Espírito (de porco) Olímpico

25 07 2008
Além do pouco tempo de preparação, o Brasil tem outra preocupação para Pequim: o endurecimento da postura dos clubes na liberação de atletas.

A exemplo da novela para liberação de jogadores para a Copa América e a Copa Africana de Nações, os clubes europeus não querem ceder seus jogadores – até aqueles com menos de 23 anos – às seleções sul-americanas. Especificamente, Brasil e Argentina – que dão muito mais importância ao título dos jogos olímpicos que os europeus e que já haviam sido podados os seus principais atletas, os mais experientes, para a disputa das Olimpíadas.

Novamente no meio do fogo cruzado, a FIFA, entidade máxima do futebol. Tal qual em outros episódios – como o dos jogos na altitude, por exemplo – a FIFA não tem um estatuto ou algo do tipo definindo a situação. Historicamente, após acordo com o COI em 1992, as seleções levariam um elenco sub-23 e dentre eles, contar com até três jogadores além do limite etário pré-estabelecido. No entanto, com o calendário cada vez mais apertado e após uma Eurocopa que tomou quase um mês deste 2008, os clubes desejam se preparar adequadamente para outra desgastante temporada e com os jogadores concentrados em Pequim, isso demoraria mais a acontecer. Somado a esse fato, os jogos olímpicos não constam no calendário oficial da FIFA. Mesmo assim, Joseph Blatter apelou ao “espírito olímpico” dos clubes e determinou que “criar obstáculos à participação de jogadores com menos de 23 anos nos Jogos poderia ser interpretado como um atentado ao espírito olímpico, já que esses jogadores formam o núcleo das equipes que participam do torneio”. Porém, não estipulou nenhum tipo de determinação aos desobedientes ou mesmo incluir as olimpíadas no calendário oficial, por um motivo muito simples: A FIFA sempre deixou claro que não deseja valorizar o torneio olímpico de futebol, temendo que este fosse confrontar a menina dos olhos da entidade, a Copa do Mundo de Futebol.

De outro lado, os clubes estão se apoiando nas brechas dadas por Blatter. Especificamente nessa briga, os clubes diretamente envolvidos – Barcelona (Messi), Werder Bremen (Diego) e Schalke 04 (Rafinha) – estão apoiados pelas respectivas federações nacionais e pela Associação Européia de Clubes (ECA, substituta do G-14). Tanto estão amparados que os alemães estão dispostos a levar o caso às últimas conseqüências, ou seja, julgamento no Tribunal Arbitral do Esporte. Tudo isso a pouco mais de duas semanas do início do torneio.

Enquanto isso, os jogadores não sabem o que vai acontecer. Os clubes ameaçam com a recisão de seus contratos (o que racionalmente, jamais aconteceria) ou dão um “jeitinho”, como no caso Robinho-Real Madrid, que está contundido em uma situação não esclarecida e por conta disso, está fora dos Jogos. Contudo, o camisa 10 está “se tratando” na pré-temporada dos merengues. O choque de interesses é notório, mas não é aberto. Se a FIFA não deseja um torneio que possa “rivalizar” com a Copa, deveria estabelecer a ida de jogadores juniores a Pequim, ou mesmo ponderar a retirada do futebol dos Jogos, já que o futebol não pode – e não é – mais importante a Olimpíada. Falta uma resolução definida e peitar os clubes, já que ela é a manda-chuva no mundo do futebol. E apesar do metodismo, os clubes estão exercendo seu direito de investimento sobre os jogadores, apoiando-se estritamente nas falhas da entidade máxima do futebol. Coisas que envolvem dinheiro e interesses devem ser bem claras e especificadas. Ou não há espírito olímpico que valha a disputa dos Jogos Olímpicos.





Petrodólares que empobrecem

19 07 2008
Roger: Seduzido pelos petrodólares do Qatar Sports Club.

Que a maioria dos clubes brasileiros está atravessando graves dificuldades financeiras, não é novidade pra ninguém. Que perdemos os nossos principais craques para a Europa, também. Mas a onda que está surgindo e que está desfalcando muitos elencos Brasil afora é a do êxodo times de origem árabe.

Historicamente, a relação entre o futebol de países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar com os profissionais brasileiros sempre foi estreita. Profissionais como Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari, muito antes de alcançarem destaque na Seleção Brasileira, já tentavam a sorte e davam os primeiros passos como treinador no futebol, na década de 80. Em contrapartida, levavam diversos profissionais brasileiros para compor sua comisssão, principalmente auxiliares técnicos, fisiologistas, preparadores físicos, de goleiros, etc. As vezes, um ou outro jogador, normalmente já veterano ou de pouco destaque no futebol nacional arriscava a ida ao Oriente Médio. Os maiores empecilhos para que mais jogadores se deslocassem às Arábias – o choque de culturas e o dinheiro, que não era muito mais do que por aqui – limitavam a ida dos profissionais.

Contudo, os tempos mudaram. Principalmente no início desta década. Os Sheikhs começaram a investir grandes cifras para desenvolver o futebol nos países árabes, quase sempre oriundas dos petrodólares. O nível dos profissionais que passaram a se mudar para a terras das mil e uma noites aumentou consideravelmente. Países como a Arábia e os Emirados Árabes Unidos sentiram o gosto de fazer parte de uma Copa do Mundo. E com isso, as propostas milionárias começaram a se multiplicar. Grandes jogadores consagrados, caminhando para o fim de carreira, como Weah, Batistuta, Cocu e Romário chegaram a atuar no futebol árabe.

E a onda árabe – assim como a onda em que “Eldorado” do futebol se concentrou no Japão e no Leste Europeu – chegou ao Brasil com força. Atualmente, alguns dos trienadores de ponta do Brasil estão por lá, tais como Paulo Autuori (Al Rayyan/QAT), Abel Braga (Al Jazira/EAU) e Emerson Leão (Al Sadd/QAT). E como num efeito dominó e contando com a bala na agulha proporcionada pelos petrodólares, os treinadores passaram a solicitar a contratação de seus “protegidos”. Tanto aqueles com os quais trabalharam ao longo dos anos, quanto os que se destacam nos diversos campeonatos. Foi assim com Marcinho e Roger, destaques deste início do Brasileirão e com Fernandão, ídolo recente da história Colorada. Caio Júnior quase deixou o Flamengo por conta do assédio árabe. E em curso, propostas formalizadas por Guiñazu, Leandro Amaral e Alex, citando os exemplos principais

Por conta dessa nova tendência, as ligas locais viraram verdadeiros redutos brazucas. Figuram como grandes destaques jogadores do calibre de Marcos Assunção (ex-Santos e Betis), campeão com o Al-Ahli/EAU que se transferiu recentemente para o Al-Shabbab/EAU e o atacante Araújo, campeão e artilheiro do último artilheiro da Q-League com 27 gols. O sucesso e os grandes contratos fazem com que os números do êxodo brasileiro no mundo árabe cresçam a cada ano. Nada menos que 12 brasileiros jogam na liga do Catar, 10 na dos Emirados Árabes e oito na liga saudita. As estrelas são jogadores como Renato (ex-Corinthians e Flamengo), Magno Alves (ex-Fluminense), Felipe (ex-Vasco) e Josiel (ex-Paraná). Se não têm técnica suficiente para estar entre os grandes brasileiros, poderiam estar engrossando o elenco de times médios e pequenos, dando um pouco mais de técnica e competitividade ao Brasileirão. E o consequente sucesso no futebol local rende convites de naturalização – regados a muito dinheiro – para que esses mesmos jogadores possam defender as Seleções da região, principalmente a do Catar, conhecido pelas diversas propostas dessa natureza. Um ótimo especial, que foi ao ar pelo site do GloboEsporte.com, mostra as diversas nuances dessa nova tendência, abordadas aqui nesse post.

A janela de transferências – que já é cruel e enfraquece os clubes devido a falta de sincronia entre os calendários brasileiros e europeu – ganha mais um fator forte e desfalcador de elencos. São os petrodólares, que cada vez mais contribuem para o empobrecimento do futebol nacional, que apesar dos campeonatos equilibrados, vê seu nível técnico cair gradualmente nos últimos anos. Não há boa safra que resista a essa demanda, que como pudemos observar, tende a crescer.





Mais do mesmo, Gaúcho?

15 07 2008
Com pompa, Ronaldinho é anunciado como reforço no site oficial do Milan.


Mesmo com este anúncio sendo previsto há tempos pelo Milan e toda a imprensa esportiva nacional e internacional, não deixa de ter um tom irônico: O Milan tentará recuperar Ronaldo para o futebol. Não o Nazário, ou Fenômeno, mas sim o Assis, ou Ronaldinho Gaúcho. Situações semelhantes em alguns aspectos, tais como as letras garrafais e douradas na página principal do site rossonero; novelas intermináveis e mudança da Espanha para o San Siro; muito tempo parados e vendidos abaixo do preço pelo qual foram adquiridos, por conta das más atuações e a consequente reserva. E finalmente, uma chance de recomeçar após o fiasco da Copa do Mundo de 2006, ponto comum da recente má fase de ambos.

Nos capítulos da novela Fenômeno, um começo gradual, porém animador. Depois, a contusão grave e por fim, o desânimo para começar novamente, o que refletiu diretamente nas confusões em sua vida privada, amplamente noticiadas pela imprensa. Já Ronaldinho, é uma incógnita. Ele atravessa um período onde comprovadamente a maioria dos craques atinge o seu auge de técnica e maturidade profissional e é acreditando nisso que o tiffosi rossonero e o torcedor brasileiro ainda confiam no seu potencial. E antes do desafio no Milan, uma chance de redenção: as Olimpíadas de Pequim. Sendo o mais experiente da Seleção, tem a missão de liderar o Brasil rumo a uma conquista inédita e ainda de quebra, salvar a cabeça de Dunga – mesmo a contragosto do técnico, ao menos neste início de preparação.

Era evidente que o meia necessitava de novos ares e que não sobreviveria ao turbulento processo de renovação do Barcelona. E o Milan é sempre uma ótima escolha, tanto pela sua ampla expressão no mundo futebolístico quanto no trato com os brasileiros, já que o clube e Carlo Ancelotti são admiradores declarados do futebol tupiniquim. E voltando lá atrás, no post sobre a chegada de Ronaldo ao Milan (31/01/2007), uso praticamente das mesmas palavras para o sucesso dele: “superar mais uma vez as críticas e a falta de velocidade de tempos passados, para que dessa maneira ele possa se impor novamente e trazer o pavor aos zagueiros. [...] conta com a técnica de sempre para brilhar com a camisa rossonera. Só depende da força de vontade dele.” E que o final dessa história no Milan seja diferente de seu xará, visivelmente em um momento obscuro e confuso de sua vitoriosa (nunca devemos esquecer disso) carreira.





Os eleitos: para salvar ou derrubar Dunga?

7 07 2008
Mesmo em má fase e convocado por Ricardo Teixeira, Ronaldinho é um dos principais jogadores do elenco canarinho na busca pelo ouro inédito.

Hoje, Dunga divulgou a lista dos 18 jogadores que vão à Pequim para a tentativa de conquista da inédita medalha de ouro. E para muitos – incluindo este blogueiro que vos escreve – jogando para salvar a pele de Dunga, em caso de êxito nas Olimpíadas. Muitos torcerão pela fracasso da Seleção, porque não agüentam vê-lo na seleção nem pintado de ouro. Mesmo o ouro de Pequim.
Falta de tempo, a não-liberação dos principais jogadores, ausência um planejamento prévio e, como de praxe, com larga preferência pelos “estrangeiros” – só cinco dos 18 atua no Brasil – fazem com que o Brasil saia cheio de desconfianças e sem grandes expectativas, ao contrário do que ocorreu na Copa de 2006. Só que os recentes resultados do Brasil nas Eliminatórias e a falta de um futebol digno de Seleção Brasileira fazem com que o processo de fritura de Dunga se acentue cada vez mais. Mas caso ocorra o título – e Teixeiradas à parte – ficará difícil tirar o gaúcho carrancudo do cargo. Mesmo tendo de engolir a convocação de Ronaldinho pelo próprio Ricardo Teixeira, o craque dentuço terá a ingrata missão de ser um dos homens de confiança de Dunga, ao lado de Robinho (intocável na era Dunga) e o zagueiro-revelação Thiago Silva, de ótima temporada pelo Fluminense até aqui.

Goleiros

Dunga deve ter pensado em chamar alguém acima dos 23 anos para a posição. Mas a convocação justa de Diego Alves, após excelente temporada pelo Almería, e de Renan, do Inter, se mostraram acertadas. Apesar do goleiro do Inter ter sido chamado mais devido a falta de opções elegíveis no setor do que pela sua própria capacidade técnica, que é boa, mas não suficiente para firma-lo no Internacional, onde divide a titularidade com o contestável Clemer. Talvez Dunga devesse ter queimado aí seu cartucho de jogador acima de 23 anos, mesmo não podendo contar com Júlio César, seu favorito.

Defensores

Mesmo encostado no Bayern, o ótimo Breno pode reeditar dupla de zaga com o “experiente” Alex Silva. O “Pirulito” tem bastante bagagem pelo São Paulo e deve ser o titular absoluto. A ponto de sair do Flu na próxima janela de transferências para a Europa, Thiago Silva será exposto na vitrine da Seleção. Boas atuações podem encurtar as distâncias até o futebol do Velho Continente. Foi o melhor de sua posição em toda a Libertadores, mesmo com as más atuações das finais contra a LDU. Apesar do desejo de Dunga em contar com um nome mais experiente no setor, os convocados têm condições de segurar o rojão na zaga canarinho.

Nas alas, as más atuações de Richarlyson este ano lhe custaram as vagas. A dele no elenco e uma para Dunga, que contava com o versátil ala/volante para ganhar uma posição em outro setor. Dos três, Rafinha foi o de temporada mais regular pelo Schalke e apostaria na titularidade dele. No entanto, Ilsinho já provou ter capacidades e ser o lateral titular, mas o seu estilo do jogo demasiadamente ofensivo pese para a escolha. Como única opção na esquerda, Marcelo está tranqüilo.

Meio-campistas

O setor mais promissor do Brasil, na minha ótica. Dunga tem a opção de montar um meio campo de volantes marcadores e habilidosos, como Hernanes e Lucas. Anderson pode ajudar no setor, pois no Manchester United soube ajudar a compor a marcação, inteligentemente descoberto por Ferguson. Ele vem de trás, mas não como um volante marcador, e sim como um jogador mais solidário, porém com capacidade de armar jogadas com extrema habilidade e velocidade. Já em relação a Diego e Ronaldinho, uma grande incógnita. O primeiro arrebenta no Werder, mas ainda deve uma grande partida com a camisa canarinho. O segundo vê Pequim como uma grande motivação para o reinício de sua carreira, desgastada na última temporada. Não questiono sua capacidade técnica, mas achei errada a aposta nele como jogador para as Olimpíadas. Ele primeiro precisa definir seu futuro e se recuperar em seu futuro clube para depois, voltar à Seleção. Já Thiago Neves, apesar das boas apresentações nas finais da Libertadores, não é o jogador vigoroso que encantou o Brasil no ano passado, mas pode vir a ser uma boa opção, inicialmente.

Atacantes

Dunga apostará suas fichas na dupla Robinho-Pato. O atacante do Real Madrid é homem de confiança do técnico, mas não está conseguindo render o que pode nas últimas partidas pelo Brasil. Pato fez bom papel em alguns amistosos e pode estourar. O ex-corinthiano Jô, recém-transferido para o Manchester City, fez bom papel na gélida Rússia. Tornou-se um dos principais – senão o principal – jogador do CSKA dos últimos dois anos e uma convocação sua para a Seleção de novos não é nada injusta. Já Rafael Sóbis não conseguiu se firmar na Europa após a grande campanha pelo Inter, no Brasileiro de 2005 e na Libertadores de 2006. Mas trata-se de um queridinho de Dunga que aparecerá como a primeira opção no banco.

Apesar de ter mais motivos de criticar o planejamento do que os convocados em si, não posso deixar de citar a ausência de dois jogadores que não podiam estar de fora de uma Seleção sub-23: o volante Charles e o atacante Guilherme, ambos do Cruzeiro e que acrescentariam muito a este elenco. Menções ao zagueiro Léo, do Grêmio, que vem fazendo bom papel no Brasileirão até aqui, inclusive sendo o Bola de Prata em sua posição, em avaliação feita pela Revista Placar e ao zagueiro Henrique, recém-vendido ao Barcelona, deixados de lado.

Apenas dois jogos amistosos, poucos dias de preparação até Pequim e um técnico teimoso pressionado no cargo. Será o Brasil tão favorito assim – mesmo com uma seleção reconhecidamente técnica – frente as seleções africanas, sempre perigosas e a uma Argentina que quer o bicampeonato olímpico a todo custo?

Convocados:
Goleiros: Diego Alves (Almería/ESP) e Renan (Internacional)
Laterais: Ilsinho (Shakhtar Donetsk/UCR), Rafinha (Schalke 04/ALE) e Marcelo (Real Madrid/ESP)
Zagueiros: Alex Silva (São Paulo), Breno (Bayern de Munique/ALE) e Thiago Silva (Fluminense)
Meio-campistas: Anderson (Manchester United/ING), Diego (Werder Bremen/ALE), Hernanes (São Paulo), Lucas (Liverpool/ING), Ronaldinho Gaúcho (Barcelona/ESP) e Thiago Neves (Fluminense).
Atacantes: Alexandre Pato (Milan/ITA), Jô (Manchester City/ING), Rafael Sóbis (Betis/ESP) e Robinho (Real Madrid/ESP).





Futebol e patriotismo

5 07 2008
Todo mundo sabe o quanto o estadunidense é patriota em relação ao 4 de julho, data que marca o aniversário de sua independência do domínio inglês. No entanto, houve um dia em que essa importante data coincidiu com o maior evento de futebol.

Em 1994, a Copa do Mundo realizada nos EUA tentavam colocá-los no mapa do futebol. Ou fazer com que eles se interessassem por isso. Não é preciso nem lembrar a importância e a rentabilidade de consumo dos norte-americanos em esportes como o futebol americano, basquete, baseball e hockey, por exemplo. A média de público de 60 mil espectadores foi, em números absolutos, a maior de todas as Copas. E no embalo da empolgada torcida da casa, a seleção dos EUA tentava fazer bonito na competição. Na época, os Yanks estavam tentando se reafirmar no futebol. Para isso, tinham como técnico o experiente Bora Milutinovic, à frente da equipe desde 1991.

Na Copa, começou a campanha no Grupo A (EUA, Suiça Romênia e Colômbia), com uma vitória, um empate e uma derrota. Conseguiu a classificação e iria pegar o Brasil nas oitavas. Somado ao fato de enfrentar a Seleção brasileira, o jogo seria em 4 de julho. No calor da Califórnia, os EUA proporcionariam um dos seus maiores momentos do futebol moderno, comparável ao terceiro lugar na Copa de 1930, a vitória sobre os ingleses em 1950 e ao proporcionar a “partida da paz”, com os eternos inimigos políticos, os iranianos, em 1998.

Na Seleção de Parreira, Raí sairia para entrada de Mazinho. O camisa dez fazia péssima Copa à aquela altura, deixando a cargo de Zinho a armação das jogadas. Mazinho o auxiliaria, mas sempre reforçando a marcação no meio, como pregava a cartilha de Parreira. No jogo, o Brasil penava para passar pela defesa, enquanto os EUA se propuseram a jogar mais atrás, com boa partida da dupla Balboa-Lalas. Com um Brasil pouco efetivo e algumas chances esporádicas americanas, a torcida do Stanford começou a acreditar no impossível. E após a expulsão de Leonardo, por cotovelada em Tab Ramos – a qual custou ao ala canarinho o restante da Copa por suspensão – muitos achavam que se os yanks fizessem um gol, o Brasil poderia se desesperar. No entanto, após muita perseverança e algumas chanes perdidas, o passe de Romário achou Bebeto na direita, aos 28 minutos do 2º tempo. E o remate do camisa sete veio cruzado, vencendo Tony Meola.

Mesmo com a chegada de Beckham, grande expoente do atual momento futebol nos EUA, o futebol profissional por lá ainda peca pela falta de técnica e competitividade. Apesar do dinheiro, não tem o nível competição do seu vizinho, o México. Mesmo assim, muitos estadunidenses já brilham pelos campos europeus, tais como DaMarcus Beasley, Tim Howard e Freddy Adu, por exemplo. E o surgimento dessa geração se deve muito a aquela tarde de calor na Califórnia, onde muitos acreditaram que o patriotismo e a empolgação daquela geração de Balboa, Lalas, Wynalda e Meola pudessem vencer a técnica (apesar do simplismo de Parreira) de uma seleção triacampeã mundial.