Comigo ninguém pode

21 05 2009
Alusão a conquista do 17º scudetto da Inter: Comandados por Ibrahimovic, os interistas passearam rumo ao tetracampeonato.

Na reta final das ligas européias, a manutenção da hegemonia deu o tom das comemorações. O tricampeão Manchester United nem fez força para empatar com o jovem Arsenal e fazer a festa, enquanto a Inter comemorou o tetracampeonato ainda na concentração, graças ao tropeço providencial do arqui-rival Milan frente a Udinese no sábado. Tetra como a Inter, o Porto já havia assegurado o caneco na semana passada com duas rodadas de antecedência, na vitória contra o Nacional da Ilha da Madeira. Em três dos seis campeonatos nacionais mais destacados da Europa – o Lyon não tem mais chances de ser octacampeão na França, o Barcelona quebrou a hegemonia do Real Madrid e o Bayern tem que torcer por um tropeço do Wolfsburg, além de vencer o difícil compromisso contra o Stuttgart para ser bicampeão alemão – manutenção da hegemonia, títulos antecipados e conquistados sem maiores problemas.

A Inter passeou durante todo o Calcio e praticamente não foi ameaçada. As irregularidades de equipes concorrentes Milan e Juventus facilitaram a conquista do scudetto, que mais uma vez ameniza a dor de uma péssima jornada de Champions League. Campeão da Champions e do Português pelo Porto e Inglês pelo Chelsea, José Mourinho estreou no Calcio e atestou sua sina de técnico campeão com o título, preservando a base construída por Mancini nas últimas temporadas. Porém, deu chances para o surgimento de bons jogadores pratas-da-casa nerazzurri nesta temporada como o lateral Davide Santon e o bom, porém intempestivo, Mário Balotelli, que se firmou como parceiro de ataque de Ibrahimovic principalmente após a metade da temporada. Temporadas espetaculares de Ibrahimovic – novamente principal jogador do time e vice-artilheiro do Calcio com 22 gols, até aqui – e do goleiro Júlio César, mescladas a regularidade de atletas como Cambiasso, Zanetti, Córdoba e Vieira deram a cara do 17º scudetto interista, o que faz os rivais de Milão empatarem no segundo posto do número de conquistas da Série A, italiana, com 10 conquistas a menos que a Juventus. E o tetracampeonato marca uma hegemonia que não se via em campos italianos desde o pentacampeonato do Torino, conquistado entre 1942 e 1949.

O Manchester United não teve a vida tão fácil quanto a da Inter, sem adversários diretos em 2008/09. Sofrendo com o excesso de jogos – principalmente à época do Mundial de Clubes da FIFA, o qual venceu – os Red Devils não abriam vantagem confrtável, até pelo fato de terem jogos a menos em relação aos rivais Liverpool e Chelsea e terminaram o primeiro turno apenas no terceiro posto. Após uma sequência de 11 vitórias consecutivas e mesmo com jogos a menos, os comandados de Ferguson assumiram a liderança da qual não saíram mais. Liderança essa que foi incomodada na goleada contra o rival direto Liverpool por 4-1 e na derrota na partida posterior por 2-0 frente ao Fulham na 30ª rodada. De lá pra cá, mais uma série de vitórias consecutivas – desta vez, sete – e o título garantido com uma rodada de antecedência no empate sem gols contra o Arsenal. Como a Inter, Alex Ferguson manteve a base vitoriosa da equipe, que contou com a valiosa aquisição de Berbatov, a qual aumentou ainda mais a gama de opções ofensivas da equipe. O surgimento, mesmo tímido, de valores da base como Welbeck, Evans, Rafael da Silva e Macheda mostra que o futuro reserva ao United bons frutos.

Mesmo sem ter emplacado um campeonato brilhante como em 2007/08, Cristiano Ronaldo teve bons momentos e está na briga pela artilharia da Premier League, com 18 tentos. Destaques para a regularidade Van der Sar, a boa zaga Vidic-Ferdinand, o veterano Giggs, as entradas e gols pontuais de Tevez. E superando Ronaldo, Rooney foi o grande diferencial do time nesta temporada. Atacante objetivo e muito dedicado no auxílio à marcação, colaborou com 12 gols, sete assistências e muita regularidade nos jogos. Além da campanha incontestável, o tricampeonato deu ao Manchester United o posto de maior campeão inglês ao lado do Liverpool, com 18 conquistas e o recorde de ser a única equipe a se sagrar duas vezes tricampeã inglesa em toda a história – a primeira foi entre 1999 e 2001. De quebra, Ferguson e Giggs – remanescentes da década de 80 quando o Manchester United amargou um período de 26 anos sem vencer o campeonato inglês, quebrado em 1992/93 – comemoraram seu 11º título nacional.

Coletividade foi a marca do tetracampeonato do Porto. Mesmo não tendo o artilheiro da Liga 2008/09 – até o momento, a marca é de Nenê do Nacional, com 19 tentos – cinco atletas foram responsáveis por marcarem 41 dos 59 gols dos Dragões até aqui: Lisandro López (10), Ernesto Farias (9), Givanildo Hulk e Lucho González (8), além de Cristián Rodríguez (6) mostram que o diferencial do Porto para a conquista foi a versatilidade de sua linha ofensiva. Além da importante participação dos citados, jogadores como o zagueiro Bruno Alves e o operário volante/meia Raúl Meirelles formaram a base campeã, comandadas pelo técnico Jesualdo Ferreira. Apesar de ainda estar distante da hegemonia de títulos benfiquista em Portugal – 31 contra 24 – o Porto ostenta uma impressionante marca de crescimento na Liga lusitana dos últimos anos: a conquista de 11 das últimas 15 edições da Liga.

A hegemonia de Manchester United, Inter e Porto vem recheada de números impressionantes, o que atesta a ampla superioridade em relação aos rivais. Que ainda precisarão abrir bem os olhos para não assistirem tais cenas de festa se repetindo em 2009/10.





Dupla (im)previsível

25 03 2009
Nessa temporada européia, algumas reviravoltas e surpresas: A Bundesliga mais disputada dos últimos anos, times ameaçando a supremacia do Lyon na França, a Premier League se emparelhando novamente após duas derrotas consecutivas do Manchester United. No entanto, dois jogadores quase sempre se destacam após as rodadas do fim-de-semana: Messi e Ibrahimovic fazem gols atrás de gols. Um mais plástico do que o outro. E conduzem suas respectivas equipes rumo à conquista dos nacionais como principais protagonistas de tais feitos.

Soberana no Calcio, a Inter ainda tenta se adaptar ao estilo Mourinho de jogar. A inconstância de um parceiro de ataque e jogos pouco efetivos dos meias de criação deixam a Inter cada vez mais dependente de Ibrahimovic. E o sueco corresponde as expectativas interistas, com a equipe sobrando diante dos rivais. Artilheiro do Italiano com 19 gols – ao lado de Di Vaio, do Bologna -, Ibra contabiliza um golaço atrás de outro. Contra a lanterna Reggina, neste final de semana, o camisa oito marcou mais dois tentos, o último deles um verdadeiro golaço. Após se livrar de três marcadores, tocou por cima do arqueiro Puggioni. Um gol de categoria e inteligência, características que vem melhorando no sueco, principalmente após sua transferência da Juventus para a Inter, da qual se tornou o principal jogador dos últimos anos.

O caso de Messi é ainda mais complexo e interessante. O argentino se sobrepõe aos outros bons jogadores do Barcelona de Pep Guardiola. O técnico monta um esquema que prima pela ofensividade: são 84 gols em 28 partidas, numa impressionante média de três gols por partida de La Liga. Além do letal tridente formado por ele, Henry e Eto’o – responsável por 59 dos 84 gols da equipe catalã – ainda conta com o auxílio de meio-campistas versáteis e talentosos. Mesmo com a versatilidade e disciplina de Xavi, o oportunismo e rapidez de Eto’o e a calma e inteligência de Henry, Messi agrega muita noção tática, rapidez, habilidade e imprevisibilidade. No massacre do Barcelona frente ao Málaga por 6-0, um gol com a marca do camisa 10: velocidade, habilidade e rapidez de raciocínio frente a zaga adversária.

Vitima do isolamento frente ao arrumado Manchester United, Ibrahimovic não pôde evitar o fiasco da Inter na Champions League, mesmo aparecendo bem nas duas partidas. Já Messi, auxiliado pelo excelente momento do Barça, pode ser o diferencial na luta dos catalães contra a supremacia inglesa na Champions. O teste contra o Bayern promete. E mesmo com alguma disparidade entre Inter e Barcelona como conjuntos, Messi e Ibrahimovic formam, neste momento, a dupla de atacantes mais letais e imprevisíveis do mundo neste momento. Tanto é que os dois atacantes brigam pela Bola de Ouro, concedida ao maior artilheiro da temporada européia. E vão brigar também pela coroa de melhor do planeta, na posse de um irregular Cristiano Ronaldo em 2008/09.





Outras opções

2 10 2008
A falta de opções estáveis no comando de ataque do Brasil é grave. Isso veio à tona novamente quando Luis Fabiano – sem dúvidas, o melhor centroavante brasileiro da atualidade – se contundiu em treinamento do Sevilla, o que ocasionou seu desfalque nos jogos contra Venezuela e Colômbia, válidos pelas Eliminatórias da Copa de 2010. Mesmo com Fabiano no comando de ataque, a Seleção criou pouco diante da Bolívia e faltaram outras opções para mudar o panorama do jogo, quando o camisa 10 do Sevilla não estiver em boa jornada.

O seu substituto, Adriano, foi convocado nesta quarta-feira e se trata de uma figurinha cativa nas convocações do escrete nacional nos últimos anos. Mas ainda é sombra do Imperador de outrora, apesar dos bons jogos pelo São Paulo no primeiro semestre. Na Inter de Mourinho, o brasileiro passa longe de ser unanimidade, apesar de o técnico português estar lhe dando mais chances, onde ocasionalmente fazendo boas partidas e marcando seus golzinhos.

Boa parte dos torcedores e jornalistas clamaram por Nilmar. Creio que, apesar do atacante colorado estar em evolução neste ano, a sua inserção em um time que já tem outro meia/atacante móvel – Robinho, respirando novos ares na Inglaterra – não seria de grande produtividade para o Brasil. Como normalmente os adversários da Seleção primam pela defesa e o jogo nos contra-ataques, não ter uma referência de força física e um pouco mais fixa junto aos zagueiros facilitariam a solidez do esquema da defesa adversária. Nilmar deveria estar sim entre os onze iniciais, porém, como segundo atacante, função que desenvolve com excelência. Outra opção que está na lista, o jovem Jô, não tem a maturidade necessária para estar no elenco, apesar de sua grande evolução no futebol europeu e na Seleção Olímpica medalha de bronze em Pequim. Pato é outro que se mostra uma boa opção de segundo tempo, já que o jovem avante do Milan também tenta a afirmação no Calcio e já mostrou grande potencial a ser lapidado.

O desprezado Amauri – na minha visão, ótima opção para o comando de ataque – acena em defender a camisa da Azzurra assim que seu processo de naturalização estiver pronto. Atacante técnico, de alguma mobilidade e boa finalização, é mais um daqueles brasileiros tipo exportação que não tiveram a oportunidade de brilhar em terras tupiniquins. De carreira sólida, toda construída no futebol italiano, Dunga sempre fez comentários sobre a possibilidade de testá-lo com a camisa canarinho. Mas sempre o colocava como uma das últimas opções viáveis, fato que faz com que o paulistano de 28 anos – se considerarmos para 2010, uma boa idade – acelere o processo para defender a Itália, regados a diversos pedidos dos últimos técnicos da Seleção Italiana, Donadoni e Marcelo Lippi. “Certamente não irei convocá-lo nos próximos jogos das eliminatórias. Existe uma hierarquia no meu ataque que passa por Adriano, Pato, Luis Fabiano e Fred”, afirmou o técnico em julho, em entrevista a Gazzetta Dello Sport. E pelo jeito, o pensamento do constestado técnico não mudou uma vírgula, mesmo com o bom início de Amauri na Juve, com quatro gols anotados em nove jogos, sendo que o avante ainda não é titular absoluto (talvez o seja com a contusão do francês Trezeguet).

Por fim, outros defendem a inclusão da ala “mais experiente”, liderada pelos goleadores do Brasileirão 2008, Kleber Pereira e Alex Mineiro, que vivem boa fase. Apesar de não serem adequados à formação de uma base para a Copa, poderiam ser úteis por ora. Penso que entrosar a equipe é muito importante para o trabalho a longo prazo, mas o importante é conseguir montar uma boa base, onde seja possível mobilizar algumas posições para que o jeito de jogar não se torne tão previsível e a Seleção não volte a apresentar uma jornada bisonha, como no jogo frente aos bolivianos. Não se trata de jogar bonito, e sim dar chance a eficiência para que o período das Eliminatórias seja mais tranqüilo.





“Esterno” necessário

29 09 2008
Após quatro anos, Mancini volta à Seleção jogando bem na posição em que rendeu mais desde a sua ida ao Calcio: o meio-campo

Em tempo, Mancini figurou na lista de convocados de Dunga para a próxima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, em outubro. Uma boa chance de desafogar a meia da equipe, que joga apenas com um atacante e centraliza a maioria de suas jogadas, já que Maicon não apóia tanto na Seleção como faz na Inter, enquanto Kléber (provavelmente o titular, pelo menos nesta primeira partida contra a Venezuela) não faz jus a mais uma convocação por viver o pior momento de sua carreira.

Comentando informalmente com alguns amigos aqui do Opinião FC antes de sua convocação, citei que faltava alguém como ele no Brasil. Diego é um armador e carrega a bola pelo centro, assim como Kaká. Ronaldinho – que já atuou pelas lados com excelência – é reserva no Milan e ainda parece mostrar um pouco de “desinteresse” em jogar bola. Júlio Baptista ainda é inexplicavelmente chamado, pois apesar da sua versatilidade, não vem mostrando regularidade e futebol diferenciado na Roma – curiosamente, contratado para suprir a lacuna deixada por Mancini, que deixou a equipe giallorossi nesta temporada – enquanto Anderson não joga como no Manchester United.

Atuando mais pelo lado esquerdo (mas também não é difícil vê-lo na direita, já que é lateral-direito de origem), Mancini se caracteriza pela velocidade, alem da habilidade de trazer a bola dos flancos para o centro, ajudando na passagem dos laterais e na movimentação dos meias e atacantes. Além da voluntariedade, Mancini sempre aparece bem para marcar gols e dar perigosos chutes de fora da área.

A surpresa de alguns comentaristas – normalmente os velhos e desatualizados, que pouco acompanham o futebol europeu – em ver Mancini ser convocado na posição que o consagrou na Roma e na qual Mourinho aposta nele na Inter é irreal. A lembrança é do voluntarioso ala que brilhou pelo Atlético/MG. No entanto, Mancini evoluiu bastante no futebol italiano, onde foi utilizado por vezes como segundo atacante na Roma de Luciano Spalletti, dada a sua habilidade, velocidade e versatilidade. O esterno (como são chamados na Itália os meias que atuam mais pelos flancos) poderá ser útil e se firmar na equipe, se Dunga o utilizar corretamente, já que consiste no único jogador do tipo no atual elenco.

Mas mesmo acertando na volta de Kaká, Mancini e Pato à Seleção, o elenco em geral ainda é motivo de critica em muitas posições. Josué e Gilberto Silva há muito não merecem mais a amarelinha enquanto Anderson é mal utilizado, Kléber vive péssima fase, Thiago Silva não lembra em nada o jogador vigoroso da boa campanha do Fluminense na Libertadores deste ano e o nome de Doni para a reserva de Júlio César continua questionável. Mas os jogos relativamente fáceis contra Venezuela e Colômbia podem dar a confiança necessária para o início da consolidação das “apostas”, como Mancini e Pato.

Goleiros
Julio César (Inter de Milão) e Doni (Roma)
Laterais
Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), Juan Maldonado (Flamengo) e Kleber (Santos)
Zagueiros
Lúcio (Bayern de Munique), Alex (Chelsea), Juan (Roma) e Thiago Silva (Fluminense)
Meio-campistas
Lucas (Liverpool), Gilberto Silva (Panathinaikos), Anderson (Manchester United), Kaká (Milan) Elano (Manchester City), Josué (Wolfsburg), Julio Baptista (Roma) e Mancini (Inter de Milão)
Atacantes
Robinho (Manchester City) Jô (Manchester City) Luis Fabiano (Sevilla) Alexandre Pato (Milan)