão instantâneo quanto o futebol. Na busca incessante por resultados e títulos, dirigentes, treinadores e torcedores parecem descartar um histórico de bons serviços a um time em nome de uma crise momentânea. Os exemplos estão aí, aos montes.

A irregular campanha do Barcelona na temporada passada selou a saída de dois jogadores importantes em 2005/06, temporadas do último título europeu e do bicampeonato espanhol. Ronaldinho Gaúcho – que parece iniciar uma recuperação no Milan – e Deco, que Felipão rapidamente encaixou no esquema do Chelsea. Nesse mesmo momento, voltando de grave contusão e não jogando tudo o que podia, foi desvalorizado pelo próprio clube. Na “lista de dispensas” de Guardiola, Eto’o era nome certo para ser negociado. Inclusive, foi até noticiada uma possibilidade de negiociação para o Bunyodkor, do Uzbequistão. A equipe de Tashkent – dirigida pelo brasileiro Zico – chegou a fazer uma proposta milionária ao camaronês, mas acabou mesmo contratando o veterano Rivaldo, oriundo do AEK grego. Certamente, se aceitasse a tal proposta, Eto’o daria um tiro no pé, já que o camaronês tem somente 27 anos e muita bola pra jogar pela frente, no alto nível do futebol europeu.

Nenhuma proposta que interessasse ao Barcelona ou ao jogador chegou e Guardiola optou por deixá-lo no elenco, a contragosto inicialmente. E Eto’o começou a dar a volta por cima. Em um elenco recheado de boas opções de ataque, como Messi, Henry e Bojan, o camisa nove começou a jogar bem novamente. A artilharia da Liga Espanhola já é realidade, após impressionantes 13 gols em 10 jogos. Com mais de um terço dos gols marcados pelo Barcelona na Liga (foram 34 do Barça em 10 partidas), é um dos responsáveis pela boa fase blaugrana, conduzindo a equipe à liderança do Espanhol. Claro que o ótimo momento de Eto’o – o qual culminou nos quatro gols marcados diante do Valladolid, na última rodada – tem um grande colaborador: o argentino Lionel Messi, que vem marcando gols (quatro na Champions League e seis em La Liga) e também se consolidando como ótimo garçom. A maioria das jogadas de ataque saem dos pés do argentino, indubitavelmente, o principal jogador da equipe catalã até aqui.

Mas Eto’o parece estar voltando aos bons tempos. Antes da grave contusão, em 2006, chegou a ser eleito como o terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA, perdendo a disputa para Ronaldinho e Lampard. Trata-se de um centroavante moderno, que além da forte presença de área, é rápido, finaliza bem e ainda volta para buscar o jogo na meia, tabelando com os homens vindos de trás ou com seu parceiro de ataque. Na roda gigante do futebol, Eto’o começou a ver as coisas de cima, como um dos protagonistas que sempre foi jogando pelo Barcelona.





Juventude Blaugrana

25 10 2008
Puyol, Bojan e Busquets comemoram: na renovação do Barcelona, os pratas-da-casa tem papel importante no elenco de Guardiola.

 
O processo de reformulação do Barcelona está em curso após uma temporada irregular em 2007/08. A saída gradativa de peças importantes daquela importante conquista da Champions em 2005/06 como Giuly, Larsson, Ronaldinho, Deco e que culminou com a queda de Frank Rijkaard, o qual havia montado aquela equipe que encantou a Europa tanto pelo futebol objetivo e vistoso, quanto pelas belas jogadas proporcionadas por tantos jogadores com qualidade.

Conhecido historicamente por revelar bons jogadores em suas categorias de base, o Barcelona começa a inserí-los aos poucos em posições relevantes do elenco durante os jogos da atual temporada. A renovação já começa no banco, com a aposta Josep Guardiola no comando dos blaugranas. A primeira oportunidade como treinador vem justamente no clube que o revelou para o futebol e onde atuou por onze anos, sendo peça importante do Barça em sua época de atleta. As mudanças promovidas por Pep culminaram na utilização de muitos jogadores revelados pelo próprio Barcelona, durante este início de temporada. Na goleada desta quarta por 5-0 contra o Basel, em partida válida pelo Grupo C da Champions, todos os gols foram genuinamente “made in Barcelona”. Os já consagrados Messi e Xavi abriram e fecharam o placar, respectivamente. O ascendente Bojan Krkic – que vem se afirmando cada vez mais como uma boa opção no ataque catalão – marcou dois tentos, enquanto o recém-promovido meia Sergi Busquets, 20 anos, marcou seu primeiro gol como profissional. E Busquets é tão incrustado no Barcelona que seu pai, Carles Busquets, foi reserva de Zubizarreta na década de 90 e atualmente atua como treinador de goleiros da equipe principal do Barça.

Dos onze que entraram em campo no St. Jakob-Park, seis eram da cantera blaugrana: Valdez, Puyol, Xavi, Busquets, Bojan e Messi. No banco, mais dois representantes: Iniesta e o polivalente Victor Sánchez. Em 2008/09, após alguns desacertos em seu início, o Barcelona já figura como quarto colocado na Liga Espanhola, apenas três pontos atrás do invicto Valencia e lidera o Grupo C da Champions League com 100% de aproveitamento e muito perto de se classificar à próxima fase.

Além da “liderança” técnica de Lionel Messi, que cada vez mais se afirma como um dos grandes jogadores de futebol da atualidade, a esperança de que o Barcelona retome o rumo das grandes conquistas é grande. Além dos ex-cadetes já citados neste post, o elenco conta com excelentes nomes, como Dani Alves, Hleb, Yaya Touré, Keita, Márquez, Eto’o – que vai readquirindo a velha forma após grave contusão temporada passada – e Henry – que ainda não é o vigoroso jogador de sucesso no Arsenal, mas de potencial mais do que conhecido. E aos poucos, Pep Guardiola monta um elenco muito balanceado e de diversas opções, que promete brigar pelas cabeças. E com ajuda mais do que providencial da juventude genuinamente blaugrana.





Despertar Colchonero

23 09 2008
Atlético vence bem o PSV jogando em Eindhoven: Prenúncio de uma boa temporada para os colchoneros?
Que Real Madrid e Barcelona são as maiores potências clubísticas espanholas ninguém contesta. Nos últimos anos, porém, vemos uma alternância nas equipes que podem dar alguma dor de cabeça à supremacia protagonizada pela rivalidade madrilenha/catalã. Pelos resultados mais recentes, podemos colocar o Valencia como terceira força desta década. São duas Ligas espanholas (2001/02 e 2003/04), uma Copa do Rei (2007/08) e dois vice-campeonatos da Champions League (1999/00 e 2000/01). A queda recente na forma e nos títulos importantes dos Ches abriram brechas para outros postulantes, como o Villarreal (semifinalista da Champions 2004/05 e vice-campeão espanhol em 2007/08) e o Sevilla (bicampeão da Copa UEFA em 2005/06 e 2006/07). Enquanto isso, o tradicional Atlético de Madrid tentava ressurgir das cinzas para fazer parte novamente do pelotão de frente da Espanha. Castigado com o descenso em 1999/00 – combalidos pela formação de elencos medícores e a crise após a comprovação de atos de corrupção de seu presidente à época, Jesús Gil y Gil, o qual comandou o Atletí por 16 anos – o clube demoraria duas temporadas para se recuperar do Infierno, que é como os torcedores definem esse tempo de ostracismo do clube no futebol espanhol.
De volta à elite, o clube sempre sonhou pela volta ao protagonismo de La Liga – a qual conquistou pela última vez em 1995/96 – já que é o terceiro maior campeão, com nove ligas. Mas esbarrava na formação de elencos medíocres ou de times que deixavam a desejar, apesar de terem algum potencial. Prova disso é que mesmo com seu maior ídolo da história recente em campo – o avante Fernando Torres – não conseguiu fazer o time progredir após o seu retorno à 1ª divisão. E na temporada passada, El Niño bateu asas em direção às libras esterlinas do futebol inglês, onde o Liverpool pagou uma fortuna para levá-lo. Coincidentemente, foi quando a equipe colchonera deu sinais de crescimento. Liderados pelo regular Maxi Rodríguez e bem comandados pelo técnico mexicano Javier Aguirre, o Atletí conseguiu chegar longe: está na vitrine européia, com a conquista da vaga para a Champions 2008/09 em virtude da quarta colocação na última liga local. O grande destaque deste retorno ao maior campeonato de clubes do mundo teve um expoente: Sérgio “Kun” Agüero, a maior jóia argentina após o surgimento de Lionel Messi. Formando ataque infernal com outro goleador, Diego Forlán, o prodígio argentino contribuiu com 20 gols na última liga, enquanto seu parceiro uruguaio anotou 16 tentos.

No entanto, pairava uma dúvida. Seria o Atlético capaz de passar por prova tão difícil na classificatória da Champions, diante do bom time do Schalke 04? Não morreria na praia mais uma vez e deixaria pairar no ar mais uma temporada como mero coadjuvante? Ao que parece, não. As boas contratações colchoneras, como a aquisição dos zagueiros Ujfalusi e Heitinga; a vinda do volante brasileiro Paulo Assunção e do promissor meia Banega; a contratação dos franceses Coupet e de Sinama-Pongolle, revelação da última liga pelo modesto Recreativo Huelva, ao marcar dez gols – mostram que, se o elenco do Atlético não é o mais forte tecnicamente, talvez seja um dos mais equilibrados e versáteis do certame espanhol. As vitórias sonoras sobre Schalke e PSV pela Champions, além do bom futebol mostrado no começo de La Liga (apesar do vacilo contra o Valladolid) mostram que a equipe dará trabalho e, no mínimo, corre por fora na disputa do título espanhol, além de prometer boa figura na Champions League. Os oito gols na Champions somados aos nove na Liga Espanhola (17GP e 2GC em 6J) mostram que o time pode peitar os grandes de frente.

A zaga é versátil, com a utilização do grego Seitaridis ou do colombiano Perea pela direita e os avanços incisivos de Pernía pela ala esquerda. Além da boa colocação e técnica do tcheco Ujfalusi, o holandês Heitinga também pode atuar tanto na zaga, quanto na lateral, assim como Perea. O meio-campo é recheado de opções. Tanto as defensivas – como Paulo Assunção, Raúl Garcia e Banega – quanto as mais ofensivas – com Maniche, Maxi Rodrigues, Simão e Luís Garcia – dão a Aguirre um leque de opções para montar o time. Além da versatilidade e o poder de transição já destacadas, a dupla Agüero-Forlán é poderosa, com a opção do jovem Pongolle sempre na manga, sem perder a qualidade e a força na frente.

Talvez ainda seja cedo para afirmar uma temporada pretensiosa ao Atlético de Madrid. Mas a equipe colchonera possui, sim, boas condições de quebrar a hegemonia vigente na Espanha. Assim como fez em 1995/96, ano de sua última glória, onde figuravam jogadores como Caminero, Simeone e Kiko.





De pedra a vidraça

1 09 2008
De algoz a vítima. O Real Madrid experimenta a condição de ser o “marido traído” de uma novela que circula diariamente nos sensacionalistas tablóides espanhóis e ingleses: a possível transferência de Robinho ao Chelsea. Logo o Real, que forçou ao extremo a transferência de Cristiano Ronaldo e iria usar o próprio Robinho como moeda de troca. Se a diretoria merengue pregou tanto a tal liberdade para jogar onde quiser – inclusive apoiados pelas declarações infelizes de Joseph Blatter, presidente da FIFA – porque não se sensibilizar com o caso do brasileiro, o qual ainda está longe do bom futebol dos tempos de Santos e alguns momentos de Seleção Brasileira, visivelmente irritado com sua situação em Madrid?

O Real Madrid vê a janela de transferências se fechar nessa segunda-feira após acumular fracassos nas contratações de Santi Cazorla e David Villa (recentemente campeões europeus pela Espanha), além de Ronaldo, a menina dos olhos de Schuster e da diretoria. E uma eventual saída de Robinho enfraqueceria ainda mais o elenco, que trouxe apenas o meia holandês Rafael Van der Vaart para esta temporada. Mas vale a pena deixar um jogador visivelmente insatisfeito no elenco merengue – inclusive com críticas veementes de alguns de seus companheiros, como Robben?

Apesar de seu empresário Wagner Ribeiro – que tem grande parte nesse desejo de Robinho deixar Madrid rumo à Londres, assim como já o fez na época de Santos – o atacante brasileiro não deixa de ter suas razões. Relegado como moeda de troca e última opção, não há jogador que ficasse satisfeito, ainda mais com um empresário procurando clubes como Ribeiro sabe fazer bem. “Disse ao presidente, ao diretor esportivo e ao treinador que quero sair. Não vou me recusar a jogar, caso fique. Mas é responsabilidade de Schuster se ele quiser manter um jogador insatisfeito” disse o camisa dez merengue durante coletiva neste domingo (31/08), visivelmente chutando o balde com o impasse criado. O Chelsea está a espreita esperando a novela acabar, sem nada valoroso a perder. Segundo Robinho, ele até ficaria “um ano sem jogar” mostrando a sua insatisfação. Claro que ele não fará tamanha estupidez, tanto porque minaria seu espaço na Seleção e iria colidir com os interesses do Real, que investiu nele e lhe paga rigorosamente em dia.

Já a diretoria do clube mandou o atacante pagar a multa de cerca de 150 milhões de euros, algo impossível de se acontecer. Mas anteriormente, no caso da malfadada transferência de Ronaldo, o Real sequer cogitou essa possibilidade da rescisão unilateral. Como diz a cantora Pitty em sua canção “Teto de Vidro”: “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra…” E sabemos que o teto merengue não é feito de vidro, mas sim de cristal…





Orgulho basco?

1 08 2008
Para sair do vermelho, o Athletic de Bilbao resolveu estampar em sua camisa o primeiro patrocínio comercial em mais de 110 anos de história.
Quem acompanha o Opinião FC teve a oportunidade de ter lido um post no qual mencionava o orgulho basco, que tem no Athletic Bilbao uma de suas maiores representações. A curiosidade era a estréia na equipe principal de um jogador negro – o zagueiro/ala Jonás Ramalho – primeiro a envergar a camisa bilbaína em mais de cem anos de existência do clube. Para muitos, um avanço dos novos tempos de globalização, já que o jogador em questão era filho de angolanos e bascos. Porém, um euskadí (natural da região basca). Outros adeptos mais radicais, no entanto, questionavam se esse precedente não seria o início de uma mudança profunda no clube que à época também estava discutindo a inclusão de um jogador catalão entre os cadetes da equipe.
(Imagens: site oficial do Athletic, 31/07)

Essa semana, a diretoria bilbaína anunciou outra decisão que acirrou ainda mais a questão do “orgulho basco”. O anúncio do patrocínio de equipamentos com a Petronor (Petróleo do Norte S.A), a maior refinaria de petróleo da Espanha (11 milhões de toneladas de petróleo/ano), localizada nos arredores da província basca de Vizcaya. Apesar de ser uma petrolífera de origem basca, a maioria de suas ações (85%) estão sob controle dos espanhóis da YPF Repsol, uma das dez maiores petrolíferas privadas do mundo. O restante das ações são da BBK, uma financeira basca. Pelo patrocínio, a Petronor pagará seis milhões de euros em três anos, mais eventuais bonificações sobre o desempenho do Athletic nas temporadas, com possíveis classificações para competições de porte europeu.

O aumento do fôlego financeiro dará chances para que o técnico Joaquin Caparrós tenha mais tranqüilidade para manter a base da equipe – 11ª na última Liga – continuando o trabalho de mesclagem da experiência de jogadores como o capitão Etxeberría (31 anos) e Fran Yeste (28 anos) às revelações da tradicional cantera de Lezama como o meia Susaeta, 21 anos.

Alheia a polêmica, a diretoria da equipe não tinha outra saída para colocar as finanças em dia. Nas últimas temporadas, a diretoria não conseguia montar equipes competitivas e por vezes, esteve seriamente ameaçada de cair, algo inédito nos 110 anos de existência da equipe bilbaína. E a dor de ver a “bandeira basca” estampada com o logo da Petronor parece menor para o torcedor do que ver a equipe reforçada com algum estrangeiro ou mesmo na segunda divisão espanhola.

Assim como acontece na Catalunha com o Barcelona, o Athletic é um dos expoentes que representa o anseio de um povo que deseja ser reconhecido como autônomo e unitário perante o mundo.

LEIA TAMBÉM:

Novos tempos para o Athletic
O mal menor para o Athletic
, de Ubiratan Leal (Trivela)