Sí, se puede/Sí, es pot

28 05 2009
Barcelona conquista a Champions e mostra que é possível aliar jogo bonito e bons resultados no futebol atual.

Uma atuação impecável diante de um Manchester United apático, que se tornou presa fácil para o futebol bonito do Barcelona. Quem acompanhou a partida no Estádio Olímpico de Roma pode testemunhar a vitória do futebol bem jogado, em sua plenitude. Mesmo com todas as dificuldades em armar a defesa em meio aos desfalques por contusão e suspensão, Guardiola não alterou a forma exuberante de seu time jogar, ao contrário do que fez Ferguson. O domínio do meio-campo por parte do Barcelona, que tem como uma de suas principais armas a posse de bola, permitiu aos catalães dominarem a partida quase que por completo. A liberdade dada para Xavi e Iniesta foi decisiva, já que cada um deu uma assistência para gol.

Além da ousadia de Pep Guardiola em montar um Barcelona desse quilate em sua temporada de estréia como técnico, o Barcelona entrou em campo nesta final com sete jogadores formados em suas canteras: Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi, além do próprio Guardiola. Ao contrário do que fazem os rivais do Real Madrid, que gastam fortunas em jogadores badalados em seu projeto “Galático”. E pra quem acha que o sangue novo na comissão técnica não fez a diferença, pouco dos jogadores contratados em 2008/09 fizeram parte da base da equipe, como Dani Alves, Keita e Piqué e a “limpa” nos medalhões do elenco das últimas temporadas como Ronaldinho, Deco, Zambrotta e Edmilson. Praticamente aboliu as tediosas concentrações pré-jogo e fez com que os jogadores passassem mais tempo juntos durantes os treinamentos, o que solidificou o grupo. Jogadores que estavam cotados para sair, como Henry e Eto’o recuperaram a alegria de jogar e formaram o fantástico ataque dos 153 gols, ao lado de Messi.

Ao conquistar o título mais cobiçado dos clubes europeus, o Barcelona dá uma lição de que não é preciso armar uma equipe com três volantes ou três atacantes para que ela seja defensiva ou ofensiva, mas que é preciso adaptar as preferências táticas dos treinadores com a montagem do elenco e explorar da melhor forma as características individuais dos jogadores à disposição. E justiça seja feita, apesar de entrar com a formação errada nesta final, Ferguson também desenvolve com muita eficiência tais preceitos. E jogando bem, sempre objetivamente.

Com a “Tríplice Coroa” conquistada pelo Barcelona, os blaugranas se ratificam como o time a ser batido – a vitória na final quebrou uma sequência de 25 jogos sem derrotas na Champions dos Red Devils. E outro jogador coroa uma temporada fantástica, a exemplo do Cristiano Ronaldo em 2007/08e Kaká em 2006/07: Lionel Messi, 38 gols na temporada a artilheiro desta Championscom nove gols. Além da volta do bom futebol do decisivo Eto’o – que também fez um dos gols da decisão em 2005/06 contra o Arsenal – e Henry, menções honrosas para Iniesta, decisivo contra o Chelsea, e Xavi, eleito o melhor em campo na decisão com grande justiça. Base do meio campo da Fúria, vivem grande momento técnico. Do meio pra frente, o Barcelona é quase perfeito. E provou que é possível vencer jogando bem e principalmente com aplicação tática e a entrega dos jogadores em campo. Sim, se pode! Em português, espanhol, catalão…





A verdade está lá fora

30 04 2009
O sucesso da excelente equipe do Barcelona será posto à prova na semana que vem. Domingo, é dia de El Clásico, frente aos rivais do Real Madrid. A vantagem sobre os merengues – que chegou a ser de doze pontos – atualmente é de apenas quatro, restando cinco rodadas para o final. E curiosamente, desde a derrota no primeiro turno para o próprio Barcelona no Camp Nou por 2-0, na estréia de Juande Ramos, o Real não perde em La Liga. De lá pra cá foram 18 jogos e impressionantes 17 vitórias e apenas um empate. Os merengues têm a oportunidade de mudar de vez um campeonato que parecia garantido para os blaugranas, pois decide sua sorte no Santiago Bernabéu. Focado apenas no Espanhol, o Real Madrid quer o tricampeonato para salvar a temporada, que parecia perdida após os revés para o Liverpool nas oitavas da Champions.

Três dias após o decisivo clássico local, o Barcelona vai à Londres jogar seu destino na Champions League. Sabendo do ótimo momento de seu adversário na semifinal, Guus Hiddink praticamente abriu mão de atacar para segurar um precioso e perigoso 0-0 em pleno Camp Nou nesta terça, o qual vai obrigar o Chelsea a vencer na partida de volta para chegar à final, caso o Barcelona marque gols em Stamford Bridge. Em um campo mais acanhado e familiar, o Chelsea pode perfeitamente levar vantagem sobre os velozes e dinâmicos jogadores do Barcelona, que ainda terá como desfalques Puyol, suspenso, e Rafa Marques, contundido no menisco e fora do restante da temporada. Assim como o Real Madrid, o Chelsea também subiu de produção após trocar de técnico. Nas 16 partidas sob o comando de Hiddink, o Chelsea só perdeu para o Tottenham em março, fora de casa. Ganhou outras 11 partidas e empatou sete. Também nunca é demais lembrar que no mata-mata desta Champions League, os Blues deixaram para trás equipes do calibre de Juventus e Liverpool. E com chances remotas de título na Premier League, o Chelsea aposta todas as fichas no velho sonho de conquistar a Europa.

Time de futebol mais vistoso e ofensivo da Europa, as habilidades do Barcelona serão fortemente testadas. Na partida de hoje, apesar de pressionar, o eficiente ataque blaugrana -140 gols em 2008/09 – terá de ser mais eficiente em Londres, enquanto a defesa – 44 gols em 54 jogos – será mais exigida na partida de Madrid. Para os otimistas, uma derrota do Barcelona é coisa rara nesta temporada: apenas três em 54 partidas oficiais, sendo que a última delas aconteceu contra o Atlético de Madrid, em março, o que dá ao time catalão a atual marca de 13 partidas sem derrota. Então basta os comandados de Guardiola manterem a média, certo? É o que veremos semana que vem…





English Champions League

15 03 2009
Após os resultados dos confrontos válidos pelas oitavas de final da Champions League, algo fica incontestável: a supremacia inglesa na mais importante competição entre clubes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, todos os clubes ingleses que iniciaram a fase de grupos chegam vivos até as quartas-de-final. Novamente, 50% da Champions é dos ingleses. Nos confrontos com os campeões das principais ligas rivais à Premier League, eliminação relativamente fácil.
Nos confrontos contra o bicampeão espanhol Real Madrid, o Liverpool não encontrou maiores dificuldades. A maior tradição do Real – nove títulos contra cinco dos Reds – não foi suficiente frente a equipe comandada por Rafa Benítez, uma especialista nos confrontos eliminatórios nesta década. E o Real Madrid amargou a quinta eliminação consecutiva na fase de oitavas, mostrando um futebol apático, mesmo com a melhora de produção da equipe na liga espanhola após a chegada de Juande Ramos. Já a tricampeã Inter de José Mourinho sucumbiu facilmente diante do atual campeão Manchester United. Mesmo sem um largo placar agregado no confronto (2-0), o Manchester mostrou grande superioridade frente aos interistas. Na primeira partida disputada no Giuseppe Meazza, os Red Devils só não saíram com a vitória graças a brilhante atuação do goleiro Júlio César. Em Old Trafford, a Inter tentou segurar o ímpeto dos ingleses entrando apenas com um atacante, apostando no embate entre meio-campistas para equiparar o encontro. No entanto, o ímpeto do United foi avassalador e a Inter só não saiu goleada graças a Júlio César, novamente.

O equilíbrio entre Chelsea e Juventus foi grande nas duas partidas. E mesmo com Guus Hiddink iniciando agora seu trabalho nos Blues, conseguiu levar o confronto nos detalhes. O mais frágil e que atravessa fase mais delicada entre os ingleses nesse momento, o Arsenal, ainda conseguiu arrancar uma dramática classificação nos pênaltis. Mas desfalcado de seu principal jogador – Fabregas volta aos campos em abril – e com a má fase de Adebayor, os jovens do Arsenal torcem pela sorte nas bolinhas para enfrentarem um adversário mais frágil – neste caso, Porto ou Villarreal – para seguir em frente. Com a classificação dos quatro ingleses, os ingleses atestam sua supremacia nas quartas-de-final pelo terceiro ano consecutivo: foram três clubes em 2006/07 e os quatro que iniciaram a competição em 2007/08 e 2008/09, contrastando com o único inglês presente em 2005/06 – o Arsenal, derrotado na final contra o Barcelona.Aliás, penso que o Barcelona é o único time capaz de enfrentar a força dos ingleses de igual para igual. Apesar de não ser uma equipe equilibrada como um Manchester United, o Barça joga o futebol mais vistoso entre os europeus, com o tridente Messi-Henry-Eto’o em grande fase e com diversas opções de meio campo, como Xavi, Keita, Yaya Touré, Iniesta, Hleb e Busquets. Mas a defesa é o ponto falho dos catalães – a segunda mais vazada entre os oito finalistas, com nove gols -, que ainda possuem no gol um inconstante Victor Valdés. O Bayern é outro que se apresenta um baita pedregulho aos ingleses. Melhor ataque entre os sobreviventes – 24 gols, 12 nos últimos dois jogos – o tridente Ribéry-Toni-Klose é o ponto forte da equipe. Mas se confrontar os ingleses, os bávaros estarão diante do primeiro adversário mais qualificado nesta Champions, já que o caminho do Bayern até aqui na competição foi tranquilo.

Enquanto isso, na Itália…

Os clubes italianos não conseguiram classificar nenhum representante para esta fase desta Champions. O mau desempenho dos clubes italianos nesta fase piora gradualmente: três representantes em 2005/06, dois em 2006/07 e apenas um em 2007/08. O enfraquecimento dos clubes locais – apesar do título do Milan em 2006/07 com contribuição decisiva e brilhante de Kaká – aconteceu após o escândalo do Calciocaos que explodiu no futebol italiano, em 2006. Tanto é que na Copa UEFA, há apenas um representante italiano nas oitavas – a Udinese, que venceu o primeiro confronto contra o atual campeão Zenit por 2-0 -, já que Fiorentina, Milan e Sampdoria foram eliminados no início do mata-mata da competição (por Ajax, Werder Bremen e Metalist/UCR, respectivamente). O fortalecimento da Inter e o enfraquecimento dos outros grandes – ao menos, por ora – contribuíram para a queda do nível técnico do Calcio. E fora da Itália, a Inter vem colecionando diversas decepções quando falamos em Champions, mesmo com bons times.

A chance de pelo menos dois ingleses nas semifinais é enorme, dependendo do sorteio dos confrontos que será realizado no próximo dia 20 de março. E conforme a dança das bolinhas, a chance de uma segunda final inglesa consecutiva na Champions aumenta consideralvelmente.





Paredões

27 02 2009
Júlio César faz mais uma defesa no jogo contra o Manchester United: o arqueiro vive grande fase e firma-se como um dos melhores do mundo em sua posição.

Se a Inter ainda aspira chances para passar à próxima fase da Champions League, o responsável direto é o goleiro Júlio César. Ratificando a sua excelente fase na Inter de Mourinho e no Brasil de Dunga, o arqueiro defendeu pelo menos três bolas dificílimas diante do Manchester United, nesta terça-feira.

Se no Calcio a Inter consegue se impor – mesmo não atuando bem em algumas oportunidades -, na Champions a equipe parece, por vezes, se apequenar diante da responsabilidade de conquistar um título que não vê há mais de 30 anos. Jogando no San Siro, a equipe nerazzurri foi mera espectadora ao ver os Red Devils com amplo domínio da partida, com um Cristiano Ronaldo criando e definindo jogadas perigosas até com alguma liberdade. Mas o quarteto ofensivo dos mancunianos parou em Júlio César, que assegura seu nome como um dos principais goleiros da atualidade, ao lado da Casillas e Van der Sar. Prestes a completar 30 anos, Júlio César parece chegar ao auge de sua carreira e caminha firme para ser o titular da baliza brasileira na Copa do Mundo de 2010. Com todos os méritos, é um dos “intocáveis” na equipe de Dunga.

Do outro lado, estava o veterano Van der Sar, que pouco foi incomodado na partida apesar do aumento nas ações da Inter no segundo tempo. Prestes a bater o recorde europeu de minutos sem ter a meta vazada, o holandês não é do tipo espalhafatoso. Como na partida desta terça onde novamente foi auxiliado pela fortíssima defesa do United – a menos vazada da Champions e da Premier League -, seguramente a melhor da Europa. Não teve necessidade de fazer defesas difíceis, mas é peça importante quando os zagueiros do Manchester não previnem os ataques adversários, como pôde ser visto na final do último Mundial da FIFA, frente a LDU. O que difere Van der Sar de Júlio César é que o brasileiro vem sendo muito mais exigido, e por conseqüência, acaba se destacando mais. Mas trata-se de dois dos mais técnicos goleiros da atualidade e que podem decidir a segunda parte do confronto daqui a duas semanas, em Old Trafford.





Tudo como começou

28 11 2008
Cristiano Ronaldo tenta marcar novamente contra o Villarreal: o português esteve em campo nas quatro partidas sem gol contra os espanhóis.
Muitas vezes, um jogo que termina em zero a zero normalmente não remete a uma partida interessante, principalmente quando as duas equipes não primam pelo poder ofensivo ou pecam pela pela ineficácia dele. Não é o caso de Manchester United e Villarreal, onde o empate em zero a zero em partida válida pelo Grupo E selou a quarta partida entre ambos pela Champions League que terminaram com o mesmo placar. Pouco mais de 360 minutos de futebol e nada de bola na rede, mesmo com muitas oportunidades de gol, dentre elas uma bola na trave de Ronaldo e uma bola tirada em cima da linha por Capdevilla, nesta última partida.

Quando caíram no mesmo grupo em 2005/06, o Submarino Amarillo era apenas debutante na Champions. O empate diante do “poderoso” Manchester United em sua estréia na fase de grupos foi considerado um bom resultado, mesmo jogando no El Madrigal com um jogador a mais, já que Rooney havia sido expulso. Na partida de volta, a penúltima daquele Grupo D, o empate em Old Trafford foi preponderante para a eliminação precoce do elenco dos Red Devils da fase mata-mata naquela competição, já que na partida derradeira foram derrotados por 2-1 pelo Benfica. Jogadores do porte de Van der Sar, Ferdinand, Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy e Rooney acabaram por não conseguir ao menos uma vaga de consolação na Copa UEFA. Em contrapartida, a “zebra” Villarreal conseguiu a classificação no primeiro posto do grupo, em um elenco que contava com nomes do peso de Riquelme, Sorín, Forlán, Gonzalo Rodriguez e Marcos Senna. Aquele time surpreendente quase chegou à final, só parando no pênalti perdido por Riquelme diante do Arsenal nas semi-finais, após ter eliminado Rangers e Inter na fase mata-mata.

Em 2008/09, o Villarreal entrou na Champions como uma equipe mais consolidada, apesar de não ser nenhum grande favorito a levar a taça. Atual vice-campeão espanhol, o time do técnico Manuel Pellegrini – que comandou a equipe nos quatro confrontos, assim como Ferguson pelo Manchester – conseguiu montar uma equipe bem mesclada, com nomes de experiência como Pires, Senna, Edmílson e Rodriguez a juventude de Rossi, Fernández e Eguren. Mesmo com um Villarreal melhor e um Manchester já consolidado pelo conjunto atual campeão europeu, conhecido pelo futebol ofensivo, o jogo novamente não saiu do zero. No mesmo Madrigal onde os dois se enfrentaram pela primeira vez em 2005, mas desta vez com o Villarreal perdendo Capdevilla por expulsão, com Cristiano Ronaldo agudo e Diego López pegando tudo. E mesmo com os esmpates, as duas equipes avançam a próxima fase, com muita tranquilidade.

O futebol não é uma ciência exata, evidenciado no confronto de ambos nas outras três partidas deste Grupo E, onde o Villarreal marcou nove gols e o Manchester United, sete. Além do fato do Villarreal ter tomado os cinco gols que sofreu na competição diante do surpreendente Aalborg, que está bem próximo de desbancar o Celtic na briga pela vaga na Copa UEFA. No décimo jogo do Villarreal como mandante na Champions, a equipe amarela não conheceu a derrota: cinco vitórias e cinco empates. Os Red Devils somam 18 partidas consecutivas sem derrota na competição européia, desde a derrota para o Milan nas semi-finais de 2006/07 no San Siro. Duas boas equipes e marcadoras de gols terminam mais um jogo em 0-0. Dá pra entender?





A hora do patrício

30 10 2008
Cristiano Ronaldo e Messi: na briga pela coroa de melhor do mundo.

Fim de ano, e as discussões para a eleição de melhor jogador do Mundo ficam mais acirradas. Na eleição da FIFPro (a associação mundial de atletas profissionais) deu Cristiano Ronaldo, com certa vantagem. Celebridades como Kaká e Alex Ferguson – o grande responsável pela lapidação e evolução do português – apostam nele como o merecedor do prêmio. “Ele vai ganhar os dois prêmios[Bola de Ouro e Melhor do Mundo FIFA], tenho certeza. Se ele não ganhar, quero comprar o jogador que vencer”, afirmou Sir Ferguson à France Football.

Muitos ainda têm aquela imagem equivocada do camisa sete apenas como um jogador marrento e pouco objetivo. Entretanto, sua evolução nas últimas duas temporadas foi notória. Em 2006/07, iniciou sua jornada como um jogador muito mais objetivo e letal. A “brincadeira” de Ferguson, que apostou com Ronaldo que este deveria atingir a marca de 15 gols naquela temporada deu resultados. Ele fez melhor na campanha do título inglês e das semi-finais da Champions: foram 23 gols na temporada (17 pela Premier League e três pela UCL). Mas mesmo a boa campanha não foi suficiente para que o português batesse Kaká na eleição de 2007, pois o brasileiro foi simplesmente impecável, levando o limitado time do Milan ao título europeu daquela temporada, com grande parcela de contribuição do camisa 22. Quando foi exigido, nos jogos decisivos contra o Milan, o português simplesmente se escondeu do jogo. Aliás, essa é uma crítica muito feita a ele ainda nos dias de hoje, a falta do poder de decisão em momentos capitais.

Mas na campanha impecável do Manchester United de 2007/08, Cristiano Ronaldo foi a figura principal na conquista do bicampeonato inglês e da hegemonia européia. Jogos memoráveis – inclusive o gol e o belo duelo com Lampard na finalíssima em Moscou – culminaram com a artilharia das duas competições mais importantes disputadas pelos Red Devils (31 gols na Premier League e oito pela Champions), o que o credencia como o principal – e na minha visão, favorito – postulante a Bola de Ouro e ao prêmio da FIFA. “Creio que fiz mais do que qualquer outro para consegui-la. Se avaliar o que fiz na última temporada, acredito que eu mereço mais do que ninguém”, cravou Ronaldo, fazendo um lobby com a imprensa européia.

Novamente, Lionel Messi pinta como um dos melhores futebolistas do mundo. Um dos pilares da conquista da medalha de ouro olímpica pela Argentina, ainda falta a Messi cumprir uma temporada inteira regularmente, sem as contusões que vez ou outra o acometem. A fraca temporada do Barcelona também não lhe favoreceu. Mas desta vez, promovido como a maior estrela do Barcelona após a saída de Ronaldinho, o novo camisa dez do Barça começa a temporada sendo um dos expoentes da renovação da equipe catalã. E, com certeza, tem tudo para abocanhar o prêmio em um futuro muito próximo.

Outro excelente jogador da atualidade que necessita de um grande título para cravar seu nome como um dos melhores atacantes da Europa é o sueco Zlatan Ibrahimović, principal atleta do último Calcio que coroou o tricampeonato inteirista. Força e muita técnica garantem ao sueco o posto como um dos principais atacantes da atualidade, ao lado de jogadores como os ascendentes Emmanuel Adebayor (Arsenal) e “Kun” Agüero (Atlético de Madrid); os atuais campeões europeus Fernando Torres (Liverpool) e David Villa (Valencia); além da liderança e precisão dos ingleses Lampard (principal peça do Chelsea em 2007/08), Gerrard e Terry, que cada vez se firma como o melhor zagueiro do mundo na atualidade, já que esteve presente nas quatro seleções eleitas pela FIFPro.

A decepção fica por conta da indicação de poucos brasileiros para o prêmio. Só Kaká – que passou um bom tempo de molho neste ano – é o representante tupiniquim. Para alguns, a pouca representatividade é um dos sinais da “entressafra” pela qual passa o futebol brasileiro, já que o surgimento de bons jogadores parece ter sido inibida em 2008, ao menos por enquanto.

Os 23 indicados pela FIFA:

Adebayor (Arsenal)
Aguero (Atlético de Madrid)
Arshavin (Zenit)
Ballack(Chelsea)
Buffon (Juventus)
Casillas (Real Madrid)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Deco (Chelsea)
Drogba (Chelsea)
Eto’o (Barcelona)
Fábregas (Arsenal)
Fernando Torres (Liverpool)
Gerrard (Liverpool)
Ibrahimovic (Internazionale)
Iniesta (Barcelona)
Kaká (Milan)
Lampard (Chelsea)
Messi (Barcelona)
Ribéry (Bayern de Munique)
Terry (Chelsea)
Van Nistelrooy (Real Madrid)
David Villa (Valencia)
Xavi (Barcelona)
Seleção eleita pela FIFPro: Casillas; Sérgio Ramos, Terry, Ferdinand e Puyol; Gerrard, Xavi e Kaká; Messi, Fernando Torres e Cristiano Ronaldo.





Juventude Blaugrana

25 10 2008
Puyol, Bojan e Busquets comemoram: na renovação do Barcelona, os pratas-da-casa tem papel importante no elenco de Guardiola.

 
O processo de reformulação do Barcelona está em curso após uma temporada irregular em 2007/08. A saída gradativa de peças importantes daquela importante conquista da Champions em 2005/06 como Giuly, Larsson, Ronaldinho, Deco e que culminou com a queda de Frank Rijkaard, o qual havia montado aquela equipe que encantou a Europa tanto pelo futebol objetivo e vistoso, quanto pelas belas jogadas proporcionadas por tantos jogadores com qualidade.

Conhecido historicamente por revelar bons jogadores em suas categorias de base, o Barcelona começa a inserí-los aos poucos em posições relevantes do elenco durante os jogos da atual temporada. A renovação já começa no banco, com a aposta Josep Guardiola no comando dos blaugranas. A primeira oportunidade como treinador vem justamente no clube que o revelou para o futebol e onde atuou por onze anos, sendo peça importante do Barça em sua época de atleta. As mudanças promovidas por Pep culminaram na utilização de muitos jogadores revelados pelo próprio Barcelona, durante este início de temporada. Na goleada desta quarta por 5-0 contra o Basel, em partida válida pelo Grupo C da Champions, todos os gols foram genuinamente “made in Barcelona”. Os já consagrados Messi e Xavi abriram e fecharam o placar, respectivamente. O ascendente Bojan Krkic – que vem se afirmando cada vez mais como uma boa opção no ataque catalão – marcou dois tentos, enquanto o recém-promovido meia Sergi Busquets, 20 anos, marcou seu primeiro gol como profissional. E Busquets é tão incrustado no Barcelona que seu pai, Carles Busquets, foi reserva de Zubizarreta na década de 90 e atualmente atua como treinador de goleiros da equipe principal do Barça.

Dos onze que entraram em campo no St. Jakob-Park, seis eram da cantera blaugrana: Valdez, Puyol, Xavi, Busquets, Bojan e Messi. No banco, mais dois representantes: Iniesta e o polivalente Victor Sánchez. Em 2008/09, após alguns desacertos em seu início, o Barcelona já figura como quarto colocado na Liga Espanhola, apenas três pontos atrás do invicto Valencia e lidera o Grupo C da Champions League com 100% de aproveitamento e muito perto de se classificar à próxima fase.

Além da “liderança” técnica de Lionel Messi, que cada vez mais se afirma como um dos grandes jogadores de futebol da atualidade, a esperança de que o Barcelona retome o rumo das grandes conquistas é grande. Além dos ex-cadetes já citados neste post, o elenco conta com excelentes nomes, como Dani Alves, Hleb, Yaya Touré, Keita, Márquez, Eto’o – que vai readquirindo a velha forma após grave contusão temporada passada – e Henry – que ainda não é o vigoroso jogador de sucesso no Arsenal, mas de potencial mais do que conhecido. E aos poucos, Pep Guardiola monta um elenco muito balanceado e de diversas opções, que promete brigar pelas cabeças. E com ajuda mais do que providencial da juventude genuinamente blaugrana.





Especial Champions League 2008/09 – Opinião FC

17 09 2008

Guia completo para a Champions League 2008/09, originalmente postados pelos eficientes amigos do Opinião FC – Thiago Barretos, Tiago César, Jota Assis e este blogueiro que vos escreve. Para acessá-lo, clique na foto acima. E esperaremos que os caminhos nos levem a uma grande final em Roma!





Il ritorno di Sheva

26 08 2008
Após passagem apagada no Chelsea, Shevchenko tenta reeditar sua melhor fase na volta ao Milan, do qual ainda é ídolo.

“Estou aqui pelo desafio e pela excitação de jogar na Premiership. Vou de um grande clube para outro gigante, até porque me juntarei a uma equipa de campeões. Existe um momento certo para as transferências e julgo que cheguei aqui na hora perfeita”. Foi assim que Shevchenko definiu o momento de sua transferência estratosférica ao Chelsea de Roman Abramovitch. Os valores giravam em torno de 45 milhões de euros pelo ucraniano de 29 anos, à epoca. Sheva iria disputar a Copa do Mundo da Alemanha com a cabeça tranquila, pois sua transferência havia sido concretizada a poucos dias do torneio mundial. Com a Ucrânia obtendo a classificação para a fase seguinte – em um grupo fácil com Espanha, Arábia Saudita e Tunísia – Shevchenko falhou na disputa de pênaltis contra a Suíça e viu o time dar adeus a sua primeira Copa nas oitavas. Apenas dois gols e um futebol não muito vistoso não desanimaram os torcedores dos Blues, que sonhavam com um Sheva liderando a equipe com seus gols, arrancadas fulminantes e excelente visão de jogo, rumo ao topo da Europa.

Dois anos depois dessa mudança decisiva de ares, o ucraniano não havia emplacado o futebol dos tempos de Milan e Dínamo de Kiev na parte azul de Londres: Foram apenas 75 jogos no intervalo de dois anos e modestos 22 gols marcados. Muito pouco frente ao seu desempenho no Dínamo (166jogos/94gols) e no Milan (296jogos/173gols). Por isso, ele voltou novamente a Milão, emprestado. A torcida rossonera fez festa, claro. “Trouxemos de volta para casa o jogador que, nos últimos 50 anos, mais fez gols com nossa camisa”, afirmava um eufórico Adriano Galliani, vice-presidente do Milan. Berlusconi já vislumbra uma dupla de ataque com Pato e a euforia é grande também entre os tiffosi rossoneri.

Esse mesmo Shevchenko que surgiu com destaque aos olhos europeus exatamente há 10 anos atrás, quando o Dínamo de Kiev fez surpreendente campanha na Champions League daquela temporada, parando nas semifinais contra o poderoso Bayern. A dupla infernal formada por Sheva e Serhiy Rebrov marcou 19 dos 27 gols da excelente campanha dos ucranianos. Rebrov, no entanto, tornou-se mais um cigano da bola e não vingou, enquanto Shevchenko foi fazer história no Milan.

O Milan – assim como já fez com Ronaldo e Ronaldinho – contrata o passado do ucraniano, que brilhou com a camisa 7 do clube entre 1999 e 2006. Os torcedores não esquecem da Champions League de 2002/03, onde Sheva teve participação fundamental na fase final da competição, marcando gols decisivos nas quartas, contra o Ajax, e nas semis contra a Inter, eterna rival. Também coube a ele converter o pênalti decisivo contra a Juventus, na grande final em Old Trafford. Ainda conquistou mais uma Liga Italiana, uma Copa Itália, uma Supercopa Italiana e uma Supercopa Européia, marcando com muitos gols e títulos uma trajetória vencedora no Calcio. É o terceiro maior artilheiro da história Champions, com 56 gols, um atrás de Nistelrooy e a cinco de Raúl.

Além da forte química existente entre jogador, clube e torcida, o Milan vem se mostrando um “acolhedor” de jogadores mais experientes nos últimos anos, ao contrário do que faz o Arsenal, por exemplo. Jogadores como Seedorf e Inzaghi – fora os velhos conhecidos do clube – vieram e deram contribuição importante nas conquistas recentes da equipe. Com 31 anos e algum tempo de bom futebol pela frente, Sheva pode dar ainda mais ao Milan. Ambos vieram de um período difícil: enquanto o Milan ficou fora da Champions 2008/09, Shevchenko jogou apenas 24 partidas em 2007/08, muitas delas começando como reserva. Como na canção, dizem que nossa casa é onde nosso coração está. E futebolisticamente falando, não haveria melhor abrigo para Sheva do que as cores rubro-negras de Milão.





Rankings da discórdia

10 08 2008
Kaunas (139ºno ranking IFFHS) marca o gol que eliminou o Rangers, “segunda melhor equipe do mundo” na atualidade. Estão aumentando o tamanho da zebra?

A elaboração de rankings – de qualquer espécie – deve vir acompanhada de critérios claros e mais justos possíveis. Nos esportes individuais, eles parecem corretos e infalíveis. Ou alguém duvida que Rafael Nadal (mesmo com o ranking ainda não atualizado oficialmente pela ATP) vive ótimo momento e está primeiro do mundo?

No entanto, as listas dos melhores sempre vêm acompanhadas de alguma desconfiança e muita discórdia. O ranking da FIFA, por exemplo, parece o melhor elaborado deles. Mas sempre aparece algum surpresa no ranking mensal da entidade, como por exemplo a República Tcheca, oitava colocada. A seleção tcheca está a frente de seleções como Portugal, Rússia e Turquia (semi-finalistas da última Euro), sendo que ela não fez bons papéis nas duas últimas grandes competições que disputou, sendo desclassificada na primeira fase da Copa 2006 e da Euro 2008. No entanto, como o ranking da FIFA conta os resultados do último ano, a contar do mês de sua publicação, pesou o fato dos tchecos terem feito bom papel nas Eliminatórias da Euro, onde conseguiu classificar-se na primeira colocação do Grupo D, inclusive à frente dos alemães que mais tarde se sagrariam vice-campeões da mais importante competição européia de seleções.

Mas o que surpreende mesmo é o famigerado ranking da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do futebol), entidade alemã que conta com as bênçãos de ranking oficial, reconhecidos pela FIFA. O último, divulgado esta semana, confirma minhas suspeitas: são critérios demais, que acabam distorcendo seu real valor e traz algumas “bizarrices” na lista dos primeiros colocados. Pelos critérios dos alemães, Torneios como a Libertadores e a Champions League e a Sul-Americana e a Copa UEFA tem o mesmo peso na pontuação (14 e 12, respectivamente), o que é uma decisão acertada, principalmente pelo grau de dificuldade de ambas. Já os campeonatos nacionais de Argentina, Alemanha, Brasil, Espanha, França, Inglaterra e Itália possuem peso 4. Campeonatos médios como Holandês, Chileno e etc. possuem peso 3 e assim por diante. O mais gozado no peso dos campeonatos nacionais é que o único considerado com o peso 1 é o campeonato bósnio. Não que a Premijer League seja das mais fortes e empolgantes, mas ficar abaixo de campeonatos como o da Síria e o de Angola é um tanto estranho.

O gozado, além de ver Valencia e Real Madrid (36º e 39º, respectivamente) abaixo de equipes como o Arsenal Sarandi/ARG, Colo-Colo/CHI e Anderlecht/BEL (18º, 23º e 35º), só para tomar alguns exemplos é o caso do Glasgow Rangers, da Escócia. Os Gers alcançaram nesta semana o segundo posto do ranking, a 22,5 pontos do Manchester United e meio ponto à frente do Chelsea, vice-campeão europeu e inglês. Além de não vencer um Campeonato Escocês há três temporadas, o Rangers acabou eliminado pelo atual campeão lituano, o FBK Kaunas, em partida válida pela 2ª fase eliminatória da Champions League 2008/09. Após um empate no Ibrox Stadium por 0-0, o Rangers – atual vice-campeão da Copa UEFA – estava se classificando com um empate em 1-1 no Estádio S. Darius & S. Girenas, em Kaunas. Mas coube a Linas Pilibaitis marcar o gol de um dos maiores triunfos – senão o maior – do futebol da Lituânia. Não deixa de ser irônica a eliminação para o Kaunas (diga-se de passagem, o numero 138 no mesmo ranking), na mesma semana em que os Gers foram aclamados como a segunda melhor equipe do mundo, o que mostra claramente, na minha visão, a grande piada que se tornou esse ranking da IFFHS, que sempre espanta o mundo do futebol mensalmente.

Ranking da IFFHS em agosto/08 (entre parênteses, a posição no ranking anterior)

1. (1.) Manchester United – 286,0
2. (4.) Glasgow Rangers – 258,5
3. (2.) Chelsea – 258,0
4. (3.) Bayern München – 252,0
5. (5.) Barcelona – 251,0
6. (6.) Roma – 248,0
7. (7.) Liverpool – 243,0
8. (8.) Arsenal – 237,0
9. (9.) Boca Juniors – 231,0
10. (10.) Internazionale – 226,0
11. (11.) São Paulo – 223,0
12. (13.) Fiorentina – 220,0
13. (19.) Fluminense – 218,0
(14.) Lyon – 218,0
15. (15.) Milan – 211,0
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