Roger: Seduzido pelos petrodólares do Qatar Sports Club.
Historicamente, a relação entre o futebol de países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar com os profissionais brasileiros sempre foi estreita. Profissionais como Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, muito antes de alcançarem destaque na Seleção Brasileira, já tentavam a sorte e davam os primeiros passos como treinador no futebol, na década de 80. Em contrapartida, levavam diversos profissionais brasileiros para compor sua comisssão, principalmente auxiliares técnicos, fisiologistas, preparadores físicos, de goleiros, etc. As vezes, um ou outro jogador, normalmente já veterano ou de pouco destaque no futebol nacional arriscava a ida ao Oriente Médio. Os maiores empecilhos para que mais jogadores se deslocassem às Arábias – o choque de culturas e o dinheiro, que não era muito mais do que por aqui – limitavam a ida dos profissionais.
Contudo, os tempos mudaram. Principalmente no início desta década. Os Sheikhs começaram a investir grandes cifras para desenvolver o futebol nos países árabes, quase sempre oriundas dos petrodólares. O nível dos profissionais que passaram a se mudar para a terras das mil e uma noites aumentou consideravelmente. Países como a Arábia e os Emirados Árabes Unidos sentiram o gosto de fazer parte de uma Copa do Mundo. E com isso, as propostas milionárias começaram a se multiplicar. Grandes jogadores consagrados, caminhando para o fim de carreira, como Weah, Batistuta, Cocu e Romário chegaram a atuar no futebol árabe.
E a onda árabe – assim como a onda em que “Eldorado” do futebol se concentrou no Japão e no Leste Europeu – chegou ao Brasil com força. Atualmente, alguns dos trienadores de ponta do Brasil estão por lá, tais como Paulo Autuori (Al Rayyan/QAT), Abel Braga (Al Jazira/EAU) e Emerson Leão (Al Sadd/QAT). E como num efeito dominó e contando com a bala na agulha proporcionada pelos petrodólares, os treinadores passaram a solicitar a contratação de seus “protegidos”. Tanto aqueles com os quais trabalharam ao longo dos anos, quanto os que se destacam nos diversos campeonatos. Foi assim com Marcinho e Roger, destaques deste início do Brasileirão e com Fernandão, ídolo recente da história Colorada. Caio Júnior quase deixou o Flamengo por conta do assédio árabe. E em curso, propostas formalizadas por Guiñazu, Leandro Amaral e Alex, citando os exemplos principais
Por conta dessa nova tendência, as ligas locais viraram verdadeiros redutos brazucas. Figuram como grandes destaques jogadores do calibre de Marcos Assunção (ex-Santos e Betis), campeão com o Al-Ahli/EAU que se transferiu recentemente para o Al-Shabbab/EAU e o atacante Araújo, campeão e artilheiro do último artilheiro da Q-League com 27 gols. O sucesso e os grandes contratos fazem com que os números do êxodo brasileiro no mundo árabe cresçam a cada ano. Nada menos que 12 brasileiros jogam na liga do Catar, 10 na dos Emirados Árabes e oito na liga saudita. As estrelas são jogadores como Renato (ex-Corinthians e Flamengo), Magno Alves (ex-Fluminense), Felipe (ex-Vasco) e Josiel (ex-Paraná). Se não têm técnica suficiente para estar entre os grandes brasileiros, poderiam estar engrossando o elenco de times médios e pequenos, dando um pouco mais de técnica e competitividade ao Brasileirão. E o consequente sucesso no futebol local rende convites de naturalização – regados a muito dinheiro – para que esses mesmos jogadores possam defender as Seleções da região, principalmente a do Catar, conhecido pelas diversas propostas dessa natureza. Um ótimo especial, que foi ao ar pelo site do GloboEsporte.com, mostra as diversas nuances dessa nova tendência, abordadas aqui nesse post.
A janela de transferências – que já é cruel e enfraquece os clubes devido a falta de sincronia entre os calendários brasileiros e europeu – ganha mais um fator forte e desfalcador de elencos. São os petrodólares, que cada vez mais contribuem para o empobrecimento do futebol nacional, que apesar dos campeonatos equilibrados, vê seu nível técnico cair gradualmente nos últimos anos. Não há boa safra que resista a essa demanda, que como pudemos observar, tende a crescer.