Reforço nas passarelas

26 12 2008
A chegada de David Beckham ao Milan nesta última semana foi cercada de alarde, flashes e diversos patrocínios na coletiva de imprensa italiana. Mas será que para a equipe rossonera é um bom reforço? Cravo de antemão que não. Becks venderá muito jornal, camisa e produtos adjacentes na capital da moda, Milão. Mas futebol mesmo que é bom, parece que não será de grande valia ao ameaçado técnico Carlo Ancelotti.

A estadia de apenas dois meses – tempo do recesso da MLS, onde atua pelo Los Angeles Galaxy – não é um tempo razoável, quando tratamos de Europa. O campeonato Italiano e a Copa da UEFA – principais competições que a equipe disputa – acabam em maio, sendo que o empréstimo do camisa 32 termina no início de março. É certo que o Milan tentará uma prorrogação, mas o Galaxy não parece disposto a entregar seu investimento e perdê-lo na MLS, onde apenas é um time mediano.Além disso, Carlo Ancelotti é um conhecido retranqueiro. Para encaixar Beckham no time, ele certamente teria de abrir mão de algum homem de frente. Com a contusão de Gattuso – que ficará fora dos campos por seis meses – o técnico não parece acenar com uma mudança no trio brasileiro Ronaldinho-Kaká-Pato, o grande trunfo da equipe nesta temporada. Pirlo desenvolve função tática importante e normalmente joga, assim como Seedorf. Flamini, Emerson e Ambrosini estavam se alternando na cabeça de área. Se Beckham fosse encaixado como titular, ele teria que atuar como uma espécie de segundo volante, o que certamente não é a praia dele. Mesmo na boa fase, o inglês sempre atuou apenas pela faixa direita do campo, contribuindo com passes, lançamentos longos e sendo letal na bola parada.

Por isso, é reforço fora de hora. O Milan vive problemas graves no miolo de zaga, onde o veterano Maldini precisa de zagueiros seguros e de qualidade para atuar ao lado dele. No gol, ninguém convence mais. Abbiati não compromete, mas não é excepcional, enquanto que Dida e Kalac perderam espaço por não passarem mais tranqüilidade à zaga. A goleada de 5-1 sobre a Udinese neste último domingo não apagou ainda a péssima jornada da zaga rossonera, dizimada na semana anterior quando confrontou uma equipe mais ofensiva e qualificada, como a Juventus de Del Piero e Amauri.

Não que Beckham seja um mau jogador. Não é nenhum fora de série, mas nunca comprometeu e até foi importante no período em que atuou pelo Manchester United e pelo English Team. No entanto, com o fracasso no time galáctico do Real Madrid, ele abriu mão do futebol competitivo e foi ganhar os dólares em Hollywood, no Galaxy, onde foi só notícia nos factóides de fofoca. Chega ao Milan para engrossar a média de idade do time (o inglês está com 33 anos) que já é a maior entre as grandes potências européias. Para um time que depende em grande parte de Kaká, e agora com Ronaldinho e Pato se estabilizando na equipe, é notório que a equipe precisa ser renovada na parte defensiva. Além disso, Beckham parece mais interessado nos flashes de Milão do que nos holofotes do San Siro. Ou seja, um grande reforço para as passarelas milanesas.





O Mundo é vermelho

23 12 2008
Manchester United comemora tríplice coroa: campeão inglês, europeu e neste último domingo, mundial.

O Manchester United encerra o ano de 2008 com mais um título, o Mundial de Clubes da FIFA. Nada mais justo para um time que é o atual campeão inglês e da Europa e que aperfeiçoou suas pontos fracos em relação a temporada 2006/07, época em que foi batido nas semi-finais da Champions pelo Milan de Kaká.

A LDU mostrou brio mas sucumbiu diante de uma equipe bem postada em campo e que sempre buscou o gol, mesmo quando ficou com um homem a menos, por conta da expulsão de Vidic no início do segundo tempo. Ferguson montou um elenco onde há opções em todos os setores e mesmo com um badalado Cristiano Ronaldo, é um time compacto e coeso, sem vaidades e sem atuar apenas em função do português.Os 38 anos não impedem Van der Sar de fazer grandes apresentações e salvar os Red Devils, como nas grandes defesas em chutes do meia Manso, da LDU. Além da boa defesa de Ferdinand e Vidic, a evolução dos laterais Evra e Rafael (que cada vez mais vai se firmando como boa opção na ala direita) é notória e benéfica. Não há elenco de tanta qualidade no futebol atual quando tratamos das opções de meia e de frente. Carrick, Scholes, Hargreaves, Anderson, Park, Fletcher, Nani, Giggs, Ronaldo, Tevez, Rooney, Berbatov. A maioria deles não deixa a peteca cair e os que são mais limitados tecnicamente quando entram, não compromete e correspondem. Atualmente, só o Barcelona se equipara ao United no quesito saída de bola e transição ao ataque. A regularidade na rotação de jogadores e o equilíbrio entre defesa e ataque são os grandes trunfos da equipe comandanda por Ferguson.

Muitos acharam que o Manchester iria ao Japão para passear e não levar a sério o Mundial da FIFA. Mas a exemplo de 2007 – quando o Milan bateu com justiça o Boca – o Manchester mostrou profissionalismo e jogou como campeão diante dos equatorianos, bombardeados a todo momento com jogadas de Ronaldo e Rooney. O atacante inglês, eleito o melhor em campo, ratificou sua excelente fase com a artilharia da competição assim como o português, que aos poucos vai voltando a forma que o consagrou na primeira metade de 2008 e que possivelmente lhe dará o título de melhor atleta do ano pela FIFA. A dobradinha Rooney/Ronaldo agora tem a missão de levar o United na caça à liderança da Premier League, onde teve um começo irregular e atualmente é o quarto colocado, com três jogos a menos que seus principais concorrentes, Liverpool e Chelsea. Na Champions, enfrentará a perigosa, porém irregular Inter, de José Mourinho.

Mesmo com torcida e imprensa da Europa não dando tanto valor ao título conquistado neste domingo, o Manchester United fecha o ano de forma impecável. Ratificou sua condição de melhor time do mundo e com o melhor jogador do mundo defendendo suas cores.





Faltou ele

16 12 2008
Que as listas e prêmios da FIFA – de qualquer natureza – causam inúmeras discussões e polêmicas entre o mundo da bola, isso é visível. As listas do ranking da FIFA de seleções sempre causam polêmica, quase sempre pela visão “europeizada” da entidade. A eleição de melhor atleta do ano causa o mesmo tipo de impacto e sempre se tem a impressão de que alguém está sendo injustiçado.
Como já expus aqui no blog sobre o prêmio, Cristiano Ronaldo merece ser eleito o melhor do mundo. Os êxitos do Manchester na temporada passada tiveram como principal protagonista o português, que em grande forma anotou 42 gols nas principais competições de 2007/08. No entanto, a contusão nesta última pré-temporada e o posterior retorno irregular aliadas a má campanha de Portugal na Eurocopa são os argumentos para que os defensores dos outros postulantes ao prêmio não simpatizem com a escolha de Ronaldo, grande favorito ao título em 2008.

Claro que a eleição deve premiar a regularidade e a produtividade dos atletas. Como o Barcelona em 2007/08, Messi não foi regular, mas teve lampejos de bom futebol. Mas em 2008/09, Messi – assim como o Barça – vem comendo a bola e encantando a todos. Candidato a principal protagonista na Copa de 2010, na minha visão, Messi pode não ter sido o melhor e mais constante em 2008, mas com certeza ele “está” melhor do mundo. É um grande trunfo para o futuro e, em breve, deve abocanhar a alcunha de melhor do mundo de forma incontestável.

Fora o nome em comum de Messi e Cristiano Ronaldo, os outros nomes causam discódia e muitas discussões. Os eleitos pela FIFA para concorrer aos citados neste post – Xavi, Torres e Kaká- têm suas qualidades, mas acho que só o volante/meia do Barcelona é regular e eficiente neste ano para figurar nessa lista. Trata-se de um dos principais jogadores dos blaugranas há tempos e jogou muita bola na Eurocopa, onde foi o melhor jogador na conquista da Espanha. Já as escolhas de Torres e Kaká parecem mais média do que mérito. Torres fez uma boa primeira temporada de adaptação ao futebol inglês e teve sua cota de participação no êxito espanhol na Euro, mas não foi acima da média. Tal qual como Kaká, que ao contrário do ano passado, quando comeu a bola e ganhou o prêmio de forma incontestável, ele ficou abaixo da média em 2008, tanto por conta da contusão que o acometeu, quanto pelo fracasso com o Milan, onde o time rossoneri não foi capaz nem de se classificar para a Champions League desta temporada.

Por tudo isso, faltou Ibrahimovic na lista dos cinco (anteriormente, eram só três). Principal jogador da Inter desde que se adaptou à equipe (transferido da Juventus por conta do escândalo que levou a equipe à segunda divisão), o sueco teve grande contribuição nos últimos scudetos conquistados dentro de campo pelos nerazzurri. De futebol sempre regular, alia a força física a habilidade e oportunismo, algo semelhante a Henry nos bons tempos de Arsenal. Referência no time de José Mourinho, a equipe sempre recorre a ele quando tem de decidir. E quase sempre o sueco correponde. Na vitória deste domingo sobre o Chievo – onde a Inter complicou o jogo ao permitir o empate depois de estar na frente por 2-0 – Ibra mostrou mais uma vez que não foge da raia: marcou os dois gols que deram a vitória a Inter, mostrando muita presença de área no gol de desempate, marcado de cabeça, e no quarto gol, quando acertou uma bomba na meta do goleiro Sorrentino.

Ao fazer média com Kaká ou Torres, a FIFA deixa um jogador como Ibrahimovic de fora de uma lista de melhores atletas do mundo. Apenas por conta de nome ou estritamente dos resultados dos times/seleções dentro de campo. Em um prêmio como esse, a individualidade deve prevalecer sobre a coletividade. E, individualmente, Ibrahimovic já se destaca no futebol há algum tempo.

RELEMBRE:
Zagueiro de Ouro, Cannavaro (2006)
Incontestável, Kaká (2007)





De pé, Hoffe

7 12 2008
Após dois meses do post exaltando o feito do Hoffenheim, caçula da Bundesliga, os comandados de Ralf Rangnick protagonizaram outro feito notável do Hoffe: o embate de igual para igual diante do Bayern de Munique em plena Allianz Arena. Na liderança e com três pontos de vantagem diante dos bávaros, um empate manteria o Hoffe na liderança isolada, com vantagem sobreos comandados de Klinsmann.

E o que se viu foi um time de personalidade e jogando de acordo com sua atual condição – a de líder da Bundesliga. A regularidade e a juventude do Hoffenheim – que venceu oito das últimas nove partidas – e a recuperação do experiente e técnico Bayern após um mau início – invicto há nove partidas – foram postas à prova. Como destacou Lédio Carmona no blog Jogo Aberto, a transmissão da partida atraiu os mais diversos olhares do mundo da bola, já que a partida foi transmitida para quase 170 países do globo, recorde da competição.

Merecedor de pelo menos um empate e suportando a pressão de jogar em Munique, o jovem conjunto do Hoffenheim mostrava-se efetivo mais uma vez. Com Carlos Eduardo e Luiz Gustavo como titulares, a equipe saiu na frente com o bósnio Vedad Ibisevic, artilheiro da Bundesliga com 18 gols – sete à frente do segundo colocado – e selou a boa fase como um dos atacantes mais efeitvos das ligas de ponta da Europa. O empate após chute desviado de Lahm e o gol de Toni nos acréscimos não foram de grande justiça aos caçulas da Bundesliga, mas provaram que neste momento, o Bayern tem um jovem rival que realmente o incomoda na Alemanha. “Foi um jogo difícil para nós. O Hoffenheim provou que eles podem chegar lá em cima. A vitória foi importante e nos dá uma motivação”, confirma Klose, dando a dimensão da vitória ao Bayern, que até há pouco tempo era contestado pelo seu desempenho, personalizada na figura do técnico Jürgen Klinsmann, como em um dèja vú do que já lhe aconteceu quando dirigiu a Alemanha, na Copa de 2006.

Claro que a tendência dos bávaros é de se recuperar em breve – até pela melhor qualidade e variabilidade do elenco em relação aos rivais – mas é louvável ver um pequeno dando tanto trabalho ao supercampeão Bayern, enquanto que times do porte de Werder, Stuttgart e Hamburgo pecam pela irregularidade e decepcionam, mais uma vez.





Ferguson descobre o Brasil

1 12 2008
Que jogador brasileiro é sinônimo de diferencialidade – algo a mais que a pura dedicação tática da maioria dos europeus – é fato. Mesmo assim, o futebol inglês nunca foi um grande utilizador da mão-de-obra dos atletas tupiniquins como Itália, Espanha e Portugal, por exemplo. Mas a história está mudando gradualmente. Nunca a Premier League foi tão brasileira, contando em 2008/09 com 20 atletas (22 se consideramos os naturalizados Deco e Eduardo da Silva) mais o técnico Felipão. Antes dessa verdadeira legião, poucos foram os brasileiros que fizeram sucesso na terra da rainha, como Mirandinha (ex-Palmeiras) na década de 80 pelo Newcastle e Juninho (ex-São Paulo), que teve fagulhas de futebol no Middlesbrough.

Clubes como o Manchester United só contaram com brasileiros recentemente. O primeiro foi Kléberson, ainda embalado pela excelente Copa do Mundo conquistada na Ásia. Em 2003, o volante paranaense teve bom começo no time de Sir Alex Ferguson, mas depois caiu no ostracismo e só reapareceu no Flamengo, neste Brasileirão. Depois do fracasso de Kléberson, Ferguson demorou a utilizar novamente um brasileiro nos Red Devils. O meia Anderson, adquirido junto ao Porto em 2007/08, foi prontamente adaptado ao elenco por Ferguson, chegando a atuar como uma espécie de segundo volante, dando qualidade à saída de bola da equipe nas vezes em que era utilizado. Com isso, o brasileiro ganhou espaço na Seleção de Dunga – fez parte do elenco campeão da Copa América 2007 e do bronze olímpico em Pequim 2008 – e teve sua contribuição na dobradinha na conquista da Premier League e da Champions League na temporada passada.

Inspirados no exemplo de Anderson, outros três brasileiros novatos desembarcaram em Old Trafford: o meia Rodrigo Possebon, 19, e os gêmeos e laterais Fábio e Rafael da Silva, 18. “Apalavrados” desde 2007 em negociação com o Fluminense, os gêmeos só puderam ter sua contratação oficializada em julho deste ano, por conta dos irmãos terem menos de dezoito anos à época. Fábio havia se destacado mais que Rafael na campanha irregular do Brasil no Mundial Sub-17, disputado na Coréia do Sul em 2007, onde a Seleção foi precocemente eliminada nas oitavas por Gana.

Mas a instabilidade na lateral-direita do United, que ora utiliza os improvisados Brown e O’Shea, ora utiliza um Gary Neville de futebol muito limitado devido as recentes contusões, fez com que Rafael fosse sendo inserido gradualmente no time. Com isso, Ferguson vai lançando-o aos poucos na equipe principal. E o lateral vai agradando o chefe. “O garoto é atrevido e tem um grande talento. É um menino corajoso para jogar, sem medo de arriscar as jogadas. Ele tem a famosa mentalidade brasileira do “me dê a bola, quero jogar”, e toda vez que pegamos a bola, ele pede, se apresenta para jogar. É um grande atributo para um jogador jovem” afirmou Ferguson ao GloboEsporte.com, após a boa atuação na derrota do Manchester United para o Arsenal por 2-1, onde o lateral entrou com personalidade e marcou o gol de honra.

Mesmo com apenas 18 anos, Rafael mostra personalidade e bom futebol. Com dificuldades na parte de marcação – como é de praxe na maioria dos alas de qualidade formados no futebol brasileiro – ele vem se aperfeiçoando e ganhando mais espaço na equipe. A prova foi a titularidade no clássico disputado neste domingo frente ao Manchester City, outra legião brasileira em Manchester. Mesmo com o arisco Robinho caindo pelo seu setor, o lateral mostrou bom futebol, apoiou e ainda marcou Robinho em seu campo de defesa, ajudando o United a bater o City por 1-0. Um prodígio para o futuro surge na direita, que atualmente já tem bons nomes como Maicon, Daniel Alves e Rafinha.

Atento, o Manchster United já possui dois olheiros no Brasil em busca de novos Andersons e Rafaéis. Prova disso foi a última investida dos ingleses a respeito da possbilidade de contratação do meia Douglas Costa, revelação precoce do Grêmio. Enquanto isso, o escocês já começa a lapidar um futuro talento, tanto para o Manchester, quanto para a Seleção.

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