Faltou ele

16 12 2008
Que as listas e prêmios da FIFA – de qualquer natureza – causam inúmeras discussões e polêmicas entre o mundo da bola, isso é visível. As listas do ranking da FIFA de seleções sempre causam polêmica, quase sempre pela visão “europeizada” da entidade. A eleição de melhor atleta do ano causa o mesmo tipo de impacto e sempre se tem a impressão de que alguém está sendo injustiçado.
Como já expus aqui no blog sobre o prêmio, Cristiano Ronaldo merece ser eleito o melhor do mundo. Os êxitos do Manchester na temporada passada tiveram como principal protagonista o português, que em grande forma anotou 42 gols nas principais competições de 2007/08. No entanto, a contusão nesta última pré-temporada e o posterior retorno irregular aliadas a má campanha de Portugal na Eurocopa são os argumentos para que os defensores dos outros postulantes ao prêmio não simpatizem com a escolha de Ronaldo, grande favorito ao título em 2008.

Claro que a eleição deve premiar a regularidade e a produtividade dos atletas. Como o Barcelona em 2007/08, Messi não foi regular, mas teve lampejos de bom futebol. Mas em 2008/09, Messi – assim como o Barça – vem comendo a bola e encantando a todos. Candidato a principal protagonista na Copa de 2010, na minha visão, Messi pode não ter sido o melhor e mais constante em 2008, mas com certeza ele “está” melhor do mundo. É um grande trunfo para o futuro e, em breve, deve abocanhar a alcunha de melhor do mundo de forma incontestável.

Fora o nome em comum de Messi e Cristiano Ronaldo, os outros nomes causam discódia e muitas discussões. Os eleitos pela FIFA para concorrer aos citados neste post – Xavi, Torres e Kaká- têm suas qualidades, mas acho que só o volante/meia do Barcelona é regular e eficiente neste ano para figurar nessa lista. Trata-se de um dos principais jogadores dos blaugranas há tempos e jogou muita bola na Eurocopa, onde foi o melhor jogador na conquista da Espanha. Já as escolhas de Torres e Kaká parecem mais média do que mérito. Torres fez uma boa primeira temporada de adaptação ao futebol inglês e teve sua cota de participação no êxito espanhol na Euro, mas não foi acima da média. Tal qual como Kaká, que ao contrário do ano passado, quando comeu a bola e ganhou o prêmio de forma incontestável, ele ficou abaixo da média em 2008, tanto por conta da contusão que o acometeu, quanto pelo fracasso com o Milan, onde o time rossoneri não foi capaz nem de se classificar para a Champions League desta temporada.

Por tudo isso, faltou Ibrahimovic na lista dos cinco (anteriormente, eram só três). Principal jogador da Inter desde que se adaptou à equipe (transferido da Juventus por conta do escândalo que levou a equipe à segunda divisão), o sueco teve grande contribuição nos últimos scudetos conquistados dentro de campo pelos nerazzurri. De futebol sempre regular, alia a força física a habilidade e oportunismo, algo semelhante a Henry nos bons tempos de Arsenal. Referência no time de José Mourinho, a equipe sempre recorre a ele quando tem de decidir. E quase sempre o sueco correponde. Na vitória deste domingo sobre o Chievo – onde a Inter complicou o jogo ao permitir o empate depois de estar na frente por 2-0 – Ibra mostrou mais uma vez que não foge da raia: marcou os dois gols que deram a vitória a Inter, mostrando muita presença de área no gol de desempate, marcado de cabeça, e no quarto gol, quando acertou uma bomba na meta do goleiro Sorrentino.

Ao fazer média com Kaká ou Torres, a FIFA deixa um jogador como Ibrahimovic de fora de uma lista de melhores atletas do mundo. Apenas por conta de nome ou estritamente dos resultados dos times/seleções dentro de campo. Em um prêmio como esse, a individualidade deve prevalecer sobre a coletividade. E, individualmente, Ibrahimovic já se destaca no futebol há algum tempo.

RELEMBRE:
Zagueiro de Ouro, Cannavaro (2006)
Incontestável, Kaká (2007)





A hora do patrício

30 10 2008
Cristiano Ronaldo e Messi: na briga pela coroa de melhor do mundo.

Fim de ano, e as discussões para a eleição de melhor jogador do Mundo ficam mais acirradas. Na eleição da FIFPro (a associação mundial de atletas profissionais) deu Cristiano Ronaldo, com certa vantagem. Celebridades como Kaká e Alex Ferguson – o grande responsável pela lapidação e evolução do português – apostam nele como o merecedor do prêmio. “Ele vai ganhar os dois prêmios[Bola de Ouro e Melhor do Mundo FIFA], tenho certeza. Se ele não ganhar, quero comprar o jogador que vencer”, afirmou Sir Ferguson à France Football.

Muitos ainda têm aquela imagem equivocada do camisa sete apenas como um jogador marrento e pouco objetivo. Entretanto, sua evolução nas últimas duas temporadas foi notória. Em 2006/07, iniciou sua jornada como um jogador muito mais objetivo e letal. A “brincadeira” de Ferguson, que apostou com Ronaldo que este deveria atingir a marca de 15 gols naquela temporada deu resultados. Ele fez melhor na campanha do título inglês e das semi-finais da Champions: foram 23 gols na temporada (17 pela Premier League e três pela UCL). Mas mesmo a boa campanha não foi suficiente para que o português batesse Kaká na eleição de 2007, pois o brasileiro foi simplesmente impecável, levando o limitado time do Milan ao título europeu daquela temporada, com grande parcela de contribuição do camisa 22. Quando foi exigido, nos jogos decisivos contra o Milan, o português simplesmente se escondeu do jogo. Aliás, essa é uma crítica muito feita a ele ainda nos dias de hoje, a falta do poder de decisão em momentos capitais.

Mas na campanha impecável do Manchester United de 2007/08, Cristiano Ronaldo foi a figura principal na conquista do bicampeonato inglês e da hegemonia européia. Jogos memoráveis – inclusive o gol e o belo duelo com Lampard na finalíssima em Moscou – culminaram com a artilharia das duas competições mais importantes disputadas pelos Red Devils (31 gols na Premier League e oito pela Champions), o que o credencia como o principal – e na minha visão, favorito – postulante a Bola de Ouro e ao prêmio da FIFA. “Creio que fiz mais do que qualquer outro para consegui-la. Se avaliar o que fiz na última temporada, acredito que eu mereço mais do que ninguém”, cravou Ronaldo, fazendo um lobby com a imprensa européia.

Novamente, Lionel Messi pinta como um dos melhores futebolistas do mundo. Um dos pilares da conquista da medalha de ouro olímpica pela Argentina, ainda falta a Messi cumprir uma temporada inteira regularmente, sem as contusões que vez ou outra o acometem. A fraca temporada do Barcelona também não lhe favoreceu. Mas desta vez, promovido como a maior estrela do Barcelona após a saída de Ronaldinho, o novo camisa dez do Barça começa a temporada sendo um dos expoentes da renovação da equipe catalã. E, com certeza, tem tudo para abocanhar o prêmio em um futuro muito próximo.

Outro excelente jogador da atualidade que necessita de um grande título para cravar seu nome como um dos melhores atacantes da Europa é o sueco Zlatan Ibrahimović, principal atleta do último Calcio que coroou o tricampeonato inteirista. Força e muita técnica garantem ao sueco o posto como um dos principais atacantes da atualidade, ao lado de jogadores como os ascendentes Emmanuel Adebayor (Arsenal) e “Kun” Agüero (Atlético de Madrid); os atuais campeões europeus Fernando Torres (Liverpool) e David Villa (Valencia); além da liderança e precisão dos ingleses Lampard (principal peça do Chelsea em 2007/08), Gerrard e Terry, que cada vez se firma como o melhor zagueiro do mundo na atualidade, já que esteve presente nas quatro seleções eleitas pela FIFPro.

A decepção fica por conta da indicação de poucos brasileiros para o prêmio. Só Kaká – que passou um bom tempo de molho neste ano – é o representante tupiniquim. Para alguns, a pouca representatividade é um dos sinais da “entressafra” pela qual passa o futebol brasileiro, já que o surgimento de bons jogadores parece ter sido inibida em 2008, ao menos por enquanto.

Os 23 indicados pela FIFA:

Adebayor (Arsenal)
Aguero (Atlético de Madrid)
Arshavin (Zenit)
Ballack(Chelsea)
Buffon (Juventus)
Casillas (Real Madrid)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Deco (Chelsea)
Drogba (Chelsea)
Eto’o (Barcelona)
Fábregas (Arsenal)
Fernando Torres (Liverpool)
Gerrard (Liverpool)
Ibrahimovic (Internazionale)
Iniesta (Barcelona)
Kaká (Milan)
Lampard (Chelsea)
Messi (Barcelona)
Ribéry (Bayern de Munique)
Terry (Chelsea)
Van Nistelrooy (Real Madrid)
David Villa (Valencia)
Xavi (Barcelona)
Seleção eleita pela FIFPro: Casillas; Sérgio Ramos, Terry, Ferdinand e Puyol; Gerrard, Xavi e Kaká; Messi, Fernando Torres e Cristiano Ronaldo.