Il ritorno di Sheva

26 08 2008
Após passagem apagada no Chelsea, Shevchenko tenta reeditar sua melhor fase na volta ao Milan, do qual ainda é ídolo.

“Estou aqui pelo desafio e pela excitação de jogar na Premiership. Vou de um grande clube para outro gigante, até porque me juntarei a uma equipa de campeões. Existe um momento certo para as transferências e julgo que cheguei aqui na hora perfeita”. Foi assim que Shevchenko definiu o momento de sua transferência estratosférica ao Chelsea de Roman Abramovitch. Os valores giravam em torno de 45 milhões de euros pelo ucraniano de 29 anos, à epoca. Sheva iria disputar a Copa do Mundo da Alemanha com a cabeça tranquila, pois sua transferência havia sido concretizada a poucos dias do torneio mundial. Com a Ucrânia obtendo a classificação para a fase seguinte – em um grupo fácil com Espanha, Arábia Saudita e Tunísia – Shevchenko falhou na disputa de pênaltis contra a Suíça e viu o time dar adeus a sua primeira Copa nas oitavas. Apenas dois gols e um futebol não muito vistoso não desanimaram os torcedores dos Blues, que sonhavam com um Sheva liderando a equipe com seus gols, arrancadas fulminantes e excelente visão de jogo, rumo ao topo da Europa.

Dois anos depois dessa mudança decisiva de ares, o ucraniano não havia emplacado o futebol dos tempos de Milan e Dínamo de Kiev na parte azul de Londres: Foram apenas 75 jogos no intervalo de dois anos e modestos 22 gols marcados. Muito pouco frente ao seu desempenho no Dínamo (166jogos/94gols) e no Milan (296jogos/173gols). Por isso, ele voltou novamente a Milão, emprestado. A torcida rossonera fez festa, claro. “Trouxemos de volta para casa o jogador que, nos últimos 50 anos, mais fez gols com nossa camisa”, afirmava um eufórico Adriano Galliani, vice-presidente do Milan. Berlusconi já vislumbra uma dupla de ataque com Pato e a euforia é grande também entre os tiffosi rossoneri.

Esse mesmo Shevchenko que surgiu com destaque aos olhos europeus exatamente há 10 anos atrás, quando o Dínamo de Kiev fez surpreendente campanha na Champions League daquela temporada, parando nas semifinais contra o poderoso Bayern. A dupla infernal formada por Sheva e Serhiy Rebrov marcou 19 dos 27 gols da excelente campanha dos ucranianos. Rebrov, no entanto, tornou-se mais um cigano da bola e não vingou, enquanto Shevchenko foi fazer história no Milan.

O Milan – assim como já fez com Ronaldo e Ronaldinho – contrata o passado do ucraniano, que brilhou com a camisa 7 do clube entre 1999 e 2006. Os torcedores não esquecem da Champions League de 2002/03, onde Sheva teve participação fundamental na fase final da competição, marcando gols decisivos nas quartas, contra o Ajax, e nas semis contra a Inter, eterna rival. Também coube a ele converter o pênalti decisivo contra a Juventus, na grande final em Old Trafford. Ainda conquistou mais uma Liga Italiana, uma Copa Itália, uma Supercopa Italiana e uma Supercopa Européia, marcando com muitos gols e títulos uma trajetória vencedora no Calcio. É o terceiro maior artilheiro da história Champions, com 56 gols, um atrás de Nistelrooy e a cinco de Raúl.

Além da forte química existente entre jogador, clube e torcida, o Milan vem se mostrando um “acolhedor” de jogadores mais experientes nos últimos anos, ao contrário do que faz o Arsenal, por exemplo. Jogadores como Seedorf e Inzaghi – fora os velhos conhecidos do clube – vieram e deram contribuição importante nas conquistas recentes da equipe. Com 31 anos e algum tempo de bom futebol pela frente, Sheva pode dar ainda mais ao Milan. Ambos vieram de um período difícil: enquanto o Milan ficou fora da Champions 2008/09, Shevchenko jogou apenas 24 partidas em 2007/08, muitas delas começando como reserva. Como na canção, dizem que nossa casa é onde nosso coração está. E futebolisticamente falando, não haveria melhor abrigo para Sheva do que as cores rubro-negras de Milão.





Ainda falta algo

25 08 2008
Marta e Cristiane lamentam mais um vice-campeonato olímpico: Mesmo mostrando melhor futebol, o detalhe novamente foi o vilão da equipe canarinho.
O Brasil decepcionou-se com algumas modalidades nas quais era tido como favorito em Pequim, como o vôlei de praia, de quadra masculino, futebol masculino e com o ginasta Diego Hypólito, por exemplo. O futebol feminino olímpico, apesar de dividir o favoritismo com os EUA e a Alemanha, também causou uma pontinha de decepção, principalmente após a grande semifinal contra as alemãs, até outrora algozes da seleção nas diversas competições da modalidade, culminando com a perda da final ano passado, nesta mesma China durante a Copa do Mundo de 2007. Disse uma pontinha, porque a meu ver, ainda falta algo para que essa seleção seja ratificada como a melhor do mundo.

Primeiro de tudo, falta equilíbrio emocional. Mas como cobrar equilíbrio emocional de profissionais que chegaram ao Brasil sem saber de seu futuro imediato? A goleira Bárbara, por exemplo, jogou seis meses sem receber aqui no Brasil e espera propostas para seguir vivendo da profissão que escolheu. O mesmo problema afeta a muitas jogadoras desse elenco que não alcançaram o status midiático de uma Marta, Cristiane ou Daniela Alves. Tanto no Mundial, quanto nos Jogos Olímpicos, o Brasil fez grandes partidas nas semifinais (4-0 contra os EUA em 2007 e 4-1 contra a Alemanha em 2008). Mas chegando à final, a mesma sina: o Brasil não ganhou por detalhes e a falta de sangue-frio. A afobação na organização e na conclusão das jogadas mostra que quando as coisas estão difíceis, falta ao Brasil se apegar mais a um padrão tático. Isso é visível quando Marta tenta resolver tudo sozinha, ou mesmo a atacante Cristiane, pois elas sentem que a responsabilidade pelo fracasso de mais uma jornada recairá sobre seus ombros.

Nisso, equipes como a própria Alemanha e os EUA mostram algo que falta ao Brasil: o conjunto. O Brasil possui as melhores atletas, individualmente falando - já que o Brasil tem três jogadoras entre as dez melhores do mundo – mas ainda peca pela falta de um elenco à altura. Isso se deve a falta de atividades às jogadoras brasileiras durante um ano inteiro, assim como ocorre com a temporada masculina. Enquanto nos EUA as atletas são incentivadas a jogar desde o ginásio até a universidade, passando por organizadíssimos campeonatos nacionais, na Alemanha, além da existência de uma boa liga nacional, as jogadoras ainda disputam a UEFA Women´s Cup, uma espécie Champions League do futebol feminino. Na última final, a alemã Prinz (Frankfurt) – maior artilheira da história dos jogos olímpicos ao lado de Cristiane, com 10 gols – novamente levou a melhor sobre Marta (UMEA) nas finais da competição, em maio. Torneios de nível alto como estes citados ajudam a dar bom ritmo de jogo às atletas. Enquanto isso, em terras tupiniquins, a Copa do Brasil da categoria não rendeu bons frutos. O motivo não surpreende: o atraso no repasse de recursos aos clubes. E o futuro da competição continua incerto.

Mesmo com todas as dificuldades, o Brasil evoluiu bastante. Há doze anos, quando conquistava a quarta colocação olímpica em Atlanta – após a derrota para a Noruega – o Brasil saiu de um pelotão intermediário, o qual incluía seleções como Suécia, Noruega e China, para figurar pelo menos entre as três melhores, pouca coisa atrás de Alemanha e EUA.

As promessas continuam sendo feitas. Alguns já taxam (injustamente, na minha visão) a seleção como amarelona. E em meio a todas as dificuldades, o Brasil segue lutando. Algumas jogadoras dessa geração de prata estão se despedindo, como Formiga e Tânia Maranhão. E não há campeonatos para que o descobrimento de novos talentos que continuem a alavancar esse crescimento. Infelizmente, se algo de concreto não for feito já, todo esse trabalho pode ficar apenas como belas imagens de arquivo, daquela seleção que poderá ser conhecida injustamente como a seleção do “quase”. Mesmo sem condições igualitárias de trabalho do que suas principais rivais.





Vingança e caça às bruxas

20 08 2008
Doce vingança: Argentina deixa Brasil na espera pelo título olímpico por mais quatro anos.
A Era Dunga vai conhecendo o seu fundo do poço. Após os jogos pífios pelas Eliminatórias Sul-Americanas – que deixaram o Brasil com apenas nove pontos em seis jogos – a Seleção falhou na única vez em que foi exigida pra valer: não fez sombra frente a excelente Argentina. Porque antes de mais nada, há de se exaltar que havia uma excelente equipe, de futuros valores como Garay, Mascherano, Agüero e Messi, os quais podem futuramente tirar a Argentina da fila de quase 25 anos por uma Copa do Mundo. E que jogaram de acordo com as expectativas que os cercaram. Fora a motivação extra dos hermanos, por conta de recentes goleadas e a perda da Copa América sob circunstâncias estranhas. Mesmo jogando o melhor futebol naquela oportunidade, simplesmente o time desandou. Assim como o Brasil fez hoje, no Estádio dos Trabalhadores, em Pequim.

Posto isso, vamos aos fatos: Dunga não tem condições de seguir a frente do comando da Seleção. Não só por ele ser totalmente inexperiente e incompetente taticamente. Mas por ele não ter respaldo de ninguém. Torcedores, imprensa e até a CBF – que inicia um gradual processo de fritura – não acreditam que ele possa desenvolver um trabalho razoável. Aliado a isso, o fato da turra do comandante do escrete canarinho. A insistência em jogadores ultrapassados como Josué, Mineiro, Gilberto(s) e Sóbis chega a irritar. Falta um espírito de elenco, falta disciplina tática e falta bom senso em sua relação com os jogadores, como nos episódios passados com Ronaldinho, Kaká e Robinho, principais jogadores de sua era à frente do Brasil.

Apesar de achar que ele não convocou mal o elenco que está em Pequim (salvo algumas exceções), claramente faltou pôr em prática o tão falado “projeto olímpico”. Dunga poderia ter jogado os últimos amistosos contra times decentes para ir encorpando o elenco e testando mais opções, como Léo (Grêmio) e Guilherme (Cruzeiro), por exemplo. A preparação na Ásia – que apesar de todos os problemas, foi de um tempo razoável – poderia ser a fase final de algo planejado previamente.

Quanto aos jogadores, algumas ponderações: apesar de Ronaldinho não ter correspondido, ele terá nova chance no Milan. Com uma preparação adequada e com ritmo forte de competição, ele ainda poderá ser útil. O mesmo para o garoto Pato. Responsabilizado precocemente em ser o fazedor de gols, ele foi mais uma vítima do esquema de Dunga, que isola os atacantes e os deixa trombando com a zagueirada. Já foi dessa forma com Wagner Love e Luís Fabiano, por exemplo. Provaram que são futuros valores para a equipe atletas como Marcelo, Lucas, Hernanes e Thiago Neves, cujo talento pode dar uma gama de opções ao time futuramente, nas Eliminatórias da Copa.

Infelizmente, Dunga não cairá tão já. Os jogos em setembro contra o Chile (fora, 06/09) e Bolívia (casa, 09/09) serão pontuais quanto ao seu futuro. Dependendo das andanças, o negócio pode ficar feio em Santiago mesmo, em uma (não tão) eventual derrota. O que não se pode é caçar as bruxas erradas. Há uma – ou duas, mas esta última inalcançável, infelizmente – bruxa prestes a queimar na fogueira das vaidades do futebol brasileiro.

Enquanto isso, em Pequim mesmo, está uma outra seleção que a CBF nem liga muito e, mesmo assim, vem correspondendo à altura. Será que é por conta disso que o técnico Jorge Barcellos consegue tirar o melhor de suas atletas e sua camisa 10 é 10, de fato? O primeiro ouro do futebol brasileiro pode vir, sim. Mas não como Ricardo Teixeira imaginava.





Premier League 2008/09: Pés-no-chão e entrosamento

15 08 2008
Felipão é a grande aposta do Chelsea para quebrar a hegemonia do Manchester United

O bicampeonato conquistado pelo Manchester United coroou uma temporada marcada pelo equilíbrio das equipes tradicionais e o abismo entre o resto das equipes. Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool gastaram cifras estratosféricas e não viram suas vagas na Champions League serem ameaçadas – apesar de esporádicas incursões de Man City e Everton na zona de classificação. Já a briga pela vaga na Copa UEFA e pelo rebaixamento foi mais emocionante, tamanha era a semelhança e a qualidade técnica da maioria dessas equipes. Para esse ano, o script parece ser o mesmo, apesar da política de contratações das equipes ter diminuído drasticamente, tanto em quantidade, quanto em qualidade. A maior movimentação no mercado da bola foi a contratação de Felipão para o comando técnico do Chelsea. A volúpia das equipes durante a janela de transferências é menor e a maioria das equipes mudou pouco em relação a base da temporada passada.

Na parte vermelha de Manchester, nenhuma contratação até aqui. Apesar de ter uma base excelente – demonstrada dentro de campo com a dobradinha de títulos Premier League/Champions League – é inegável que a equipe precisa melhorar o seu elenco para continuar dominando a Europa. A importante a manutenção de Cristiano Ronaldo – alvo de forte assédio do Real Madrid – pode ser considerada o maior reforço dos Red Devils até aqui. No entanto, a especulação é forte sobre Dmitar Berbatov, do Tottenham, que cairia como uma luva, pois a equipe de Sir Alex Ferguson não tem um “fazedor de gols” de ofício, apesar da marcante ofensividade do tridente Tevez-Rooney-Ronaldo. A defesa também necessita de peças para compor o elenco, já que Ferdinand e Vidic não tem reservas à altura. Bons laterais também seriam bem-vindos em Old Trafford. Mesmo com essas arestas, o Man United ainda tem uma pontinha de favoritismo em 2008/09.

Marcados pelo quase em 2007/08, o Chelsea parece elaborar um efetivo projeto ambicioso para um velho sonho: a conquista da Europa. Roman Abramovitch não hesitou em trazer aos Blues a filosofia vencedora de Felipão. “Big Phil” promete reeditar a família Scolari na terra da rainha e para isso, trouxe dois atletas de sua confiança, ambos oriundos da seleção lusitana: Deco (enxotado do Barcelona) e Bosingwa prometem turbinar o time, que ainda ganhou o reforço da renovação de contrato de Frank Lampard, o maestro da equipe. Apesar das fortes investidas em Kaká e Robinho – este último ainda pode vir – Felipão promete investir em peças do elenco que não são primordialmente titulares, como Shevchenko e Wright-Philips, por exemplo. E todos sabem que para um campeonato longo, é importante ter um elenco forte e equilibrado, como o Chelsea possui.

Apesar da boa campanha, onde perseguiu o Manchester United por boa parte da Liga passada, o Arsenal pecou pela falta de opções e experiência de seu jovem elenco. Para essa temporada, Arsène Wenger – com a política pés no chão dos Gunners – continuará apostando mais ainda na molecada. Isso porque o elenco sofreu a baixa de um trio de jogadores experientes: Flamini (Milan), Gilberto Silva (Panathinaikos) e Hleb (Milan), além da saída de Lehmann, veterano goleiro desgastado e em má fase. Além do aumento da responsabilidade da dupla Fabregas/Adebayor em conduzir as ações ofensivas do time, Wenger aposta suas fichas na maturação do jovem Samir Nasri, 21, contratado junto ao Marseille. O meio-campista é mais um da linha “substituto de Zidane”, mas é convocado regularmente pela seleção francesa e precisava atuar em um clube maior e em uma liga de maior competitividade para mostrar o seu real valor. Podemos ver o Arsenal lançar mais uma linha de jovens promissores como os espanhóis Carlos Vela e Fran Mérida, além da gradual volta de Eduardo da Silva, contundido gravemente na temporada passada. Lá atrás, com um Almunia que não inspira muita confiança, sobrará para o capitão Gallas a tarefa de segurar o rojão na defesa. E se os Gunners não abrirem o olho, esta promete ser uma árdua e longa temporada.

Em Liverpool, Rafa Benítez não tem todo o prestígio de outrora. Ainda assim, a manutenção da base – que demorou a engrenar e reagiu tarde no campeonato passado – é um dos trunfos do elenco. A principal contratação dos Reds é o irlandês Robbie Keane, o qual promete dar mais opções de ataque ao time, cujo ataque conta com o brigador Kuyt e o goleador Fernando Torres – principal jogador do Liverpool na temporada passada ao lado de Gerrard. Outros jogadores vieram para dar opções ao elenco de Benítez, entre eles os laterais Andrea Dossena e Phillip Degen, além do promissor arqueiro brasileiro Diego Cavalieri. Resta saber se o Liverpool pode mostrar tudo o que joga desde o início, além da capacidade de demonstrar ser um time mais constante, algo que lhe faltou na temporada passada.

Entre os médios, destaque para o Tottenham de Juande Ramos. Vencedor da Copa da Liga Inglesa 2007/08, Ramos acena fazer o mesmo tipo de trabalho feito em Sevilla no White Heart Lane, ao trazer jovens promissores e efetivos ao invés de caros jogadores world-class. A aposta nos meias Luka Modric – um dos destaques da Croácia na última Euro – e Giovani dos Santos mostra que o leque de opções faz o torcedor sonhar com uma vaga na Champions, já que a base que reagiu no último campeonato foi quase mantida. Quase, porque o Tottenham pode estar prestes a perder sua ótima dupla de ataque, já que Robbie Keane foi para o Liverpool, enquanto Berbatov sofre forte assédio do Man United. Se a perda de Berbatov se concretizar, os Spurs terão de sair rapidamente às compras. O Portsmouth – campeão da Copa da Inglaterra – quer se firmar de vez no pelotão intermediário. A contratação do grandalhão Crouch promete turbinar o ataque Pompey. Apesar da perda importante do meia Muntari (Inter), o Portsmouth conta com figurinhas tarimbadas do quilate de Campbell e James, além de possuir um elenco de jogadores bons, como Niko Kranjcar. E Harry Redknapp é bom técnico para trabalhar um elenco com essas características. Outras equipes do porte de Aston Villa, Everton, Blackburn, Newcastle e Man City – do brasileiro Jô – fizeram contratações modestas e prometem rechear o meião da tabela.

O Bolton tenta sair do limbo ao contratar Johan Elmander, bom atacante sueco trazido junto ao Toulouse, para apagar a péssima temporada passada, quando quase caiu para a segundona mesmo tendo um elenco digno de disputar vagas na Copa UEFA. Já os recém-promovidos Hull City, Stoke City e West Bromwich adotaram a mesma política de equipes como o Fulham, Sunderland, Wigan e Middlesbrough: a contratação de “refugos”, jogadores bem rodados no futebol europeu. Com isso, as chances de uma campanha pífia como a do Derby County, último colocado em 2007/08 (11 pontos, 20GP e 89GC em 38 partidas) são grandes.

Os investimentos mais modestos e a movimentação menor no mercado mostram a política exagerada de gastos ocorrida em 2007/08. E além da técnica a chave para vencer a Premier League será o entrosamento. Mesmo sem contratações bombásticas, o Campeonato Inglês ainda continua sendo o melhor campeonato europeu, na minha visão. E talvez, com a diminuição dos gastos, o abismo entre as quatro forças e as outras 16 equipes diminua um pouco e deixe a competição ainda melhor





Rankings da discórdia

10 08 2008
Kaunas (139ºno ranking IFFHS) marca o gol que eliminou o Rangers, “segunda melhor equipe do mundo” na atualidade. Estão aumentando o tamanho da zebra?

A elaboração de rankings – de qualquer espécie – deve vir acompanhada de critérios claros e mais justos possíveis. Nos esportes individuais, eles parecem corretos e infalíveis. Ou alguém duvida que Rafael Nadal (mesmo com o ranking ainda não atualizado oficialmente pela ATP) vive ótimo momento e está primeiro do mundo?

No entanto, as listas dos melhores sempre vêm acompanhadas de alguma desconfiança e muita discórdia. O ranking da FIFA, por exemplo, parece o melhor elaborado deles. Mas sempre aparece algum surpresa no ranking mensal da entidade, como por exemplo a República Tcheca, oitava colocada. A seleção tcheca está a frente de seleções como Portugal, Rússia e Turquia (semi-finalistas da última Euro), sendo que ela não fez bons papéis nas duas últimas grandes competições que disputou, sendo desclassificada na primeira fase da Copa 2006 e da Euro 2008. No entanto, como o ranking da FIFA conta os resultados do último ano, a contar do mês de sua publicação, pesou o fato dos tchecos terem feito bom papel nas Eliminatórias da Euro, onde conseguiu classificar-se na primeira colocação do Grupo D, inclusive à frente dos alemães que mais tarde se sagrariam vice-campeões da mais importante competição européia de seleções.

Mas o que surpreende mesmo é o famigerado ranking da IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do futebol), entidade alemã que conta com as bênçãos de ranking oficial, reconhecidos pela FIFA. O último, divulgado esta semana, confirma minhas suspeitas: são critérios demais, que acabam distorcendo seu real valor e traz algumas “bizarrices” na lista dos primeiros colocados. Pelos critérios dos alemães, Torneios como a Libertadores e a Champions League e a Sul-Americana e a Copa UEFA tem o mesmo peso na pontuação (14 e 12, respectivamente), o que é uma decisão acertada, principalmente pelo grau de dificuldade de ambas. Já os campeonatos nacionais de Argentina, Alemanha, Brasil, Espanha, França, Inglaterra e Itália possuem peso 4. Campeonatos médios como Holandês, Chileno e etc. possuem peso 3 e assim por diante. O mais gozado no peso dos campeonatos nacionais é que o único considerado com o peso 1 é o campeonato bósnio. Não que a Premijer League seja das mais fortes e empolgantes, mas ficar abaixo de campeonatos como o da Síria e o de Angola é um tanto estranho.

O gozado, além de ver Valencia e Real Madrid (36º e 39º, respectivamente) abaixo de equipes como o Arsenal Sarandi/ARG, Colo-Colo/CHI e Anderlecht/BEL (18º, 23º e 35º), só para tomar alguns exemplos é o caso do Glasgow Rangers, da Escócia. Os Gers alcançaram nesta semana o segundo posto do ranking, a 22,5 pontos do Manchester United e meio ponto à frente do Chelsea, vice-campeão europeu e inglês. Além de não vencer um Campeonato Escocês há três temporadas, o Rangers acabou eliminado pelo atual campeão lituano, o FBK Kaunas, em partida válida pela 2ª fase eliminatória da Champions League 2008/09. Após um empate no Ibrox Stadium por 0-0, o Rangers – atual vice-campeão da Copa UEFA – estava se classificando com um empate em 1-1 no Estádio S. Darius & S. Girenas, em Kaunas. Mas coube a Linas Pilibaitis marcar o gol de um dos maiores triunfos – senão o maior – do futebol da Lituânia. Não deixa de ser irônica a eliminação para o Kaunas (diga-se de passagem, o numero 138 no mesmo ranking), na mesma semana em que os Gers foram aclamados como a segunda melhor equipe do mundo, o que mostra claramente, na minha visão, a grande piada que se tornou esse ranking da IFFHS, que sempre espanta o mundo do futebol mensalmente.

Ranking da IFFHS em agosto/08 (entre parênteses, a posição no ranking anterior)

1. (1.) Manchester United – 286,0
2. (4.) Glasgow Rangers – 258,5
3. (2.) Chelsea – 258,0
4. (3.) Bayern München – 252,0
5. (5.) Barcelona – 251,0
6. (6.) Roma – 248,0
7. (7.) Liverpool – 243,0
8. (8.) Arsenal – 237,0
9. (9.) Boca Juniors – 231,0
10. (10.) Internazionale – 226,0
11. (11.) São Paulo – 223,0
12. (13.) Fiorentina – 220,0
13. (19.) Fluminense – 218,0
(14.) Lyon – 218,0
15. (15.) Milan – 211,0
(para ver o ranking completo, clique neste link)





Orgulho basco?

1 08 2008
Para sair do vermelho, o Athletic de Bilbao resolveu estampar em sua camisa o primeiro patrocínio comercial em mais de 110 anos de história.
Quem acompanha o Opinião FC teve a oportunidade de ter lido um post no qual mencionava o orgulho basco, que tem no Athletic Bilbao uma de suas maiores representações. A curiosidade era a estréia na equipe principal de um jogador negro – o zagueiro/ala Jonás Ramalho – primeiro a envergar a camisa bilbaína em mais de cem anos de existência do clube. Para muitos, um avanço dos novos tempos de globalização, já que o jogador em questão era filho de angolanos e bascos. Porém, um euskadí (natural da região basca). Outros adeptos mais radicais, no entanto, questionavam se esse precedente não seria o início de uma mudança profunda no clube que à época também estava discutindo a inclusão de um jogador catalão entre os cadetes da equipe.
(Imagens: site oficial do Athletic, 31/07)

Essa semana, a diretoria bilbaína anunciou outra decisão que acirrou ainda mais a questão do “orgulho basco”. O anúncio do patrocínio de equipamentos com a Petronor (Petróleo do Norte S.A), a maior refinaria de petróleo da Espanha (11 milhões de toneladas de petróleo/ano), localizada nos arredores da província basca de Vizcaya. Apesar de ser uma petrolífera de origem basca, a maioria de suas ações (85%) estão sob controle dos espanhóis da YPF Repsol, uma das dez maiores petrolíferas privadas do mundo. O restante das ações são da BBK, uma financeira basca. Pelo patrocínio, a Petronor pagará seis milhões de euros em três anos, mais eventuais bonificações sobre o desempenho do Athletic nas temporadas, com possíveis classificações para competições de porte europeu.

O aumento do fôlego financeiro dará chances para que o técnico Joaquin Caparrós tenha mais tranqüilidade para manter a base da equipe – 11ª na última Liga – continuando o trabalho de mesclagem da experiência de jogadores como o capitão Etxeberría (31 anos) e Fran Yeste (28 anos) às revelações da tradicional cantera de Lezama como o meia Susaeta, 21 anos.

Alheia a polêmica, a diretoria da equipe não tinha outra saída para colocar as finanças em dia. Nas últimas temporadas, a diretoria não conseguia montar equipes competitivas e por vezes, esteve seriamente ameaçada de cair, algo inédito nos 110 anos de existência da equipe bilbaína. E a dor de ver a “bandeira basca” estampada com o logo da Petronor parece menor para o torcedor do que ver a equipe reforçada com algum estrangeiro ou mesmo na segunda divisão espanhola.

Assim como acontece na Catalunha com o Barcelona, o Athletic é um dos expoentes que representa o anseio de um povo que deseja ser reconhecido como autônomo e unitário perante o mundo.

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Novos tempos para o Athletic
O mal menor para o Athletic
, de Ubiratan Leal (Trivela)