A hora do patrício

30 10 2008
Cristiano Ronaldo e Messi: na briga pela coroa de melhor do mundo.

Fim de ano, e as discussões para a eleição de melhor jogador do Mundo ficam mais acirradas. Na eleição da FIFPro (a associação mundial de atletas profissionais) deu Cristiano Ronaldo, com certa vantagem. Celebridades como Kaká e Alex Ferguson – o grande responsável pela lapidação e evolução do português – apostam nele como o merecedor do prêmio. “Ele vai ganhar os dois prêmios[Bola de Ouro e Melhor do Mundo FIFA], tenho certeza. Se ele não ganhar, quero comprar o jogador que vencer”, afirmou Sir Ferguson à France Football.

Muitos ainda têm aquela imagem equivocada do camisa sete apenas como um jogador marrento e pouco objetivo. Entretanto, sua evolução nas últimas duas temporadas foi notória. Em 2006/07, iniciou sua jornada como um jogador muito mais objetivo e letal. A “brincadeira” de Ferguson, que apostou com Ronaldo que este deveria atingir a marca de 15 gols naquela temporada deu resultados. Ele fez melhor na campanha do título inglês e das semi-finais da Champions: foram 23 gols na temporada (17 pela Premier League e três pela UCL). Mas mesmo a boa campanha não foi suficiente para que o português batesse Kaká na eleição de 2007, pois o brasileiro foi simplesmente impecável, levando o limitado time do Milan ao título europeu daquela temporada, com grande parcela de contribuição do camisa 22. Quando foi exigido, nos jogos decisivos contra o Milan, o português simplesmente se escondeu do jogo. Aliás, essa é uma crítica muito feita a ele ainda nos dias de hoje, a falta do poder de decisão em momentos capitais.

Mas na campanha impecável do Manchester United de 2007/08, Cristiano Ronaldo foi a figura principal na conquista do bicampeonato inglês e da hegemonia européia. Jogos memoráveis – inclusive o gol e o belo duelo com Lampard na finalíssima em Moscou – culminaram com a artilharia das duas competições mais importantes disputadas pelos Red Devils (31 gols na Premier League e oito pela Champions), o que o credencia como o principal – e na minha visão, favorito – postulante a Bola de Ouro e ao prêmio da FIFA. “Creio que fiz mais do que qualquer outro para consegui-la. Se avaliar o que fiz na última temporada, acredito que eu mereço mais do que ninguém”, cravou Ronaldo, fazendo um lobby com a imprensa européia.

Novamente, Lionel Messi pinta como um dos melhores futebolistas do mundo. Um dos pilares da conquista da medalha de ouro olímpica pela Argentina, ainda falta a Messi cumprir uma temporada inteira regularmente, sem as contusões que vez ou outra o acometem. A fraca temporada do Barcelona também não lhe favoreceu. Mas desta vez, promovido como a maior estrela do Barcelona após a saída de Ronaldinho, o novo camisa dez do Barça começa a temporada sendo um dos expoentes da renovação da equipe catalã. E, com certeza, tem tudo para abocanhar o prêmio em um futuro muito próximo.

Outro excelente jogador da atualidade que necessita de um grande título para cravar seu nome como um dos melhores atacantes da Europa é o sueco Zlatan Ibrahimović, principal atleta do último Calcio que coroou o tricampeonato inteirista. Força e muita técnica garantem ao sueco o posto como um dos principais atacantes da atualidade, ao lado de jogadores como os ascendentes Emmanuel Adebayor (Arsenal) e “Kun” Agüero (Atlético de Madrid); os atuais campeões europeus Fernando Torres (Liverpool) e David Villa (Valencia); além da liderança e precisão dos ingleses Lampard (principal peça do Chelsea em 2007/08), Gerrard e Terry, que cada vez se firma como o melhor zagueiro do mundo na atualidade, já que esteve presente nas quatro seleções eleitas pela FIFPro.

A decepção fica por conta da indicação de poucos brasileiros para o prêmio. Só Kaká – que passou um bom tempo de molho neste ano – é o representante tupiniquim. Para alguns, a pouca representatividade é um dos sinais da “entressafra” pela qual passa o futebol brasileiro, já que o surgimento de bons jogadores parece ter sido inibida em 2008, ao menos por enquanto.

Os 23 indicados pela FIFA:

Adebayor (Arsenal)
Aguero (Atlético de Madrid)
Arshavin (Zenit)
Ballack(Chelsea)
Buffon (Juventus)
Casillas (Real Madrid)
Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Deco (Chelsea)
Drogba (Chelsea)
Eto’o (Barcelona)
Fábregas (Arsenal)
Fernando Torres (Liverpool)
Gerrard (Liverpool)
Ibrahimovic (Internazionale)
Iniesta (Barcelona)
Kaká (Milan)
Lampard (Chelsea)
Messi (Barcelona)
Ribéry (Bayern de Munique)
Terry (Chelsea)
Van Nistelrooy (Real Madrid)
David Villa (Valencia)
Xavi (Barcelona)
Seleção eleita pela FIFPro: Casillas; Sérgio Ramos, Terry, Ferdinand e Puyol; Gerrard, Xavi e Kaká; Messi, Fernando Torres e Cristiano Ronaldo.





Juventude Blaugrana

25 10 2008
Puyol, Bojan e Busquets comemoram: na renovação do Barcelona, os pratas-da-casa tem papel importante no elenco de Guardiola.

 
O processo de reformulação do Barcelona está em curso após uma temporada irregular em 2007/08. A saída gradativa de peças importantes daquela importante conquista da Champions em 2005/06 como Giuly, Larsson, Ronaldinho, Deco e que culminou com a queda de Frank Rijkaard, o qual havia montado aquela equipe que encantou a Europa tanto pelo futebol objetivo e vistoso, quanto pelas belas jogadas proporcionadas por tantos jogadores com qualidade.

Conhecido historicamente por revelar bons jogadores em suas categorias de base, o Barcelona começa a inserí-los aos poucos em posições relevantes do elenco durante os jogos da atual temporada. A renovação já começa no banco, com a aposta Josep Guardiola no comando dos blaugranas. A primeira oportunidade como treinador vem justamente no clube que o revelou para o futebol e onde atuou por onze anos, sendo peça importante do Barça em sua época de atleta. As mudanças promovidas por Pep culminaram na utilização de muitos jogadores revelados pelo próprio Barcelona, durante este início de temporada. Na goleada desta quarta por 5-0 contra o Basel, em partida válida pelo Grupo C da Champions, todos os gols foram genuinamente “made in Barcelona”. Os já consagrados Messi e Xavi abriram e fecharam o placar, respectivamente. O ascendente Bojan Krkic – que vem se afirmando cada vez mais como uma boa opção no ataque catalão – marcou dois tentos, enquanto o recém-promovido meia Sergi Busquets, 20 anos, marcou seu primeiro gol como profissional. E Busquets é tão incrustado no Barcelona que seu pai, Carles Busquets, foi reserva de Zubizarreta na década de 90 e atualmente atua como treinador de goleiros da equipe principal do Barça.

Dos onze que entraram em campo no St. Jakob-Park, seis eram da cantera blaugrana: Valdez, Puyol, Xavi, Busquets, Bojan e Messi. No banco, mais dois representantes: Iniesta e o polivalente Victor Sánchez. Em 2008/09, após alguns desacertos em seu início, o Barcelona já figura como quarto colocado na Liga Espanhola, apenas três pontos atrás do invicto Valencia e lidera o Grupo C da Champions League com 100% de aproveitamento e muito perto de se classificar à próxima fase.

Além da “liderança” técnica de Lionel Messi, que cada vez mais se afirma como um dos grandes jogadores de futebol da atualidade, a esperança de que o Barcelona retome o rumo das grandes conquistas é grande. Além dos ex-cadetes já citados neste post, o elenco conta com excelentes nomes, como Dani Alves, Hleb, Yaya Touré, Keita, Márquez, Eto’o – que vai readquirindo a velha forma após grave contusão temporada passada – e Henry – que ainda não é o vigoroso jogador de sucesso no Arsenal, mas de potencial mais do que conhecido. E aos poucos, Pep Guardiola monta um elenco muito balanceado e de diversas opções, que promete brigar pelas cabeças. E com ajuda mais do que providencial da juventude genuinamente blaugrana.





Boca Cerrada

10 10 2008
O goleiro Caranta (E) pediu a Ischia (D) para não jogar contra o Estudiantes: mais um capítulo da crise Xeneize.

Imagine um time de massa que não vence há cinco partidas, está a oito pontos do líder, sofreu dez gols nos últimos cinco jogos do campeonato nacional e que não vence há três partidas em seus domínios – nada menos que a temível Bombonera. Aclamado como o Rey de Copas, o Boca Juniors – recentemente campeão da Recopa Sul-Americana em cima do Arsenal de Sarandí – vê as coisas se complicarem dentro e fora da cancha. Não bastasse a péssima campanha no Apertura 2008 (6º, 14 pts), as coisas fervem no elenco Xeneize. O zagueiro Cáceres soltou os cachorros sobre Riquelme – que não joga um bom futebol há um tempão – atribuindo parte da má fase da equipe aos privilégios concedidos ao camisa 10: “Riquelme é uma pessoa complicada, difícil de lidar. Durante as partidas, alguns companheiros se incomodam com suas atitudes. Em alguns jogos, aparenta estar correndo. Em outros, aparenta estar indiferente”.

A resposta de Riquelme e dos que o defendem foi imediata. Mimos como o do presidente Pedro Pompílio e de Maradona colocaram o beque paraguaio como vilão da história. E apesar do ex-jogador do Atlético/MG não ser flor que se cheire, corre à boca pequena que ele não é o único que pensa dessa forma no elenco boquense. Ou alguém não lembra da forma como Riquelme saiu do Villarreal, após indisposição com um elenco inteiro, a ponto do técnico Manuel Pellegrini relegá-lo do Submarino Amarillo? E ele nem vai poder gozar de muita tranquilidade quando for servir a Argentina, que também vive momento delicado e pode ficar sem técnico, dependendo das andanças da seleção albiceleste ao final desta rodada das Eliminatórias Sul-Americanas.

Para apimentar ainda mais o péssimo momento, o goleiro Mauricio Caranta pediu para não jogar a última partida – a derrota para o Estudiantes por 2-1 na Bombonera. Alegando problemas familiares, o arqueiro deixou o técnico Carlos Ischia em maus lençóis, como aponta reportagem do diário argentino Olé!. Há quem diga que seu ciclo no Boca está se encerrando após os episódios do arqueiro e do bate-boca Riquelme/Cáceres. Mas Ischia terá direito a um recomeço, em meio a todas as polêmicas e contusões do elenco boquense: “basta” vencer El Superclásico na próxima rodada, diante do arqui-rival River. Los Millionários gozam de fase ainda pior que o Boca, pois amargam a antepenúltima colocação do Apertura, com Simeone também balançando forte no cargo.

Já com a sombra de Carlos Bianchi, o qual muitos dizem que deseja sair da “aposentadoria”, e até mesmo de Alfio “Coco” Basile - se este realmente fracassar na seleção argentina, pois possui muita moral no Boca devido ao título da Libertadores 2007 – pairando sobre Ischia, ele quebra a cabeça para armar a equipe. Com vários contundidos (inclusive Palermo, que sofreu grave contusão) e sem poder contar com o novo reforço (Lucho Figueroa, adquirido por empréstimo junto ao Genoa), o técnico terá de contar novamente com o juvenil Javier Garcia na baliza (que falhou no segundo gol do Estudiantes, na última partida) e o jovem Lucas Viatri no comando de ataque para vencer o River em pleno Monumental de Nuñez.

Com os garotos e Riquelme em péssima fase, resta ao Boca vencer um rival igualmente desesperado. E como desgraça pouca é bobagem, uma derrota no Superclásico pode trazer desdobramentos maiores à crise Xeneize, que pode chegar às arquibancadas: há uma disputa de poder entre facções em La Doce, a maior torcida organizada do Boca, onde três barrabravas foram presos no último domingo por porte ilegal de armas. A maré anda brava, dentro e fora de campo.

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Noviços rebeldes

7 10 2008
O caçula Hoffenheim chega à vice-liderança da Bundesliga: resultado de muitos investimentos, que fizeram o time chegar rapidamente a principal divisão do país.

Centenários, porém debutantes, Hoffenheim e Hull City estão dando o que falar em dois dos principais campeonatos do Velho Continente: Bundesliga e Premier League, que assistem ao galopar de duas zebras. O Hoffe só não está na liderança da competição graças a uma vitória no sufoco do concorrente direto Hamburgo, mas segue firme na classificação no segundo posto. Já os Tigers subiram de produção graças a dois êxitos em Londres: o primeiro, na surpreendente vitória contra o Arsenal por 2-1 em pleno Emirates Stadium, e o segundo na vitória pelo placar mínimo sobre o combalido Tottenham. Até onde os caçulas da primeira divisão de Alemanha e Inglaterra podem surpreender e dar trabalho às potências?

Mesmo com a coincidência de boas campanhas e da estréia na principal competição nacional de seus países de origem, as duas equipes têm trajetórias distintas. O Hoffenheim tem um mecenas, Dietmar Hopp. No entanto, o alemão não parece fazer o tipo “investidor aventureiro” que veio de um lugar distante, sem raízes com o clube, mas ainda sim um aficcionado por ele. Hopp adquiriu o controle financeiro do clube em 1990, por conta do vínculo afetivo com o clube, o qual frequentava em sua juventude. Mais tarde e já como engenheiro, fundou em 1972 a empresa de softwares SAP ao lado de outros colegas, todos dissidentes da IBM alemã. Atualmente, a SAP é a maior empresa produtora de softwares da Europa, o que possibilitou a Hopp construir fortuna estimada em cerca de US$ 1 bi, segundo a lista de bilionários da Revista Forbes.

Sempre atuando por divisões regionais da Alemanha, aos poucos a equipe foi galgando espaços no futebol alemão, com acessos meteóricos a partir de 2000, onde disputava o equivalente a quarta divisão local. Na disputa pela segundona a partir de 2006/07, Hopp resolveu investir alto em jovens promissores do futebol. Foi quando ele gastou cerca de 8 milhões de euros para trazer o promissor meia Carlos Eduardo, então vice-campeão sul-americano com o Grêmio em 2007, além dos atacantes africanos Demba Ba e Chinedu Obasi (medalha de prata em Pequim com a Nigéria) e do goleiro Ramazan Özcan (terceiro goleiro da Áustria na Euro 2008), pilares da boa campanha na temporada passada, quando o Hoffe ficou na segunda colocação da 2.Bundesliga. Aportando na Bundesliga, proporcionou jogos com muitos gols, como no fantástico revés de 5-4 sofrido frente ao Werder Bremen – onde chegou a estar vencendo por 4-3 – e na goleada contra o Dortmund por 4-1, mostrando a vocação ofensiva da jovem equipe, com média de idade de apenas 24 anos. Além dos destaques que levaram o Hoffe ao acesso, o atacante bósnio Vedad Ibisevic (ex-Alemannia Aachen) é a grande vedete da equipe até aqui, contribuindo com sete dos 16 gols marcados, o que o coloca como um dos artilheiros do campeonato até a sétima rodada, onde o time figura no segundo posto, com 13 pontos e apenas duas derrotas.

Já o Hull City, fundado no início do século, sempre perambulou pelas divisões intermediárias da Inglaterra. Sua maior conquista antes do acesso à Premier League havia sido o título da terceira divisão inglesa em 1965/66. E a partir dos anos 80, os Tigers começaram a atravessar grave crise financeira, salvos pela intervenção do ex-diretor do Leeds, Adam Pearson, que ajudou a sanar as contas do clube e viu a equipe se reerguer aos poucos, a partir do fim da década de 90. Em cinco anos, o Hull ascendeu da terceira para a primeira divisão, ao vencer o playoff de acesso contra o Bristol City em 2007/08, após terminar em terceiro na fase de pontos corridos.

No entanto, mesmo com o êxtase de estar na Premier League, o clube fez contratações modestas. Ao contrário do Hoffenheim, o Hull optou por trazer jogadores rodados a preços “modestos”, quando tratamos de cifras na Europa. A contratação mais cara do clube – e dos seus 104 anos de fundação – foi a do zagueiro inglês Anthony Gardner (ex-Portsmouth, 3.200.000 €). Maior destaque da equipe até aqui, o atacante brasileiro Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona, Benfica e Manchester City) veio sem custos para os Tigers. Mesmo assim, vem corrspondendo à aposta do clube, com a artilharia da equipe (três gols, dois deles nas duas últimas rodadas). Além do brasileiro, destaque para o goleiro galês Boaz Myhill, que está no clube desde 2003 e é um dos responsáveis pela trajetória meteórica da equipe rumo à primeirona. É um time modesto e que ainda peca pela instabilidade e falta de equilíbrio entre defesa e ataque, já que mesmo na terceira colocação com 14 pontos, possui saldo de gols negativo (10GP e 11GC). Mesmo assim, já colocou as manguinhas de fora ao bater Arsenal e Tottenham fora de seus domínios e só perdendo uma partida em sete disputadas – goleado em casa pelo Wigan por 5-0

Além da excelente fase, ambos desfrutam de audaciosos projetos de estádios. Enquanto o Hull City atua no KC Stadium, com capacidade para 25 mil torcedores e inaugurado em 2002, o Hoffenheim está construindo uma arena com capacidade para 30 mil torcedores em Heidelberg, prevista para janeiro de 2009. O “velho” Dietmar-Hopp Stadion, construído em 1999, não atende às exigências da Bundesliga, já que possui apenas 5000 lugares. Atualmente, a equipe manda suas partidas em Mannheim, no Carl-Benz Stadion, de 26 mil lugares.

Analisando as chances dos novatos, o time do Hull é bem modesto e não deve fazer papel relevante no Inglês em um futuro próximo. A manutenção na Premier League já seria uma vitória, mesmo contando com um time mais experiente, porém limitado tecnicamente. Já o Hoffenheim, com maiores investimentos na base jovem, pode inspirar-se em seu vizinho Karlsruher – do mesmo estado alemão de Baden-Württemberg, ao sul da Alemanha – que fez uma razoável campanha no mesmo ano de sua promoção à Bundesliga, em 2007/08, quando passou longe da zona de rebaixamento e chegou a sonhar com uma vaga na Copa UEFA. Em campeonatos onde o abismo entre grandes e pequenos é enorme, não é curioso deixar de pensar o incômodo que esses nanicos estão trazendo. Pelo menos, provisoriamente.





Outras opções

2 10 2008
A falta de opções estáveis no comando de ataque do Brasil é grave. Isso veio à tona novamente quando Luis Fabiano – sem dúvidas, o melhor centroavante brasileiro da atualidade – se contundiu em treinamento do Sevilla, o que ocasionou seu desfalque nos jogos contra Venezuela e Colômbia, válidos pelas Eliminatórias da Copa de 2010. Mesmo com Fabiano no comando de ataque, a Seleção criou pouco diante da Bolívia e faltaram outras opções para mudar o panorama do jogo, quando o camisa 10 do Sevilla não estiver em boa jornada.

O seu substituto, Adriano, foi convocado nesta quarta-feira e se trata de uma figurinha cativa nas convocações do escrete nacional nos últimos anos. Mas ainda é sombra do Imperador de outrora, apesar dos bons jogos pelo São Paulo no primeiro semestre. Na Inter de Mourinho, o brasileiro passa longe de ser unanimidade, apesar de o técnico português estar lhe dando mais chances, onde ocasionalmente fazendo boas partidas e marcando seus golzinhos.

Boa parte dos torcedores e jornalistas clamaram por Nilmar. Creio que, apesar do atacante colorado estar em evolução neste ano, a sua inserção em um time que já tem outro meia/atacante móvel – Robinho, respirando novos ares na Inglaterra – não seria de grande produtividade para o Brasil. Como normalmente os adversários da Seleção primam pela defesa e o jogo nos contra-ataques, não ter uma referência de força física e um pouco mais fixa junto aos zagueiros facilitariam a solidez do esquema da defesa adversária. Nilmar deveria estar sim entre os onze iniciais, porém, como segundo atacante, função que desenvolve com excelência. Outra opção que está na lista, o jovem Jô, não tem a maturidade necessária para estar no elenco, apesar de sua grande evolução no futebol europeu e na Seleção Olímpica medalha de bronze em Pequim. Pato é outro que se mostra uma boa opção de segundo tempo, já que o jovem avante do Milan também tenta a afirmação no Calcio e já mostrou grande potencial a ser lapidado.

O desprezado Amauri – na minha visão, ótima opção para o comando de ataque – acena em defender a camisa da Azzurra assim que seu processo de naturalização estiver pronto. Atacante técnico, de alguma mobilidade e boa finalização, é mais um daqueles brasileiros tipo exportação que não tiveram a oportunidade de brilhar em terras tupiniquins. De carreira sólida, toda construída no futebol italiano, Dunga sempre fez comentários sobre a possibilidade de testá-lo com a camisa canarinho. Mas sempre o colocava como uma das últimas opções viáveis, fato que faz com que o paulistano de 28 anos – se considerarmos para 2010, uma boa idade – acelere o processo para defender a Itália, regados a diversos pedidos dos últimos técnicos da Seleção Italiana, Donadoni e Marcelo Lippi. “Certamente não irei convocá-lo nos próximos jogos das eliminatórias. Existe uma hierarquia no meu ataque que passa por Adriano, Pato, Luis Fabiano e Fred”, afirmou o técnico em julho, em entrevista a Gazzetta Dello Sport. E pelo jeito, o pensamento do constestado técnico não mudou uma vírgula, mesmo com o bom início de Amauri na Juve, com quatro gols anotados em nove jogos, sendo que o avante ainda não é titular absoluto (talvez o seja com a contusão do francês Trezeguet).

Por fim, outros defendem a inclusão da ala “mais experiente”, liderada pelos goleadores do Brasileirão 2008, Kleber Pereira e Alex Mineiro, que vivem boa fase. Apesar de não serem adequados à formação de uma base para a Copa, poderiam ser úteis por ora. Penso que entrosar a equipe é muito importante para o trabalho a longo prazo, mas o importante é conseguir montar uma boa base, onde seja possível mobilizar algumas posições para que o jeito de jogar não se torne tão previsível e a Seleção não volte a apresentar uma jornada bisonha, como no jogo frente aos bolivianos. Não se trata de jogar bonito, e sim dar chance a eficiência para que o período das Eliminatórias seja mais tranqüilo.