6+5: o cálculo complexo

6 06 2009
Após a definição das cidades-sede para a Copa de 2014 no Brasil, uma das pautas mais esperadas do Congresso da FIFA, realizado em Nassau, foi abordada novamente: a limitação do número de jogadores estrangeiros utilizados em campo pelos clubes. Conhecida como a regra do 6+5 – seis jogadores nativos do país de origem do clube e cinco estrangeiros -, a regra causa polêmica. Principal afetada pela nova resolução, a UEFA já se levanta contra a proposta. Mesmo com Michel Platini não sendo totalmente contra a idéia, a pressão da maioria dos clubes europeus – principalmente médios e grandes – faz com que o francês se torne da idéia, fortemente defendida pela FIFA na figura de Sepp Blatter. E a aliança existente entre os dois cartolas pode afundar se Blatter continuar insistindo no 6+5, pois segundo o presidente da UEFA a resolução afetará um dos principais pilares da União Européia: a livre circulação entre os países-membros, no que diz respeito a prestação de serviços e leis trabalhistas. “Para ter um calendário, temos de saber se é legal ou ilegal. Não é sobre a Fifa ou sobre o futebol de uma forma geral. É sobre as leis da União Europeia”, afirmou Platini.

Blatter se ampara no Tratado de Lisboa – ratificado pela UE em outubro de 2007 e que espera o aval de todos os 27 países-membros para entrar em vigor em sua plenitude – e assim que as novas leis entrarem em vigor, serão convocadas eleições entre os 208 confederados da entidade máxima do futebol. Entre as medidas do novo tratado – que substitui a Constituição Européia de 2004 – a UE passará a se utilizar de poder jurídico unificado, outro grande avanço do bloco após a utilização de uma moeda unificada, o Euro. O presidente da FIFA deseja que o futebol não seja tratado exatamente como outros tipos de ocupação, devido as particularidades e interesses individuais e coletivos que o esporte bretão envolve. “Temos de perguntar adeptos em todo o mundo: o senhor é a favor de uma forte equipa nacional? É a favor da equipa nacional com os jogadores atuando no campeonato do seu país? É a favor de jovens jogadores em formação e, em seguida, obter acesso para a equipe principal? Deseja que jogadores que vêm da base do clube assinem seu primeiro contato por ele? Se você responder “sim” a todas estas perguntas, então você gosta de mim e é a favor da regra do 6+5”, crava Blatter, em entrevista ao site da FIFA. Equipes como a Inter – sete italianos dentre 32 atletas no elenco – e o Arsenal – três ingleses entre 32 atletas – são grandes expoentes do mosaico de nacionalidades que se tornaram alguns clubes europeus. Na contramão dessa tendência e mostrando que é possível investir na base e ser forte, o Barcelona entrou em campo na final da Champions League de 2008/09 com seis espanhóis, todos revelados em suas categorias de base.

O fortalecimento e a identidade da relação clubes-seleção talvez seja o ponto mais positivo dessa lei. Como resultado, teriamos campeonatos nacionais e continentais mais equiparados, os clubes passariam a investir mais na formação de jogadores nativos do que na aquisição de jogadores consagrados por valores estratosféricos. Com mais jogadores na vitrine, a seleção nacional correspondente ganharia mais opções de jogadores e elas poderiam se tornar mais fortes. Além do 6+5, Blatter quer dificultar a regra para a dupla naturalização. Atualmente, dois anos são suficientes para que o jogador obtenha o benefício e o presidente da FIFA que aumentar o prazo para cinco anos.

Medidas louváveis e que beneficiariam também os continentes formadores de atletas, como as Américas e a África, mas que contarão com fortes entraves da bilionária indústria do futebol, personificada em patrocinadores, empresários de atletas e investidores-presidentes de clubes, como Abramovitch no Chelsea, Berlusconi no Milan e diversos mecenas de origem árabe que seguem adquirindo clubes europeus. Resta saber se a FIFA e Blatter conseguirão atravessar toda essa gama de interesses para a implemetação da nova lei ou se eles acabarão sucumbindo diante da politicagem e da regra de boa-vizinhança existente no futebol.





Aposta na renovação

4 06 2009
Depois de quase oito anos à frente do Milan, Carlo Ancelotti, enfim, deixa o comando do Milan. Mesmo reconhecendo sua trajetória de sucesso pelo rossoneri – duas Champions League, um scudetto, uma Copa da Itália, duas Supercopas da UEFA e um Mundial de Clubes da FIFA – Ancelotti já vinha tendo seus métodos contestados há algum tempo. E com a discreta participação do Milan nas últimas duas temporadas – quinto no Calcio 2007/08 e vice em 2008/09 – o respaldo dado ao seu trabalho acabou e o técnico italiano terá novo desafio no instável Chelsea.

A escolha de Leonardo como novo técnico do Milan não deixou de ser uma pitada de ousadia. Apesar de conhecer bem o elenco e já possuir bom trânsito entre os jogadores e Silvio Berlusconi, a aposta no brasileiro não deixa de ter inspiração no ótimo trabalho de Guardiola à frente do Barcelona: triplete europeu do ex-jogador blaugrana em seu primeiro desafio como técnico de futebol. Além disso, a aposta em Leonardo foi feita mesmo com bons nomes disponíveis no mercado europeu, tais como Felipão, Rijkaard, Mancini, Juande Ramos e Klinsmann, entre outros.

Na coletiva de sua apresentação oficial, entre outras coisas, exaltou o futebol ofensivo e bem jogado, preceitos que tentará implantar no Milan: “Eu me inspiro no jogo do Brasil de Telê Santana. Admiro muito esse time de 1982, rápido e com jogadores que não tinham funções fixas e com dois laterais muito ofensivos”, afirmou o agora treinador Leonardo. Mas a tarefa é árdua. O envelhecido elenco rossoneri clama há tempos por uma renovação, principalmente na parte defensiva. A aposentadoria de Maldini deve abrir espaço para uma limpa no setor, principalmente com o aproveitamento de Thiago Silva. Outros desafios de Léo serão a recuperação do futebol de Ronaldinho, relegado ao banco durante maior parte desta temporada que acabou, e a reposição da iminente saída de Kaká ao Real Madrid, praticamente cravada pela imprensa européia. Além da aposta em Thiago Silva e Ronaldinho, Leonardo certamente se utilizará do talento de Alexandre Pato, um dos poucos acertos de Ancelotti no Milan dos últimos anos.

Enquanto isso, no Santiago Bernabéu, a aposta é em Manuel Pellegrini. O técnico chileno, com passagens pelo futebol argentino e responsável pelo upgrade do então pequenino Villarreal no cenário espanhol e europeu em um período de quatro anos, chega a um Real Madrid que promete retomar a era galáctica, com o retorno de Florentino Pérez à presidência merengue. Kaká deve ser apenas o primeiro reforço de um clube que parece não medir esforços para acabar com o “ostracismo” merengue e a adoração ao futebol e elenco do arqui-rival Barcelona. Resta saber como o Inginero responderá ao desafio de comandar uma equipe de nível mundial pela primeira vez, tarefa na qual os promissores Bernd Schüster e Juande Ramos não conseguiram realizar a frente de um gigante como o Real Madrid.





Que fim deram as zebras?

2 06 2009
O final da temporada 2008/09 chegou, abrindo a temporada para balanços e especulações. Nos principais campeonatos europeus, algumas zebras ameaçaram galopar nos gramados, mas acabaram por não se concretizar e algumas até mesmo a voltar ao prognóstico de pré-temporada: a zona do “ostracismo” ou a briga pelo rebaixamento.

Caçula desta Bundesliga, o Hoffenheim pode ser considerado um dos azarões que tiveram mais sucesso. Ainda assim, fica uma ponta de decepção, já que o Hoffe chegou a sonhar alto com a conquista simbólica do título de campeão de inverno do certame alemão. Em um primeiro turno fabuloso, peitou os grandes do futebol alemão e virou o turno na frente do Bayern, no saldo de gols. Após um turno inteiro sem perder em jogos dentro de casa, a coisa desandou, principalmente pela falta de peças de reposição dentro do elenco e a contusão grave de seu principal jogador – o bósnio Vedad Ibisevic, artilheiro da Bundesliga àquela altura com 18 tentos. Apenas quatro vitórias no returno e chegando a amargar uma série de sete jogos sem vitória, o Hoffenheim não só viu a chance do título ficar distante, mas acabou o campeonato na sétima colocação, ficando de fora de qualquer competição européia em 2009/10. Mesmo recém-promovido, acabou ficando uma pontinha de decepção ao Hoffe. Enquanto isso no segundo turno, outra zebra arrancou rumo ao título da Bundesliga, comandados por Dzeko, Grafite e Misimovic: o Wolfsburg.

Outro que surpreendeu, mas por menos tempo em relação ao Hoffenheim e Wolfsburg foi o Hull City, também caçula na Premier League. O time do brasileiro Geovanni chegou a encostar na liderança, à época disputada por Chelsea e Liverpool com um time limitadíssimo, como foi comprovado após a boa fase dos Tigers, que durou até a nona rodada. Duas séries de 11 derrotas derrubaram o time, que terminou o campeonato apenas uma posição acima da zona de rebaixamento, se salvando na última rodada graças a derrocada do tradicional Newcastle, rebaixado para a segunda divisão. Outro que chegou a surpreender e a sonhar com uma vaga na Champions League foi o Aston Villa. No entanto, uma série de nove jogos sem vitória podaram os Villains na briga contra o Arsenal, que acabou ficando com a última vaga inglesa para a competição européia. O Villa acabou se contentando com uma vaga na Liga Europa após a sexta colocação na tabela.

A hegemonia do trio de ferro no Campeonato Português teve um estranho no ninho no início do campeonato: o Leixões. A equipe da cidade de Matosinhos ficou até a 11ª rodada entre os líderes, mas a carruagem acabou virando abóbora. Após quatro rodadas na liderança, o Leixões amargou uma brusca queda e a exemplo do que aconteceu com o Hoffenheim na Alemanha, acabou nem se classificando para qualquer competição continental em 2009/10.

E se o tradicionalismo acabou imperando na Europa com o tetracampeonato da Inter – onde o Genoa fez campanha surpreendente, quase conseguindo uma vaga na Champions – e do Porto e o tricampeonato do Manchester United, duas grandes hegemonias foram quebradas na Europa: o Bordeaux interrompeu a impressionante série de sete campeonatos consecutivos do Lyon e sagrou-se campeão francês pela primeira vez após 10 anos de jejum. E na Holanda, o AZ Alkmaar do técnico Louis Van Gaal – já contratado pelo Bayern – quebrou uma hegemonia de nove anos de conquistas da tradicional dupla PSV-Ajax na Eredivisie. Além do surpreendente campeonato – apenas o segundo de sua história – a Holanda ainda viu com espanto o Twente se classificar para a pré-Champions por conta do vice-campeonato. O até então tetracampeão PSV (4º) e o Ajax (3º) terão de se contentar com a disputa da Liga Europa.





Sí, se puede/Sí, es pot

28 05 2009
Barcelona conquista a Champions e mostra que é possível aliar jogo bonito e bons resultados no futebol atual.

Uma atuação impecável diante de um Manchester United apático, que se tornou presa fácil para o futebol bonito do Barcelona. Quem acompanhou a partida no Estádio Olímpico de Roma pode testemunhar a vitória do futebol bem jogado, em sua plenitude. Mesmo com todas as dificuldades em armar a defesa em meio aos desfalques por contusão e suspensão, Guardiola não alterou a forma exuberante de seu time jogar, ao contrário do que fez Ferguson. O domínio do meio-campo por parte do Barcelona, que tem como uma de suas principais armas a posse de bola, permitiu aos catalães dominarem a partida quase que por completo. A liberdade dada para Xavi e Iniesta foi decisiva, já que cada um deu uma assistência para gol.

Além da ousadia de Pep Guardiola em montar um Barcelona desse quilate em sua temporada de estréia como técnico, o Barcelona entrou em campo nesta final com sete jogadores formados em suas canteras: Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi, além do próprio Guardiola. Ao contrário do que fazem os rivais do Real Madrid, que gastam fortunas em jogadores badalados em seu projeto “Galático”. E pra quem acha que o sangue novo na comissão técnica não fez a diferença, pouco dos jogadores contratados em 2008/09 fizeram parte da base da equipe, como Dani Alves, Keita e Piqué e a “limpa” nos medalhões do elenco das últimas temporadas como Ronaldinho, Deco, Zambrotta e Edmilson. Praticamente aboliu as tediosas concentrações pré-jogo e fez com que os jogadores passassem mais tempo juntos durantes os treinamentos, o que solidificou o grupo. Jogadores que estavam cotados para sair, como Henry e Eto’o recuperaram a alegria de jogar e formaram o fantástico ataque dos 153 gols, ao lado de Messi.

Ao conquistar o título mais cobiçado dos clubes europeus, o Barcelona dá uma lição de que não é preciso armar uma equipe com três volantes ou três atacantes para que ela seja defensiva ou ofensiva, mas que é preciso adaptar as preferências táticas dos treinadores com a montagem do elenco e explorar da melhor forma as características individuais dos jogadores à disposição. E justiça seja feita, apesar de entrar com a formação errada nesta final, Ferguson também desenvolve com muita eficiência tais preceitos. E jogando bem, sempre objetivamente.

Com a “Tríplice Coroa” conquistada pelo Barcelona, os blaugranas se ratificam como o time a ser batido – a vitória na final quebrou uma sequência de 25 jogos sem derrotas na Champions dos Red Devils. E outro jogador coroa uma temporada fantástica, a exemplo do Cristiano Ronaldo em 2007/08e Kaká em 2006/07: Lionel Messi, 38 gols na temporada a artilheiro desta Championscom nove gols. Além da volta do bom futebol do decisivo Eto’o – que também fez um dos gols da decisão em 2005/06 contra o Arsenal – e Henry, menções honrosas para Iniesta, decisivo contra o Chelsea, e Xavi, eleito o melhor em campo na decisão com grande justiça. Base do meio campo da Fúria, vivem grande momento técnico. Do meio pra frente, o Barcelona é quase perfeito. E provou que é possível vencer jogando bem e principalmente com aplicação tática e a entrega dos jogadores em campo. Sim, se pode! Em português, espanhol, catalão…





Primeira vez, com autoridade

25 05 2009
Após fulminante segundo turno, Josué ergue a primeira Salva de Prata da história do Wolfsburg.

O pequeno Wolfsburg se agigantou no futebol alemão. Time fundado em pleno pós-guerra, em setembro de 1945, estava há doze temporadas consecutivas na Bundesliga alemã e jamais havia comemorado nenhum título em sua história de quase 64 anos. Nem nas divisões de acesso. Tabu quebrado com autoridade, com a sonora goleada sobre o Werder Bremen por 5-1. Melhor ataque disparado da competição, os Wolves detém outras marcas impressionantes, como 11 das 21 vitórias conquistadas por três ou mais gols de diferença em sua campanha na Bundesliga 2008/09; a primeira vez na história do certame alemão que dois jogadores da mesma equipe marcam mais de 20 gols, coroando artilheiro e vice – Grafite com 28 gols e Dzeko, 26 – e batendo uma marca que durava mais de 35 anos: a de dupla de ataque mais letal de uma edição do Alemão, pertencente aos lendários Gerd Müller e Uli Hoeness, com 53 gols pelo Bayern de 1972/73. Além da arranacada sensacional da nona colocação ao final do primeiro turno – com apenas 26 pontos – ao título, com apenas duas derrotas no returno e uma sequência espetacular de 11 vitórias consecutivas.

A base formada em duas temporadas pelo técnico Felix Magath – que já acertou sua saída para o Schalke na próxima temporada – cresceu no momento certo do campeonato. Quinto colocado em sua primeira temporada à frente dos Wolves, as chegadas de Zaccardo, Misimovic e Barzagli no início da temporada rechearam um time que, se aparentemente não tinha jogadores renomados, possuía um elenco versátil e de jogadores que subiram de produção durante o campeonato. Após um começo instável, o goleiro suíço Diego Benaglio se firmou na posição, assim como o recém-chegado Barzagli – jogador com mais minutos jogados nesta Bundesliga – comandou a zaga da equipe com firmeza, ao lado de Marcel Schäfer. Após começo instável, Josué logo se firmou no meio-campo e tornou-se o capitão da equipe, reencontrando o eficiente futebol perdido desde os tempos de São Paulo, formando bom meio campo com Christian Gentner. Mas o trio Misimovic-Dzeko-Grafite – responsável por 60 dos 81 gols da equipe na campanha do título – deu o toque de qualidade ao time comandado por Magath. O meia Misimovic foi o principal responsável de municiar a letal dupla de ataque dos 54 tentos. As impressionantes marcas de Grafite – 28 gols em 25 jogos – e do bósnio Dzeko – 26 gols em 32 jogos – não deixam margem de dúvida na hora de escolhe-los entre os melhores do campeonato.

No campeonato mais disputado e surpreendente da Europa nesta temporada, onde o debutante Hoffenheim foi o campeão de inverno e seis times se alternaram na liderança, o Wolfsburg foi campeão com enorme justiça e eficiência, jogando um futebol que todos esperavam do Bayern de Munique. E os bávaros salvaram a temporada ao conquistar o vice-campeonato na última rodada e garantir vaga direta à próxima Champions. Muito pouco para um time do quilate de Schweinsteiger, Ribéry, Klose e Toni, que esperam com esperança por um bom trabalho de Louis Van Gaal, acertado para a próxima temporada no lugar de Jürgen Klinsmann, que decepcionou no comando da equipe. Times figurantes como o Schalke 04 e o Werder Bremen – atual vice-campeão da Copa da UEFA – fizeram um pífio campeonato e nem vaga para as Copas Européias conquistaram. O Hertha Berlim, postulante ao título até outrora, viu a possibilidade de uma vaga na fase classificatória da Champions ir para o espaço após a vexatória goleada para o já rebaixado Karlsruhe por 4-0, beneficiando o Stuttgart, que garantiu a vaga mesmo sendo derrotado por 2-1 pelo Bayern.

Agora, a maior luta dos Wolves para 2009/10 será encontrar um bom substituto para Magath no comando técnico, além de evitar um iminente desmanche, já que Dzeko e Grafite estão sendo cotados para se transferirem aos grandes europeus. Contudo, o primeiro título da equipe da cidade homônima, com apenas 120 mil habitantes e antes conhecida apenas por ser a sede mundial da Volkswagen veio com muito estilo e autoridade.

LEIA MAIS, NO OPINIÃO FC:
Carrossel Alemão
Por enquanto, um rascunho
Noviços Rebeldes





Comigo ninguém pode

21 05 2009
Alusão a conquista do 17º scudetto da Inter: Comandados por Ibrahimovic, os interistas passearam rumo ao tetracampeonato.

Na reta final das ligas européias, a manutenção da hegemonia deu o tom das comemorações. O tricampeão Manchester United nem fez força para empatar com o jovem Arsenal e fazer a festa, enquanto a Inter comemorou o tetracampeonato ainda na concentração, graças ao tropeço providencial do arqui-rival Milan frente a Udinese no sábado. Tetra como a Inter, o Porto já havia assegurado o caneco na semana passada com duas rodadas de antecedência, na vitória contra o Nacional da Ilha da Madeira. Em três dos seis campeonatos nacionais mais destacados da Europa – o Lyon não tem mais chances de ser octacampeão na França, o Barcelona quebrou a hegemonia do Real Madrid e o Bayern tem que torcer por um tropeço do Wolfsburg, além de vencer o difícil compromisso contra o Stuttgart para ser bicampeão alemão – manutenção da hegemonia, títulos antecipados e conquistados sem maiores problemas.

A Inter passeou durante todo o Calcio e praticamente não foi ameaçada. As irregularidades de equipes concorrentes Milan e Juventus facilitaram a conquista do scudetto, que mais uma vez ameniza a dor de uma péssima jornada de Champions League. Campeão da Champions e do Português pelo Porto e Inglês pelo Chelsea, José Mourinho estreou no Calcio e atestou sua sina de técnico campeão com o título, preservando a base construída por Mancini nas últimas temporadas. Porém, deu chances para o surgimento de bons jogadores pratas-da-casa nerazzurri nesta temporada como o lateral Davide Santon e o bom, porém intempestivo, Mário Balotelli, que se firmou como parceiro de ataque de Ibrahimovic principalmente após a metade da temporada. Temporadas espetaculares de Ibrahimovic – novamente principal jogador do time e vice-artilheiro do Calcio com 22 gols, até aqui – e do goleiro Júlio César, mescladas a regularidade de atletas como Cambiasso, Zanetti, Córdoba e Vieira deram a cara do 17º scudetto interista, o que faz os rivais de Milão empatarem no segundo posto do número de conquistas da Série A, italiana, com 10 conquistas a menos que a Juventus. E o tetracampeonato marca uma hegemonia que não se via em campos italianos desde o pentacampeonato do Torino, conquistado entre 1942 e 1949.

O Manchester United não teve a vida tão fácil quanto a da Inter, sem adversários diretos em 2008/09. Sofrendo com o excesso de jogos – principalmente à época do Mundial de Clubes da FIFA, o qual venceu – os Red Devils não abriam vantagem confrtável, até pelo fato de terem jogos a menos em relação aos rivais Liverpool e Chelsea e terminaram o primeiro turno apenas no terceiro posto. Após uma sequência de 11 vitórias consecutivas e mesmo com jogos a menos, os comandados de Ferguson assumiram a liderança da qual não saíram mais. Liderança essa que foi incomodada na goleada contra o rival direto Liverpool por 4-1 e na derrota na partida posterior por 2-0 frente ao Fulham na 30ª rodada. De lá pra cá, mais uma série de vitórias consecutivas – desta vez, sete – e o título garantido com uma rodada de antecedência no empate sem gols contra o Arsenal. Como a Inter, Alex Ferguson manteve a base vitoriosa da equipe, que contou com a valiosa aquisição de Berbatov, a qual aumentou ainda mais a gama de opções ofensivas da equipe. O surgimento, mesmo tímido, de valores da base como Welbeck, Evans, Rafael da Silva e Macheda mostra que o futuro reserva ao United bons frutos.

Mesmo sem ter emplacado um campeonato brilhante como em 2007/08, Cristiano Ronaldo teve bons momentos e está na briga pela artilharia da Premier League, com 18 tentos. Destaques para a regularidade Van der Sar, a boa zaga Vidic-Ferdinand, o veterano Giggs, as entradas e gols pontuais de Tevez. E superando Ronaldo, Rooney foi o grande diferencial do time nesta temporada. Atacante objetivo e muito dedicado no auxílio à marcação, colaborou com 12 gols, sete assistências e muita regularidade nos jogos. Além da campanha incontestável, o tricampeonato deu ao Manchester United o posto de maior campeão inglês ao lado do Liverpool, com 18 conquistas e o recorde de ser a única equipe a se sagrar duas vezes tricampeã inglesa em toda a história – a primeira foi entre 1999 e 2001. De quebra, Ferguson e Giggs – remanescentes da década de 80 quando o Manchester United amargou um período de 26 anos sem vencer o campeonato inglês, quebrado em 1992/93 – comemoraram seu 11º título nacional.

Coletividade foi a marca do tetracampeonato do Porto. Mesmo não tendo o artilheiro da Liga 2008/09 – até o momento, a marca é de Nenê do Nacional, com 19 tentos – cinco atletas foram responsáveis por marcarem 41 dos 59 gols dos Dragões até aqui: Lisandro López (10), Ernesto Farias (9), Givanildo Hulk e Lucho González (8), além de Cristián Rodríguez (6) mostram que o diferencial do Porto para a conquista foi a versatilidade de sua linha ofensiva. Além da importante participação dos citados, jogadores como o zagueiro Bruno Alves e o operário volante/meia Raúl Meirelles formaram a base campeã, comandadas pelo técnico Jesualdo Ferreira. Apesar de ainda estar distante da hegemonia de títulos benfiquista em Portugal – 31 contra 24 – o Porto ostenta uma impressionante marca de crescimento na Liga lusitana dos últimos anos: a conquista de 11 das últimas 15 edições da Liga.

A hegemonia de Manchester United, Inter e Porto vem recheada de números impressionantes, o que atesta a ampla superioridade em relação aos rivais. Que ainda precisarão abrir bem os olhos para não assistirem tais cenas de festa se repetindo em 2009/10.





Pobres Millionarios

15 05 2009
O inferno astral pelo qual passa o River Plate passa após a conquista do Clausura 2008 parece ter atingido o seu ápice. No Apertura 2009, a equipe terminou a liga com o pior desempenho de sua história em um campeonato local, foi o lanterna entre os 20 participantes daquele certame, com vexatórios 14 pontos em 20 partidas – aproveitamento de pouco mais de 25%. Os Millionarios são não foram rebaixados por conta do Promedio, artifício adotado pelo futebol argentino que estabelece uma média de pontos dos três últimos campeonatos, onde o River acabara com a sexta posição àquela altura. Terminou o campeonato com o técnico interino Gabriel Rodríguez – Diego Simeone já havia pedido demissão após a eliminação da equipe na Copa Sul-Americana – muitos problemas e apenas uma certeza: a aposta no ídolo Nestor Gorosito (comentada neste blog por Erick Amirat), que marcou época como meia do time na década de 80 para comandar uma virada na vida da equipe de Nuñez. Nada melhor do que um “prata-da-casa” para resgatar as raízes vencedoras que sempre caracterizam a equipe.
O resgate ao passado vitorioso não aconteceu só no comando técnico. O meia Marcello Gallardo, em sua terceira passagem pelo clube, também chegou com tal responsabilidade. O retorno de Sambueza – após passagem apagada pelo Flamengo – e a aposta em Cristian “Ogro” Fabbiani para formar dupla de ataque com Falcao Garcia eram as movimentações de maior destaque. Em vão, até aqui. Mesmo com Gallardo se destacando em algumas partidas, o River colecionou outra marca negativa em sua história: foi eliminado na primeira fase da Libertadores em um grupo fraco – com Nacional/URU, Nacional/PAR e Universidad San Martín/PER – após perder para os uruguaios na penúltima rodada, chegando à última rodada sem chances de classificação.Alvo de piada pelos rivais boquenses – era a quinta eliminação do time na primeira fase da Libertadores, em 29 participações – o River depositou todas as suas esperanças no Clausura 2009. Que ficou mais distante após o empate em casa diante do Lanús por 1-1, já que a vitória do líder Vélez aumentou a diferença em relação ao River – atual quinto colocado – para sete pontos. Longe do título e em quinto no Promedio, a Libertadores 2010 é um sonho cada vez mais distante. Sabendo dessa possibilidade, os torcedores não perdoaram e levaram diversas faixas de protesto neste domingo para a partida contra o Lanús, no Monumental de Nuñez: “A pior equipe da história”, “De três goleiros não fazemos um” e diversas ameaças explícitas a jogadores e dirigentes. Além do clima contra, o River perdeu Gallardo, acometido há algum tempo por uma pubalgia e que decidiu operá-la agora.

A maré anda tão desfavorável que até Diego Maradona – que antes de ser técnico da Argentina, é torcedor fervoroso do Boca – deu declarações solidárias ao time a uma rádio local: “Eu não vi nenhuma mensagem para qualquer dirigente que tenha comprado um jogador nos últimos dez anos. O que aconteceu com as bandeiras é estranho, estou surpreso”, disse El Diez.

Além da ausência de Gallardo, a falta de um nome confiável no gol, evidenciado nas treze partidas da equipe até aqui onde atuaram três goleiros diferentes – Vega (cinco jogos), Ojeda e Barbosa (quatro jogos cada) – e a instabilidade na defesa não dão boas perspectivas aos Millionarios. O homem-gol Fabbiani, sempre brigando contra a balança – fez apenas um gol em dez jogos – e Ariel Ortega foi dispensado do Independiente de Rivadavia, da segunda divisão, e retornou ao River. E o veterano meia de 35 anos pode entrar em campo, mesmo com os problemas com alcoolismo que vem marcando a sua carreira. Ou seja, as perspectivas são as piores possíveis. Pelo menos a curto prazo.





A verdade está lá fora

30 04 2009
O sucesso da excelente equipe do Barcelona será posto à prova na semana que vem. Domingo, é dia de El Clásico, frente aos rivais do Real Madrid. A vantagem sobre os merengues – que chegou a ser de doze pontos – atualmente é de apenas quatro, restando cinco rodadas para o final. E curiosamente, desde a derrota no primeiro turno para o próprio Barcelona no Camp Nou por 2-0, na estréia de Juande Ramos, o Real não perde em La Liga. De lá pra cá foram 18 jogos e impressionantes 17 vitórias e apenas um empate. Os merengues têm a oportunidade de mudar de vez um campeonato que parecia garantido para os blaugranas, pois decide sua sorte no Santiago Bernabéu. Focado apenas no Espanhol, o Real Madrid quer o tricampeonato para salvar a temporada, que parecia perdida após os revés para o Liverpool nas oitavas da Champions.

Três dias após o decisivo clássico local, o Barcelona vai à Londres jogar seu destino na Champions League. Sabendo do ótimo momento de seu adversário na semifinal, Guus Hiddink praticamente abriu mão de atacar para segurar um precioso e perigoso 0-0 em pleno Camp Nou nesta terça, o qual vai obrigar o Chelsea a vencer na partida de volta para chegar à final, caso o Barcelona marque gols em Stamford Bridge. Em um campo mais acanhado e familiar, o Chelsea pode perfeitamente levar vantagem sobre os velozes e dinâmicos jogadores do Barcelona, que ainda terá como desfalques Puyol, suspenso, e Rafa Marques, contundido no menisco e fora do restante da temporada. Assim como o Real Madrid, o Chelsea também subiu de produção após trocar de técnico. Nas 16 partidas sob o comando de Hiddink, o Chelsea só perdeu para o Tottenham em março, fora de casa. Ganhou outras 11 partidas e empatou sete. Também nunca é demais lembrar que no mata-mata desta Champions League, os Blues deixaram para trás equipes do calibre de Juventus e Liverpool. E com chances remotas de título na Premier League, o Chelsea aposta todas as fichas no velho sonho de conquistar a Europa.

Time de futebol mais vistoso e ofensivo da Europa, as habilidades do Barcelona serão fortemente testadas. Na partida de hoje, apesar de pressionar, o eficiente ataque blaugrana -140 gols em 2008/09 – terá de ser mais eficiente em Londres, enquanto a defesa – 44 gols em 54 jogos – será mais exigida na partida de Madrid. Para os otimistas, uma derrota do Barcelona é coisa rara nesta temporada: apenas três em 54 partidas oficiais, sendo que a última delas aconteceu contra o Atlético de Madrid, em março, o que dá ao time catalão a atual marca de 13 partidas sem derrota. Então basta os comandados de Guardiola manterem a média, certo? É o que veremos semana que vem…





Corpo mole e corpo fechado

20 04 2009
Longe de mim questionar o trabalho de Guus Hiddink nesta recente (e bem sucedida, até aqui) estadia no Chelsea. O técnico holandês – que também é tecnico da Rússia – sucedeu Felipão em fevereiro e vem fazendo o que o brasileiro só havia conseguido no começo da sua estadia de sete meses em Stamford Bridge: um time aguerrido e que se não joga com brilhantismo, sabe controlar e vencer as partidas. Apenas uma derrota e dois empates em 12 partidas e mais do que o excelente aproveitamento, o Chelsea de Hiddink consegue fazer o que o Chelsea de Felipão não fez e que causou sua queda: peitar as grandes equipes de igual para igual. Prova disso é a campanha dos Blues no mata-mata da Champions, onde derrubou Juventus e Liverpool sem ser derrotado (duas vitórias e dois empates).

Hiddink, que se notabilizou em levar times desconhecidos ou limitados tecnicamente ao topo – como o PSV campeão da Champions League em 1987/88 ou as seleções semifinalistas de Copas do Mundo com Holanda e Coréia do Sul, por exemplo – acertou a mão no Chelsea, principalmente por conta do “despertar” de alguns jogadores importantes do elenco. Didier Drogba – que iniciou a temporada se recuperando de contusões – não vinha bem e era reserva de Felipão, normalmente preterido por Anelka. O descontentamento do marfinense era visível e até era ventilada a sua venda na janela de transferências de janeiro. Motivado pelas chances dadas por Hiddink na equipe titular, o avante fez dez jogos desde a chegada do técnico holandês e anotou sete gols, contra apenas dois na era Felipão em 17 partidas. “A saída de Scolari fez uma grande diferença para mim e para a equipe. Foi a minha chance de demonstrar meu valor. Tenho minha energia de volta. Nos últimos dois meses, a minha vontade de jogar e de ganhar jogos tem sido muito grande”, afirmou o atacante a imprensa inglesa, segundo noticiou o Terra.

Caímos no velho questionamento: jogador derruba técnico? A declaração de Drogba deixa no ar que se não derruba diretamente, dá aquela forcinha. Além da melhora latente do marfinense, jogadores como Ballack e Malouda – constantemente utilizados por Felipão – também melhoraram sensivelmente suas atuações. Lampard é a exceção, pois o camisa oito vem jogando muito desde o começo da temporada, o que faz com que o meia seja o principal jogador da equipe até aqui. Favoritos de Felipão, como Anelka, Deco e Beletti perderam espaço com Hiddink, que utiliza constantemente jogadores como Malouda e Drogba, além de contar com Essien na lateral direita, já que o volante voltou recentemente após longo tempo contundido e é peça importante na equipe, seja qual for o técnico. O esquema de jogo dos dois técnicos é semelhante, sem mudanças bruscas no esquema tático.

Seja qual for o motivo, Felipão caiu por não conseguir deixar o elenco do Chelsea coeso, como ele fez em Portugal, na Seleção Brasileira, Grêmio e Palmeiras, a chamada “família Scolari”. Normalmente, as radicais mudanças implantadas por ele foram respaldadas pelos bons resultados, o que não ocorreu no Chelsea, seja pelo comprometimento de alguns jogadores ou pelas muitas contusões que atingiram o elenco (na minha opinião, uma mescla dos dois). No entanto, a recuperação do Chelsea não passa apenas pela excelente assimilação da filosofia de Hiddink – que não fica no Chelsea para a próxima temporada – pelo elenco. A fogueira das vaidades nos Blues se amenizou e Hiddink soube administrar isso, para benefício mútuo. E o Chelsea, de quase desacreditado na virada do ano chega às semifinais da Champions em condições de peitar o poderoso Barcelona. E porque não, tombar mais um gigante em sua eterna busca pelos louros europeus, tão desejada por Abramovitch quando adquiriu a equipe. É palpável e possível.

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Game Over, Felipão

Essencial





Carrossel Alemão

10 04 2009
Principal responsável pela ascensão do Wolfsburg à liderança, Grafite marca golaço diante da confusa defesa do outrora poderoso Bayern de Munique.

Que a Premier League é o campeonato de maior nível técnico na Europa, é quase que consenso entre torcedores e jornalistas. Mas emoção e muita disputa mesmo é na Bundesliga, certamente a mais competitiva das últimas temporadas. A goleada do Wolfsburg sobre o Bayern de Munique por 5-1 na última rodada levou os Wolves à liderança do certame alemão, convertendo-se na sexta equipe diferente a ocupar a ponta da tabela. A diferença entre o Wolfsburg (51 pontos) e o campeão de inverno Hoffenhein – atualmente, quinto colocado – é de apenas sete pontos. Até o início da rodada do último final de semana, a 26ª rodada, o líder era o Hertha Berlim. Mas os berlinenses perderam a liderança obtida na 20ª rodada e uma invencibilidade em jogos dentro de casa que durava pouco mais de seis meses, na derrota por 3-1 em casa frente ao Dortmund. Equipes competitivas nas últimas temporadas, Schalke 04 e Werder Bremen – respectivamente, oitavo e décimo – ainda são meros figurantes na Bundesliga 2008/09.Indiscutívelmente, o atual campeão Bayern é a equipe mais forte do campeonato, tecnicamente falando. Mas Klinsmann não consegue fazer aos bávaros jogarem bem contra os mais fortes nesta temporada. Na quarta colocação com 48 pontos e apenas a três dos líderes Wolfsburg e Hamburgo, os comandados de Klinsi não obtiveram nenhuma vitória contra os postulantes ao título alemão neste segundo turno: derrotas para o Hamburgo (2º), Hertha (3º) e Wolfsburg (1º) tiraram pontos importantes, que certamente colocariam a equipe na rota da liderança. Mesmo com as goleadas sofridas nas duas últimas partidas – 5-1 para o Wolfsburg e 4-0 para o Barcelona, pela Champions -, do meio para a frente, o Bayern tem enorme potencial. O grande desafio para Klinsmann – que começa a balançar no cargo – é arrumar a defesa, que quando Lúcio não atua, fica carente de nomes confiáveis, já que Demichelis e Van Buyten não inspiram confiança e Breno ainda é muito jovem e começa a ser inserido aos poucos na equipe.

A mais nova “surpresa” da Bundesliga é o Wolfsburg. Apenas o nono colocado ao final do primeiro turno, com 26 pontos, os Wolves chegaram à liderança de forma espetacular: após o empate em 1-1 com o Colônia, na primeira rodada do returno, a equipe comandada por Felix Magath venceu os outros oito jogos, enfrentando figurões do naipe de Hertha Berlim, Hamburgo, Schalke e Bayern. A grande melhora da performance no ataque é a maior responsável pela chegada ao topo. Comandadas pela dupla composta por Grafite e o bósnio Edin Dzeko, o Wolfsburg marcou 23 gols no returno – 19 marcados pela dupla – e sofreu apenas sete. Se mantiver a regularidade, visto que enfrentou a maioria de seus concorrentes direto ao título, a equipe de Magath tem grandes chances de conquistar o título. É torcer para que a base titular da equipe – composta por nomes como o zagueiro Andrea Barzagli, os meias Josué, Dejagah e Misimovic, além de Dzeko e Grafite – não sofra contusões graves, já que o elenco da equipe não é tão vasto. Mais impressionante ainda é o ótimo momento de Grafite, principal jogador do Wolfsburg e forte candidato ao posto dos melhores do certame alemão. São impressionantes 20 gols em 17 partidas, o que lhe garante atualmente o posto de maior goleador da Bundesliga.

Outra grata surpresa é o Hertha Berlim, décimo colocado na temporada passada. Há quase 80 anos sem um título nacional, a equipe da capital mostra consistência para brigar pela taça. Na liderança das seis últimas rodadas, o Hertha vacilou nos dois últimos jogos e perdeu a vantagem de quatro pontos na liderança, caindo para o terceiro posto, com 49 pontos. Mesmo equipes que sofrem com a irregularidade, como o Bayern, Stuttgart e o Hoffenheim ainda podem apimentar a disputa pela liderança e a luta pelas vagas na próxima Champions e na Liga Europa (atual Copa da UEFA). O caso do Hoffenheim é mais complicado, pois o time perdeu seu principal jogador – o atacante bósnio Vedad Ibisevic, vice-artilheiro com 18 gols – pelo resto da temporada, devido a uma contusão durante um amistoso contra o Hamburgo, em janeiro. Sem vencer há oito rodadas, o Hoffe parece fadado a brigar pela Liga Europa. Frustração por um lado, pois a equipe foi a campeã do primeiro turno. Alegria por outro, por disputar uma competição continental logo após sua estréia na Primeirona alemã.

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