Tudo como começou

28 11 2008
Cristiano Ronaldo tenta marcar novamente contra o Villarreal: o português esteve em campo nas quatro partidas sem gol contra os espanhóis.
Muitas vezes, um jogo que termina em zero a zero normalmente não remete a uma partida interessante, principalmente quando as duas equipes não primam pelo poder ofensivo ou pecam pela pela ineficácia dele. Não é o caso de Manchester United e Villarreal, onde o empate em zero a zero em partida válida pelo Grupo E selou a quarta partida entre ambos pela Champions League que terminaram com o mesmo placar. Pouco mais de 360 minutos de futebol e nada de bola na rede, mesmo com muitas oportunidades de gol, dentre elas uma bola na trave de Ronaldo e uma bola tirada em cima da linha por Capdevilla, nesta última partida.

Quando caíram no mesmo grupo em 2005/06, o Submarino Amarillo era apenas debutante na Champions. O empate diante do “poderoso” Manchester United em sua estréia na fase de grupos foi considerado um bom resultado, mesmo jogando no El Madrigal com um jogador a mais, já que Rooney havia sido expulso. Na partida de volta, a penúltima daquele Grupo D, o empate em Old Trafford foi preponderante para a eliminação precoce do elenco dos Red Devils da fase mata-mata naquela competição, já que na partida derradeira foram derrotados por 2-1 pelo Benfica. Jogadores do porte de Van der Sar, Ferdinand, Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy e Rooney acabaram por não conseguir ao menos uma vaga de consolação na Copa UEFA. Em contrapartida, a “zebra” Villarreal conseguiu a classificação no primeiro posto do grupo, em um elenco que contava com nomes do peso de Riquelme, Sorín, Forlán, Gonzalo Rodriguez e Marcos Senna. Aquele time surpreendente quase chegou à final, só parando no pênalti perdido por Riquelme diante do Arsenal nas semi-finais, após ter eliminado Rangers e Inter na fase mata-mata.

Em 2008/09, o Villarreal entrou na Champions como uma equipe mais consolidada, apesar de não ser nenhum grande favorito a levar a taça. Atual vice-campeão espanhol, o time do técnico Manuel Pellegrini – que comandou a equipe nos quatro confrontos, assim como Ferguson pelo Manchester – conseguiu montar uma equipe bem mesclada, com nomes de experiência como Pires, Senna, Edmílson e Rodriguez a juventude de Rossi, Fernández e Eguren. Mesmo com um Villarreal melhor e um Manchester já consolidado pelo conjunto atual campeão europeu, conhecido pelo futebol ofensivo, o jogo novamente não saiu do zero. No mesmo Madrigal onde os dois se enfrentaram pela primeira vez em 2005, mas desta vez com o Villarreal perdendo Capdevilla por expulsão, com Cristiano Ronaldo agudo e Diego López pegando tudo. E mesmo com os esmpates, as duas equipes avançam a próxima fase, com muita tranquilidade.

O futebol não é uma ciência exata, evidenciado no confronto de ambos nas outras três partidas deste Grupo E, onde o Villarreal marcou nove gols e o Manchester United, sete. Além do fato do Villarreal ter tomado os cinco gols que sofreu na competição diante do surpreendente Aalborg, que está bem próximo de desbancar o Celtic na briga pela vaga na Copa UEFA. No décimo jogo do Villarreal como mandante na Champions, a equipe amarela não conheceu a derrota: cinco vitórias e cinco empates. Os Red Devils somam 18 partidas consecutivas sem derrota na competição européia, desde a derrota para o Milan nas semi-finais de 2006/07 no San Siro. Duas boas equipes e marcadoras de gols terminam mais um jogo em 0-0. Dá pra entender?





Desleixo do trio?

22 11 2008
As surpresas não param de dar as caras no futebol europeu. Após o Hull City na Inglaterra e o Hoffenheim – que ainda disputa a liderança da Bundesliga após 13 rodadas -, em Portugal quem coloca as manguinhas de fora é o Leixões Sport Club, time da cidade de Matosinhos, na região da Grande Porto. O fato de um líder do Campeonato Português não ser Porto/Sporting/Benfica é muito relevante, se considerarmos que no período de sua profissionalização, o título só não rodou nas mãos do trio em duas oportunidades: em 1945/46 (Belenenses) e em 2000/01 (Boavista). E a hegemonia do trio também é evidente quando consultamos a imprensa local, onde constam pouquíssimas informações sobre a equipe de Matosinhos, que vem mantendo a liderança do campeonato.

Com participações modestas na primeira divisão, jogando a segunda divisão até 2006/07 e com um título da Taça de Portugal (1960/61), a equipe quase foi rebaixada na temporada passada, ficando apenas um ponto à frente do Paços de Ferreira, que só não foi relegado à segundona por conta do escândalo do “Apito Final”, onde o Boavista foi punido com o rebaixamento e o Porto perdeu seis pontos e quase teve tirada sua vaga para a Champions desta temporada. Mas o que mudou em relação a 2007/08? Nada profundo, na verdade. A equipe fez aquisições bastante modestas, sendo o brasileiro Wesley (ex-Paços de Ferreira) a mais importante delas. Tanto que o brasileiro de 28 anos é um dos artilheiros da Liga, com seis tentos anotados. Outros seis brazucas – Sandro, Elvis, Chumbinho, Roberto, Serginho Baiano e Marques – fazem parte do plantel dos Bebês, que atuam no acanhado Estádio do Mar, de 12 mil lugares, um verdadeiro “alçapão”.

Mesmo ao final desta rodada, a equipe de Matosinhos não poderá ser alcançada pelo Benfica, seu perseguidor mais próximo. E se engana quem acha que o Leixões não se degladiou com o trio de ferro luso. Duas vitórias (1-0 no Sporting e 3-2 no Porto, ambas fora de casa) e um empate em 1-1 com o Benfica mostram que a equipe do técnico José Mota desfruta de alguma consistência no certame luso, onde possui 22 pontos e apenas uma derrota em nove partidas. Mas o grande vilão desta despretensiosa equipe está por vir: a janela de transferências européia, em janeiro. O artilheiro Wesley já teria recebido uma proposta de meio milhão de euros do Al Jazira/EAU. Outros destaques como o meia português Bruno China também despertaram a cobiça de clubes maiores no cenário português e até mesmo europeu.

Leixões à parte, é notável a decadência no nível técnico do futebol português, em âmbito europeu. Porto e Sporting ainda tem chances na Champions, mas a equipe de Alvalade parece conhecer destino melhor que o Porto. O Benfica, classificado apenas para a Copa UEFA, tem bom plantel e trouxe bons nomes no começo da temporada, como Reyes, Aimar e Suazo. Mas é um time em processo de entrosamento e maturação. Enquanto isso, os Bebês sacodem a Liga Sagres, onde o Benfica é o vice-líder, o Porto é apenas o quarto e o Sporting, o sexto.





Vendendo jornal

15 11 2008
A próxima janela de transferências européias se aproxima. Os clubes já vão arquitetando os primeiros movimentos para reforçar seus elencos para a outra metade da temporada 2008/09. Esse fato por si só já gera muita especulação, nomes ventilados e empresários a todo vapor buscando bons contratos aos seus pupilos. Agora, imagine a situação do Real Madrid, que perdeu Robinho ao fechar da última janela de transferências de julho para os petrodólares do Manchester City e esta semana ficou desfalcado de seu mais letal atacante: o holandês Ruud Van Nistelrooy sofreu uma grave contusão no menisco do joelho direito. A previsão é que Van Gol fique fora de combate por seis a nove meses, o que significa a perda da principal referência de ataque no time de Schüster. A perda dos dois avançados – de características totalmente distintas – certamente fará com que o Real Madrid tenha que sair com urgências às compras. E Real Madrid comprando significa uma enxurrada de especulações e nomes de atacantes das mais variadas nacionalidades pipocando na mídia. Uma festa para a imprensa especializada tanto de cá, quanto de lá.

No Brasil, já foram ventilados os nomes de Dentinho, Alex Mineiro e Guilherme, causando um rebuliço nos clubes brasileiros e em seus respectivos torcedores, por se tratarem de três referências em seus clubes atuais. Nas diretorias, nada confirmado e nem indícios de negociações em andamento. Na Espanha então, os nomes brotam às dúzias. Com o quê de sensacionalismo característico dos diários esportivos espanhóis, o site do Marca até elaborou uma lista de possíveis nomes a serem contratados para o comando de ataque merengue. Nela, prós e contras dos candidatos para o “vestibular” para a vaga no ataque madrilenho. Os argentinos e brasileiros estão em alta, como Diego Milito (atual artilheiro do Calcio pelo Genoa), Crespo (encostado na Inter), Zárate (Lazio), Ricardo Oliveira, Vágner Love, Nilmar. Nomes que fazem companhia a Mario Gomez (Stuttgart) e Andrey Arshavin (Zenit), além de um sonho antigo do Real, o atacante holandês Klaas-Jan Huntelaar – que diga-se de passagem, possui estilo semelhante ao de Nistelrooy.

Alheio a venda de jornais e aumento no número de acesso dos sites esportivos – como vimos na enxurrada de notícias sobre o caso Cristiano Ronaldo, por exemplo – é fato que o Real Madrid precisa urgentemente de reforços caso queira brigar pelo tricampeonato espanhol e voltar as glórias européias na Champions. Fora Raul, que mesmo sendo mais experiente sempre dá conta do recado e o argentino Gonzalo Higuaín em ótima fase – vide os quatro gols marcados na última partida de La Liga, contra o Málaga – Robben (bom jogador mas que vive no departamento médico) e um Saviola irregular com a camisa merengue, o Real vive momento em que a escassez de atacantes começa a comprometer o desempenho do time como um todo.

Outra especulação é que de Bernd Schüster está com a corda no pescoço no comando técnico do time. Mesmo estando a dois pontos do líder Barcelona e de não ter maiores problemas para alcançar a fase seguinte da Champions, o fraco desempenho defensivo da equipe – 16 gols em dez jogos, a sétima pior defesa do Espanhol – somada a eliminação precoce da Copa do Rey para os bascos do Real Unión, da terceirona espanhola, já trazem fortes questionamentos sobre a continuidade do alemão a frente da equipe. Ou seja: mais especulações em quem poderia ser o futuro técnico do Real Madrid podem bombar nas imprensa m breve. Porque lá é assim, espirrou, virou manchete.





Roda gigante

13 11 2008
Nada parece ser tão instantâneo quanto o futebol. Na busca incessante por resultados e títulos, dirigentes, treinadores e torcedores parecem descartar um histórico de bons serviços a um time em nome de uma crise momentânea. Os exemplos estão aí, aos montes.

A irregular campanha do Barcelona na temporada passada selou a saída de dois jogadores importantes em 2005/06, temporadas do último título europeu e do bicampeonato espanhol. Ronaldinho Gaúcho – que parece iniciar uma recuperação no Milan – e Deco, que Felipão rapidamente encaixou no esquema do Chelsea. Nesse mesmo momento, voltando de grave contusão e não jogando tudo o que podia, foi desvalorizado pelo próprio clube. Na “lista de dispensas” de Guardiola, Eto’o era nome certo para ser negociado. Inclusive, foi até noticiada uma possibilidade de negiociação para o Bunyodkor, do Uzbequistão. A equipe de Tashkent – dirigida pelo brasileiro Zico – chegou a fazer uma proposta milionária ao camaronês, mas acabou mesmo contratando o veterano Rivaldo, oriundo do AEK grego. Certamente, se aceitasse a tal proposta, Eto’o daria um tiro no pé, já que o camaronês tem somente 27 anos e muita bola pra jogar pela frente, no alto nível do futebol europeu.

Nenhuma proposta que interessasse ao Barcelona ou ao jogador chegou e Guardiola optou por deixá-lo no elenco, a contragosto inicialmente. E Eto’o começou a dar a volta por cima. Em um elenco recheado de boas opções de ataque, como Messi, Henry e Bojan, o camisa nove começou a jogar bem novamente. A artilharia da Liga Espanhola já é realidade, após impressionantes 13 gols em 10 jogos. Com mais de um terço dos gols marcados pelo Barcelona na Liga (foram 34 do Barça em 10 partidas), é um dos responsáveis pela boa fase blaugrana, conduzindo a equipe à liderança do Espanhol. Claro que o ótimo momento de Eto’o – o qual culminou nos quatro gols marcados diante do Valladolid, na última rodada – tem um grande colaborador: o argentino Lionel Messi, que vem marcando gols (quatro na Champions League e seis em La Liga) e também se consolidando como ótimo garçom. A maioria das jogadas de ataque saem dos pés do argentino, indubitavelmente, o principal jogador da equipe catalã até aqui.

Mas Eto’o parece estar voltando aos bons tempos. Antes da grave contusão, em 2006, chegou a ser eleito como o terceiro melhor jogador do mundo pela FIFA, perdendo a disputa para Ronaldinho e Lampard. Trata-se de um centroavante moderno, que além da forte presença de área, é rápido, finaliza bem e ainda volta para buscar o jogo na meia, tabelando com os homens vindos de trás ou com seu parceiro de ataque. Na roda gigante do futebol, Eto’o começou a ver as coisas de cima, como um dos protagonistas que sempre foi jogando pelo Barcelona.