English Champions League

15 03 2009
Após os resultados dos confrontos válidos pelas oitavas de final da Champions League, algo fica incontestável: a supremacia inglesa na mais importante competição entre clubes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, todos os clubes ingleses que iniciaram a fase de grupos chegam vivos até as quartas-de-final. Novamente, 50% da Champions é dos ingleses. Nos confrontos com os campeões das principais ligas rivais à Premier League, eliminação relativamente fácil.
Nos confrontos contra o bicampeão espanhol Real Madrid, o Liverpool não encontrou maiores dificuldades. A maior tradição do Real – nove títulos contra cinco dos Reds – não foi suficiente frente a equipe comandada por Rafa Benítez, uma especialista nos confrontos eliminatórios nesta década. E o Real Madrid amargou a quinta eliminação consecutiva na fase de oitavas, mostrando um futebol apático, mesmo com a melhora de produção da equipe na liga espanhola após a chegada de Juande Ramos. Já a tricampeã Inter de José Mourinho sucumbiu facilmente diante do atual campeão Manchester United. Mesmo sem um largo placar agregado no confronto (2-0), o Manchester mostrou grande superioridade frente aos interistas. Na primeira partida disputada no Giuseppe Meazza, os Red Devils só não saíram com a vitória graças a brilhante atuação do goleiro Júlio César. Em Old Trafford, a Inter tentou segurar o ímpeto dos ingleses entrando apenas com um atacante, apostando no embate entre meio-campistas para equiparar o encontro. No entanto, o ímpeto do United foi avassalador e a Inter só não saiu goleada graças a Júlio César, novamente.

O equilíbrio entre Chelsea e Juventus foi grande nas duas partidas. E mesmo com Guus Hiddink iniciando agora seu trabalho nos Blues, conseguiu levar o confronto nos detalhes. O mais frágil e que atravessa fase mais delicada entre os ingleses nesse momento, o Arsenal, ainda conseguiu arrancar uma dramática classificação nos pênaltis. Mas desfalcado de seu principal jogador – Fabregas volta aos campos em abril – e com a má fase de Adebayor, os jovens do Arsenal torcem pela sorte nas bolinhas para enfrentarem um adversário mais frágil – neste caso, Porto ou Villarreal – para seguir em frente. Com a classificação dos quatro ingleses, os ingleses atestam sua supremacia nas quartas-de-final pelo terceiro ano consecutivo: foram três clubes em 2006/07 e os quatro que iniciaram a competição em 2007/08 e 2008/09, contrastando com o único inglês presente em 2005/06 – o Arsenal, derrotado na final contra o Barcelona.Aliás, penso que o Barcelona é o único time capaz de enfrentar a força dos ingleses de igual para igual. Apesar de não ser uma equipe equilibrada como um Manchester United, o Barça joga o futebol mais vistoso entre os europeus, com o tridente Messi-Henry-Eto’o em grande fase e com diversas opções de meio campo, como Xavi, Keita, Yaya Touré, Iniesta, Hleb e Busquets. Mas a defesa é o ponto falho dos catalães – a segunda mais vazada entre os oito finalistas, com nove gols -, que ainda possuem no gol um inconstante Victor Valdés. O Bayern é outro que se apresenta um baita pedregulho aos ingleses. Melhor ataque entre os sobreviventes – 24 gols, 12 nos últimos dois jogos – o tridente Ribéry-Toni-Klose é o ponto forte da equipe. Mas se confrontar os ingleses, os bávaros estarão diante do primeiro adversário mais qualificado nesta Champions, já que o caminho do Bayern até aqui na competição foi tranquilo.

Enquanto isso, na Itália…

Os clubes italianos não conseguiram classificar nenhum representante para esta fase desta Champions. O mau desempenho dos clubes italianos nesta fase piora gradualmente: três representantes em 2005/06, dois em 2006/07 e apenas um em 2007/08. O enfraquecimento dos clubes locais – apesar do título do Milan em 2006/07 com contribuição decisiva e brilhante de Kaká – aconteceu após o escândalo do Calciocaos que explodiu no futebol italiano, em 2006. Tanto é que na Copa UEFA, há apenas um representante italiano nas oitavas – a Udinese, que venceu o primeiro confronto contra o atual campeão Zenit por 2-0 -, já que Fiorentina, Milan e Sampdoria foram eliminados no início do mata-mata da competição (por Ajax, Werder Bremen e Metalist/UCR, respectivamente). O fortalecimento da Inter e o enfraquecimento dos outros grandes – ao menos, por ora – contribuíram para a queda do nível técnico do Calcio. E fora da Itália, a Inter vem colecionando diversas decepções quando falamos em Champions, mesmo com bons times.

A chance de pelo menos dois ingleses nas semifinais é enorme, dependendo do sorteio dos confrontos que será realizado no próximo dia 20 de março. E conforme a dança das bolinhas, a chance de uma segunda final inglesa consecutiva na Champions aumenta consideralvelmente.





Renascimento

12 03 2009
Não, este não é mais um texto sobre a nova volta de Ronaldo, mas também envolve um atacante de camisa nove, com feitos bem mais modestos no futebol que o Fenômeno. Há pouco mais de um ano, após entrada violentíssima do zagueiro Martin Taylor, o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva teve a contusão mais grave de sua carreira: fraturou gravemente a perna na altura do tornozelo, numa das imagens mais fortes ocorridas no futebol em 2008. À época, o camisa nove do Arsenal poderia até ter a perna amputada, o que só não aconteceu graças a rápida e eficiente intervenção da equipe médica do clube, ainda dentro de campo na prestação dos primeiros socorros. A grave contusão custou a Eduardo a última Eurocopa, da qual seria fatalmente titular na seleção croata comandada por Slaven Bilic.Após uma lenta  recuperação de quase um ano, o atleta de 26 anos retornou aos Gunners oficialmente em 16 de fevereiro, a pouco mais de uma semana de seu aniversário, em partida válida pela FA Cup (Copa da Inglaterra) diante do Cardiff. Marcou dois gols – um de cabeça e outro em penalidade sofrida por ele mesmo -, na vitória por 4-0. No entanto, acabou distendendo um músculo da perna, foi substituído e ficou mais três semanas no departamento médico. Refeito da nova lesão, voltou ao time comandado por Arsène Wenger novamente em uma partida da Copa da Inglaterra, desta vez diante do Burnley neste último domingo. Atuando com a equipe recheada de reservas – visando a partida deste meio de semana contra a Roma, pela Champions – Eduardo entrou desde o começo da partida, com a tarja de capitão. Apesar da fragilidade dos Clarets – na sétima posição da segunda divisão inglesa – Eduardo atuou bem a vontade e foi um dos destaques da vitória por 3-0, marcando um golaço de “parafuso” no ângulo do goleiro Jensen. Explico: apesar de já ter marcado um gol com a perna que havia sido contundida – a esquerda -, o tento foi através de pênalti. No lance contra o Burnley, Eduardo pegou o cruzamento de Song de primeira com a parte de fora do pé esquerdo, quando o mais lógico seria virar o corpo para “chapar” a bola ou mesmo chutar de direita. justo na parte afetada pela fratura, até soando como uma resposta para quem ainda duvidava de sua condição de jogo, pois o chute foi totalmente consciente.

A volta ainda é gradual. Mas com Eduardo com ritmo de jogo, será de grande valia ao Arsenal, que ainda luta para prosseguir na Champions (venceu o primeiro duelo das oitavas contra a Roma por 1-0) e para buscar uma colocação melhor na Premier League, onde faz campanha irregular e é apenas quinto, atrás do Aston Villa. Já que a onda agora é falar de Ronaldo e o início de seu terceiro “renascimento”, nada como nos espelharmos no caso de Eduardo, que mostra mais um exemplo de superação.

Gol de “parafuso” marcado por Eduardo da Silva contra o Burnley