Primeira vez, com autoridade

25 05 2009
Após fulminante segundo turno, Josué ergue a primeira Salva de Prata da história do Wolfsburg.

O pequeno Wolfsburg se agigantou no futebol alemão. Time fundado em pleno pós-guerra, em setembro de 1945, estava há doze temporadas consecutivas na Bundesliga alemã e jamais havia comemorado nenhum título em sua história de quase 64 anos. Nem nas divisões de acesso. Tabu quebrado com autoridade, com a sonora goleada sobre o Werder Bremen por 5-1. Melhor ataque disparado da competição, os Wolves detém outras marcas impressionantes, como 11 das 21 vitórias conquistadas por três ou mais gols de diferença em sua campanha na Bundesliga 2008/09; a primeira vez na história do certame alemão que dois jogadores da mesma equipe marcam mais de 20 gols, coroando artilheiro e vice – Grafite com 28 gols e Dzeko, 26 – e batendo uma marca que durava mais de 35 anos: a de dupla de ataque mais letal de uma edição do Alemão, pertencente aos lendários Gerd Müller e Uli Hoeness, com 53 gols pelo Bayern de 1972/73. Além da arranacada sensacional da nona colocação ao final do primeiro turno – com apenas 26 pontos – ao título, com apenas duas derrotas no returno e uma sequência espetacular de 11 vitórias consecutivas.

A base formada em duas temporadas pelo técnico Felix Magath – que já acertou sua saída para o Schalke na próxima temporada – cresceu no momento certo do campeonato. Quinto colocado em sua primeira temporada à frente dos Wolves, as chegadas de Zaccardo, Misimovic e Barzagli no início da temporada rechearam um time que, se aparentemente não tinha jogadores renomados, possuía um elenco versátil e de jogadores que subiram de produção durante o campeonato. Após um começo instável, o goleiro suíço Diego Benaglio se firmou na posição, assim como o recém-chegado Barzagli – jogador com mais minutos jogados nesta Bundesliga – comandou a zaga da equipe com firmeza, ao lado de Marcel Schäfer. Após começo instável, Josué logo se firmou no meio-campo e tornou-se o capitão da equipe, reencontrando o eficiente futebol perdido desde os tempos de São Paulo, formando bom meio campo com Christian Gentner. Mas o trio Misimovic-Dzeko-Grafite – responsável por 60 dos 81 gols da equipe na campanha do título – deu o toque de qualidade ao time comandado por Magath. O meia Misimovic foi o principal responsável de municiar a letal dupla de ataque dos 54 tentos. As impressionantes marcas de Grafite – 28 gols em 25 jogos – e do bósnio Dzeko – 26 gols em 32 jogos – não deixam margem de dúvida na hora de escolhe-los entre os melhores do campeonato.

No campeonato mais disputado e surpreendente da Europa nesta temporada, onde o debutante Hoffenheim foi o campeão de inverno e seis times se alternaram na liderança, o Wolfsburg foi campeão com enorme justiça e eficiência, jogando um futebol que todos esperavam do Bayern de Munique. E os bávaros salvaram a temporada ao conquistar o vice-campeonato na última rodada e garantir vaga direta à próxima Champions. Muito pouco para um time do quilate de Schweinsteiger, Ribéry, Klose e Toni, que esperam com esperança por um bom trabalho de Louis Van Gaal, acertado para a próxima temporada no lugar de Jürgen Klinsmann, que decepcionou no comando da equipe. Times figurantes como o Schalke 04 e o Werder Bremen – atual vice-campeão da Copa da UEFA – fizeram um pífio campeonato e nem vaga para as Copas Européias conquistaram. O Hertha Berlim, postulante ao título até outrora, viu a possibilidade de uma vaga na fase classificatória da Champions ir para o espaço após a vexatória goleada para o já rebaixado Karlsruhe por 4-0, beneficiando o Stuttgart, que garantiu a vaga mesmo sendo derrotado por 2-1 pelo Bayern.

Agora, a maior luta dos Wolves para 2009/10 será encontrar um bom substituto para Magath no comando técnico, além de evitar um iminente desmanche, já que Dzeko e Grafite estão sendo cotados para se transferirem aos grandes europeus. Contudo, o primeiro título da equipe da cidade homônima, com apenas 120 mil habitantes e antes conhecida apenas por ser a sede mundial da Volkswagen veio com muito estilo e autoridade.

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Carrossel Alemão

10 04 2009
Principal responsável pela ascensão do Wolfsburg à liderança, Grafite marca golaço diante da confusa defesa do outrora poderoso Bayern de Munique.

Que a Premier League é o campeonato de maior nível técnico na Europa, é quase que consenso entre torcedores e jornalistas. Mas emoção e muita disputa mesmo é na Bundesliga, certamente a mais competitiva das últimas temporadas. A goleada do Wolfsburg sobre o Bayern de Munique por 5-1 na última rodada levou os Wolves à liderança do certame alemão, convertendo-se na sexta equipe diferente a ocupar a ponta da tabela. A diferença entre o Wolfsburg (51 pontos) e o campeão de inverno Hoffenhein – atualmente, quinto colocado – é de apenas sete pontos. Até o início da rodada do último final de semana, a 26ª rodada, o líder era o Hertha Berlim. Mas os berlinenses perderam a liderança obtida na 20ª rodada e uma invencibilidade em jogos dentro de casa que durava pouco mais de seis meses, na derrota por 3-1 em casa frente ao Dortmund. Equipes competitivas nas últimas temporadas, Schalke 04 e Werder Bremen – respectivamente, oitavo e décimo – ainda são meros figurantes na Bundesliga 2008/09.Indiscutívelmente, o atual campeão Bayern é a equipe mais forte do campeonato, tecnicamente falando. Mas Klinsmann não consegue fazer aos bávaros jogarem bem contra os mais fortes nesta temporada. Na quarta colocação com 48 pontos e apenas a três dos líderes Wolfsburg e Hamburgo, os comandados de Klinsi não obtiveram nenhuma vitória contra os postulantes ao título alemão neste segundo turno: derrotas para o Hamburgo (2º), Hertha (3º) e Wolfsburg (1º) tiraram pontos importantes, que certamente colocariam a equipe na rota da liderança. Mesmo com as goleadas sofridas nas duas últimas partidas – 5-1 para o Wolfsburg e 4-0 para o Barcelona, pela Champions -, do meio para a frente, o Bayern tem enorme potencial. O grande desafio para Klinsmann – que começa a balançar no cargo – é arrumar a defesa, que quando Lúcio não atua, fica carente de nomes confiáveis, já que Demichelis e Van Buyten não inspiram confiança e Breno ainda é muito jovem e começa a ser inserido aos poucos na equipe.

A mais nova “surpresa” da Bundesliga é o Wolfsburg. Apenas o nono colocado ao final do primeiro turno, com 26 pontos, os Wolves chegaram à liderança de forma espetacular: após o empate em 1-1 com o Colônia, na primeira rodada do returno, a equipe comandada por Felix Magath venceu os outros oito jogos, enfrentando figurões do naipe de Hertha Berlim, Hamburgo, Schalke e Bayern. A grande melhora da performance no ataque é a maior responsável pela chegada ao topo. Comandadas pela dupla composta por Grafite e o bósnio Edin Dzeko, o Wolfsburg marcou 23 gols no returno – 19 marcados pela dupla – e sofreu apenas sete. Se mantiver a regularidade, visto que enfrentou a maioria de seus concorrentes direto ao título, a equipe de Magath tem grandes chances de conquistar o título. É torcer para que a base titular da equipe – composta por nomes como o zagueiro Andrea Barzagli, os meias Josué, Dejagah e Misimovic, além de Dzeko e Grafite – não sofra contusões graves, já que o elenco da equipe não é tão vasto. Mais impressionante ainda é o ótimo momento de Grafite, principal jogador do Wolfsburg e forte candidato ao posto dos melhores do certame alemão. São impressionantes 20 gols em 17 partidas, o que lhe garante atualmente o posto de maior goleador da Bundesliga.

Outra grata surpresa é o Hertha Berlim, décimo colocado na temporada passada. Há quase 80 anos sem um título nacional, a equipe da capital mostra consistência para brigar pela taça. Na liderança das seis últimas rodadas, o Hertha vacilou nos dois últimos jogos e perdeu a vantagem de quatro pontos na liderança, caindo para o terceiro posto, com 49 pontos. Mesmo equipes que sofrem com a irregularidade, como o Bayern, Stuttgart e o Hoffenheim ainda podem apimentar a disputa pela liderança e a luta pelas vagas na próxima Champions e na Liga Europa (atual Copa da UEFA). O caso do Hoffenheim é mais complicado, pois o time perdeu seu principal jogador – o atacante bósnio Vedad Ibisevic, vice-artilheiro com 18 gols – pelo resto da temporada, devido a uma contusão durante um amistoso contra o Hamburgo, em janeiro. Sem vencer há oito rodadas, o Hoffe parece fadado a brigar pela Liga Europa. Frustração por um lado, pois a equipe foi a campeã do primeiro turno. Alegria por outro, por disputar uma competição continental logo após sua estréia na Primeirona alemã.

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Por enquanto, um rascunho

8 01 2009
Em alta, Grafite vira garoto-propaganda de empresa de cartão de crédito: Mesmo podado por algumas contusões, o brasileiro é a principal peça do Wolfsburg nesta temporada.

Nessa inconstância de se encontrar um camisa nove para a Seleção, muitos jogadores medianos/bons são testados por Dunga ou ventilados pela imprensa: Luis Fabiano – que apesar da recente fase irregular, é o camisa nove do Brasil graças as suas boas atuações com a amarelinha; Amauri, que não sabe se defende o amarelo canarinho ou a Azzurra; Vagner Love teve suas chances e não convenceu, mas segue arrebentando na Rússia e seu destino aponta para um centro maior; Opções mais jovens e promissoras como Nilmar e Pato podem começar a maturar em breve. Mas há um nome que quase ninguém se lembra, que vem galgando seu lugares entre os goleadores brasileiros na Europa desta temporada: o “operário Grafite”.

Se o Wolfsburg não faz campanha brilhante na Bundesliga (nono lugar, 26 pontos), Grafite já alcança o posto como o destaque do time e um dos melhores atacantes do futebol alemão na atualidade. Mesmo com algumas contusões durante o primeiro turno – vencido pelo surpreendente Hoffenheim – Grafite manteve ótima média quando esteve em campo: nada menos que 11 gols em 11 partidas, o que lhe dá o terceiro posto na tabela de artilheiros da liga alemã.

Com passagens pelo Santa Cruz e Grêmio, estourou no Brasil jogando pelo bom time do Goiás de 2003. Naquele campeonato, o então vencedor da Bola de Prata chamou a atenção do São Paulo, que trouxe um pacote de reforços daquele time esmeraldino, composto além de Grafite, por Josué e Fabão – que formariam a base do São Paulo campeão da Libertadores e do Mundial de clubes da FIFA em 2005, da qual foi uma das principais peças.

Transferido ao Le Mans no início de 2006, Grafite obteve algum destaque na Ligue 1, chamando a atenção dos Wolfes em agosto de 2007 por cerca de 8milhões de euros. Mesmo em um time médio da Alemanha, o camisa 23 conseguiu obter destaque – 35 jogos na Bundesliga, 22 gols – convertendo-se na principal peça da equipe dirigida por Felix Magath.

Claro que é euforia pedir uma vaga na Seleção para Grafite. Mas a trajetória européia do jogador se assemelha a de Amauri, que passou por uma série de equipes menores da Itália até estourar no mediano Palermo e chegar até a Juventus, com todos os méritos. Se Grafite – de 29 anos, contra 28 de Amauri – continuar mantendo a boa média, atuar com mais regularidade e sem contusões, logo ele poderá chegar a uma equipe de maiores pretensões. E o operário Grafite, apesar de não ser um atacante brilhante, joga com seriedade, tem boa velocidade e bom jogo aéreo. Logo, poderá se tornar uma boa opção e mais cogitado.





De pé, Hoffe

7 12 2008
Após dois meses do post exaltando o feito do Hoffenheim, caçula da Bundesliga, os comandados de Ralf Rangnick protagonizaram outro feito notável do Hoffe: o embate de igual para igual diante do Bayern de Munique em plena Allianz Arena. Na liderança e com três pontos de vantagem diante dos bávaros, um empate manteria o Hoffe na liderança isolada, com vantagem sobreos comandados de Klinsmann.

E o que se viu foi um time de personalidade e jogando de acordo com sua atual condição – a de líder da Bundesliga. A regularidade e a juventude do Hoffenheim – que venceu oito das últimas nove partidas – e a recuperação do experiente e técnico Bayern após um mau início – invicto há nove partidas – foram postas à prova. Como destacou Lédio Carmona no blog Jogo Aberto, a transmissão da partida atraiu os mais diversos olhares do mundo da bola, já que a partida foi transmitida para quase 170 países do globo, recorde da competição.

Merecedor de pelo menos um empate e suportando a pressão de jogar em Munique, o jovem conjunto do Hoffenheim mostrava-se efetivo mais uma vez. Com Carlos Eduardo e Luiz Gustavo como titulares, a equipe saiu na frente com o bósnio Vedad Ibisevic, artilheiro da Bundesliga com 18 gols – sete à frente do segundo colocado – e selou a boa fase como um dos atacantes mais efeitvos das ligas de ponta da Europa. O empate após chute desviado de Lahm e o gol de Toni nos acréscimos não foram de grande justiça aos caçulas da Bundesliga, mas provaram que neste momento, o Bayern tem um jovem rival que realmente o incomoda na Alemanha. “Foi um jogo difícil para nós. O Hoffenheim provou que eles podem chegar lá em cima. A vitória foi importante e nos dá uma motivação”, confirma Klose, dando a dimensão da vitória ao Bayern, que até há pouco tempo era contestado pelo seu desempenho, personalizada na figura do técnico Jürgen Klinsmann, como em um dèja vú do que já lhe aconteceu quando dirigiu a Alemanha, na Copa de 2006.

Claro que a tendência dos bávaros é de se recuperar em breve – até pela melhor qualidade e variabilidade do elenco em relação aos rivais – mas é louvável ver um pequeno dando tanto trabalho ao supercampeão Bayern, enquanto que times do porte de Werder, Stuttgart e Hamburgo pecam pela irregularidade e decepcionam, mais uma vez.





Noviços rebeldes

7 10 2008
O caçula Hoffenheim chega à vice-liderança da Bundesliga: resultado de muitos investimentos, que fizeram o time chegar rapidamente a principal divisão do país.

Centenários, porém debutantes, Hoffenheim e Hull City estão dando o que falar em dois dos principais campeonatos do Velho Continente: Bundesliga e Premier League, que assistem ao galopar de duas zebras. O Hoffe só não está na liderança da competição graças a uma vitória no sufoco do concorrente direto Hamburgo, mas segue firme na classificação no segundo posto. Já os Tigers subiram de produção graças a dois êxitos em Londres: o primeiro, na surpreendente vitória contra o Arsenal por 2-1 em pleno Emirates Stadium, e o segundo na vitória pelo placar mínimo sobre o combalido Tottenham. Até onde os caçulas da primeira divisão de Alemanha e Inglaterra podem surpreender e dar trabalho às potências?

Mesmo com a coincidência de boas campanhas e da estréia na principal competição nacional de seus países de origem, as duas equipes têm trajetórias distintas. O Hoffenheim tem um mecenas, Dietmar Hopp. No entanto, o alemão não parece fazer o tipo “investidor aventureiro” que veio de um lugar distante, sem raízes com o clube, mas ainda sim um aficcionado por ele. Hopp adquiriu o controle financeiro do clube em 1990, por conta do vínculo afetivo com o clube, o qual frequentava em sua juventude. Mais tarde e já como engenheiro, fundou em 1972 a empresa de softwares SAP ao lado de outros colegas, todos dissidentes da IBM alemã. Atualmente, a SAP é a maior empresa produtora de softwares da Europa, o que possibilitou a Hopp construir fortuna estimada em cerca de US$ 1 bi, segundo a lista de bilionários da Revista Forbes.

Sempre atuando por divisões regionais da Alemanha, aos poucos a equipe foi galgando espaços no futebol alemão, com acessos meteóricos a partir de 2000, onde disputava o equivalente a quarta divisão local. Na disputa pela segundona a partir de 2006/07, Hopp resolveu investir alto em jovens promissores do futebol. Foi quando ele gastou cerca de 8 milhões de euros para trazer o promissor meia Carlos Eduardo, então vice-campeão sul-americano com o Grêmio em 2007, além dos atacantes africanos Demba Ba e Chinedu Obasi (medalha de prata em Pequim com a Nigéria) e do goleiro Ramazan Özcan (terceiro goleiro da Áustria na Euro 2008), pilares da boa campanha na temporada passada, quando o Hoffe ficou na segunda colocação da 2.Bundesliga. Aportando na Bundesliga, proporcionou jogos com muitos gols, como no fantástico revés de 5-4 sofrido frente ao Werder Bremen – onde chegou a estar vencendo por 4-3 – e na goleada contra o Dortmund por 4-1, mostrando a vocação ofensiva da jovem equipe, com média de idade de apenas 24 anos. Além dos destaques que levaram o Hoffe ao acesso, o atacante bósnio Vedad Ibisevic (ex-Alemannia Aachen) é a grande vedete da equipe até aqui, contribuindo com sete dos 16 gols marcados, o que o coloca como um dos artilheiros do campeonato até a sétima rodada, onde o time figura no segundo posto, com 13 pontos e apenas duas derrotas.

Já o Hull City, fundado no início do século, sempre perambulou pelas divisões intermediárias da Inglaterra. Sua maior conquista antes do acesso à Premier League havia sido o título da terceira divisão inglesa em 1965/66. E a partir dos anos 80, os Tigers começaram a atravessar grave crise financeira, salvos pela intervenção do ex-diretor do Leeds, Adam Pearson, que ajudou a sanar as contas do clube e viu a equipe se reerguer aos poucos, a partir do fim da década de 90. Em cinco anos, o Hull ascendeu da terceira para a primeira divisão, ao vencer o playoff de acesso contra o Bristol City em 2007/08, após terminar em terceiro na fase de pontos corridos.

No entanto, mesmo com o êxtase de estar na Premier League, o clube fez contratações modestas. Ao contrário do Hoffenheim, o Hull optou por trazer jogadores rodados a preços “modestos”, quando tratamos de cifras na Europa. A contratação mais cara do clube – e dos seus 104 anos de fundação – foi a do zagueiro inglês Anthony Gardner (ex-Portsmouth, 3.200.000 €). Maior destaque da equipe até aqui, o atacante brasileiro Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona, Benfica e Manchester City) veio sem custos para os Tigers. Mesmo assim, vem corrspondendo à aposta do clube, com a artilharia da equipe (três gols, dois deles nas duas últimas rodadas). Além do brasileiro, destaque para o goleiro galês Boaz Myhill, que está no clube desde 2003 e é um dos responsáveis pela trajetória meteórica da equipe rumo à primeirona. É um time modesto e que ainda peca pela instabilidade e falta de equilíbrio entre defesa e ataque, já que mesmo na terceira colocação com 14 pontos, possui saldo de gols negativo (10GP e 11GC). Mesmo assim, já colocou as manguinhas de fora ao bater Arsenal e Tottenham fora de seus domínios e só perdendo uma partida em sete disputadas – goleado em casa pelo Wigan por 5-0

Além da excelente fase, ambos desfrutam de audaciosos projetos de estádios. Enquanto o Hull City atua no KC Stadium, com capacidade para 25 mil torcedores e inaugurado em 2002, o Hoffenheim está construindo uma arena com capacidade para 30 mil torcedores em Heidelberg, prevista para janeiro de 2009. O “velho” Dietmar-Hopp Stadion, construído em 1999, não atende às exigências da Bundesliga, já que possui apenas 5000 lugares. Atualmente, a equipe manda suas partidas em Mannheim, no Carl-Benz Stadion, de 26 mil lugares.

Analisando as chances dos novatos, o time do Hull é bem modesto e não deve fazer papel relevante no Inglês em um futuro próximo. A manutenção na Premier League já seria uma vitória, mesmo contando com um time mais experiente, porém limitado tecnicamente. Já o Hoffenheim, com maiores investimentos na base jovem, pode inspirar-se em seu vizinho Karlsruher – do mesmo estado alemão de Baden-Württemberg, ao sul da Alemanha – que fez uma razoável campanha no mesmo ano de sua promoção à Bundesliga, em 2007/08, quando passou longe da zona de rebaixamento e chegou a sonhar com uma vaga na Copa UEFA. Em campeonatos onde o abismo entre grandes e pequenos é enorme, não é curioso deixar de pensar o incômodo que esses nanicos estão trazendo. Pelo menos, provisoriamente.