Carrossel Alemão

10 04 2009
Principal responsável pela ascensão do Wolfsburg à liderança, Grafite marca golaço diante da confusa defesa do outrora poderoso Bayern de Munique.

Que a Premier League é o campeonato de maior nível técnico na Europa, é quase que consenso entre torcedores e jornalistas. Mas emoção e muita disputa mesmo é na Bundesliga, certamente a mais competitiva das últimas temporadas. A goleada do Wolfsburg sobre o Bayern de Munique por 5-1 na última rodada levou os Wolves à liderança do certame alemão, convertendo-se na sexta equipe diferente a ocupar a ponta da tabela. A diferença entre o Wolfsburg (51 pontos) e o campeão de inverno Hoffenhein – atualmente, quinto colocado – é de apenas sete pontos. Até o início da rodada do último final de semana, a 26ª rodada, o líder era o Hertha Berlim. Mas os berlinenses perderam a liderança obtida na 20ª rodada e uma invencibilidade em jogos dentro de casa que durava pouco mais de seis meses, na derrota por 3-1 em casa frente ao Dortmund. Equipes competitivas nas últimas temporadas, Schalke 04 e Werder Bremen – respectivamente, oitavo e décimo – ainda são meros figurantes na Bundesliga 2008/09.Indiscutívelmente, o atual campeão Bayern é a equipe mais forte do campeonato, tecnicamente falando. Mas Klinsmann não consegue fazer aos bávaros jogarem bem contra os mais fortes nesta temporada. Na quarta colocação com 48 pontos e apenas a três dos líderes Wolfsburg e Hamburgo, os comandados de Klinsi não obtiveram nenhuma vitória contra os postulantes ao título alemão neste segundo turno: derrotas para o Hamburgo (2º), Hertha (3º) e Wolfsburg (1º) tiraram pontos importantes, que certamente colocariam a equipe na rota da liderança. Mesmo com as goleadas sofridas nas duas últimas partidas – 5-1 para o Wolfsburg e 4-0 para o Barcelona, pela Champions -, do meio para a frente, o Bayern tem enorme potencial. O grande desafio para Klinsmann – que começa a balançar no cargo – é arrumar a defesa, que quando Lúcio não atua, fica carente de nomes confiáveis, já que Demichelis e Van Buyten não inspiram confiança e Breno ainda é muito jovem e começa a ser inserido aos poucos na equipe.

A mais nova “surpresa” da Bundesliga é o Wolfsburg. Apenas o nono colocado ao final do primeiro turno, com 26 pontos, os Wolves chegaram à liderança de forma espetacular: após o empate em 1-1 com o Colônia, na primeira rodada do returno, a equipe comandada por Felix Magath venceu os outros oito jogos, enfrentando figurões do naipe de Hertha Berlim, Hamburgo, Schalke e Bayern. A grande melhora da performance no ataque é a maior responsável pela chegada ao topo. Comandadas pela dupla composta por Grafite e o bósnio Edin Dzeko, o Wolfsburg marcou 23 gols no returno – 19 marcados pela dupla – e sofreu apenas sete. Se mantiver a regularidade, visto que enfrentou a maioria de seus concorrentes direto ao título, a equipe de Magath tem grandes chances de conquistar o título. É torcer para que a base titular da equipe – composta por nomes como o zagueiro Andrea Barzagli, os meias Josué, Dejagah e Misimovic, além de Dzeko e Grafite – não sofra contusões graves, já que o elenco da equipe não é tão vasto. Mais impressionante ainda é o ótimo momento de Grafite, principal jogador do Wolfsburg e forte candidato ao posto dos melhores do certame alemão. São impressionantes 20 gols em 17 partidas, o que lhe garante atualmente o posto de maior goleador da Bundesliga.

Outra grata surpresa é o Hertha Berlim, décimo colocado na temporada passada. Há quase 80 anos sem um título nacional, a equipe da capital mostra consistência para brigar pela taça. Na liderança das seis últimas rodadas, o Hertha vacilou nos dois últimos jogos e perdeu a vantagem de quatro pontos na liderança, caindo para o terceiro posto, com 49 pontos. Mesmo equipes que sofrem com a irregularidade, como o Bayern, Stuttgart e o Hoffenheim ainda podem apimentar a disputa pela liderança e a luta pelas vagas na próxima Champions e na Liga Europa (atual Copa da UEFA). O caso do Hoffenheim é mais complicado, pois o time perdeu seu principal jogador – o atacante bósnio Vedad Ibisevic, vice-artilheiro com 18 gols – pelo resto da temporada, devido a uma contusão durante um amistoso contra o Hamburgo, em janeiro. Sem vencer há oito rodadas, o Hoffe parece fadado a brigar pela Liga Europa. Frustração por um lado, pois a equipe foi a campeã do primeiro turno. Alegria por outro, por disputar uma competição continental logo após sua estréia na Primeirona alemã.

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De pé, Hoffe

7 12 2008
Após dois meses do post exaltando o feito do Hoffenheim, caçula da Bundesliga, os comandados de Ralf Rangnick protagonizaram outro feito notável do Hoffe: o embate de igual para igual diante do Bayern de Munique em plena Allianz Arena. Na liderança e com três pontos de vantagem diante dos bávaros, um empate manteria o Hoffe na liderança isolada, com vantagem sobreos comandados de Klinsmann.

E o que se viu foi um time de personalidade e jogando de acordo com sua atual condição – a de líder da Bundesliga. A regularidade e a juventude do Hoffenheim – que venceu oito das últimas nove partidas – e a recuperação do experiente e técnico Bayern após um mau início – invicto há nove partidas – foram postas à prova. Como destacou Lédio Carmona no blog Jogo Aberto, a transmissão da partida atraiu os mais diversos olhares do mundo da bola, já que a partida foi transmitida para quase 170 países do globo, recorde da competição.

Merecedor de pelo menos um empate e suportando a pressão de jogar em Munique, o jovem conjunto do Hoffenheim mostrava-se efetivo mais uma vez. Com Carlos Eduardo e Luiz Gustavo como titulares, a equipe saiu na frente com o bósnio Vedad Ibisevic, artilheiro da Bundesliga com 18 gols – sete à frente do segundo colocado – e selou a boa fase como um dos atacantes mais efeitvos das ligas de ponta da Europa. O empate após chute desviado de Lahm e o gol de Toni nos acréscimos não foram de grande justiça aos caçulas da Bundesliga, mas provaram que neste momento, o Bayern tem um jovem rival que realmente o incomoda na Alemanha. “Foi um jogo difícil para nós. O Hoffenheim provou que eles podem chegar lá em cima. A vitória foi importante e nos dá uma motivação”, confirma Klose, dando a dimensão da vitória ao Bayern, que até há pouco tempo era contestado pelo seu desempenho, personalizada na figura do técnico Jürgen Klinsmann, como em um dèja vú do que já lhe aconteceu quando dirigiu a Alemanha, na Copa de 2006.

Claro que a tendência dos bávaros é de se recuperar em breve – até pela melhor qualidade e variabilidade do elenco em relação aos rivais – mas é louvável ver um pequeno dando tanto trabalho ao supercampeão Bayern, enquanto que times do porte de Werder, Stuttgart e Hamburgo pecam pela irregularidade e decepcionam, mais uma vez.